<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350</id><updated>2012-02-17T01:19:13.255-03:00</updated><title type='text'>Álder Teixeira - Crônicas, contos, colunas de jornal</title><subtitle type='html'>Este blog reúne textos do professor e escritor Álder Teixeira publicados originalmente em jornais, revistas, livros e trabalhos acadêmicos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>217</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-358979659034188674</id><published>2012-02-15T15:45:00.003-03:00</published><updated>2012-02-15T15:57:10.990-03:00</updated><title type='text'>A Semana de Arte Moderna</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Queira-se ou não, a Semana de Arte Moderna foi o mais importante acontecimento cultural do país. Refiro-me ao evento de 1922, que teve como cenário o Teatro Municipal de São Paulo e serviu para dividir as águas da inteligência brasileira, fixando coordenadas que estão para além das fronteiras meramente artísticas e ecoam, de alguma forma, ainda hoje, em tudo que diz respeito à nossa produção intelectual. Dito assim, é provável que o leitor menos avisado conclua que estejamos comemorando, neste mês de fevereiro, os 90 anos de uma manifestação por demais acadêmica, o que vai de encontro ao conteúdo político e estético da rapaziada. A Semana de 22 foi um evento de revisão dos nossos valores, do nosso modo de pensar a Arte e sua razão de ser. De rever, portanto, posturas e percepções da realidade brasileira em seus diferentes aspectos, ideológicos inclusive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Menotti del Picchia, Paulo Prado, Sérgio Milliet, Di Cavalcanti, Mário de Andrade e Oswald de Andrade, para citar os nomes de maior peso no contexto daqueles acontecimentos de 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, devem ser vistos como os grandes inovadores do pensamento político e estético nacional, em que pese ser realidade terem vindo, alguns desses, de linhagens familiares ricas e não raro conservadoras. Aí, exatamente, o que mais dignifica o ideário por que orientaram suas ações, redefinindo papeis até então confiados ao que tínhamos de mais representativo da intelectualidade no país, dominantemente marcada por figuras pouco afeitas às transformações ou transgressões de qualquer ordem. A participação de Graça Aranha na programação de abertura do evento, nessa perspectiva, proferindo a palestra inaugural, é prova contundente do que estamos afirmando. Sobremaneira quando nomes importantes, a exemplo de Manuel Bandeira e Monteiro Lobato, cada um a seu modo, encontraram pretextos para justificar suas ausências durante a realização da Semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Oswald de Andrade, seguindo a mesma linha de raciocínio, devemos uma (re)apreciação do que legou aos contemporâneos e pósteros, não apenas artisticamente falando, o que já seria grandioso. Falo em termos do que investiu, em dinheiro e esforços, para tornar possível a Semana de Arte Moderna. Ao retornar da Europa em 1912, dez anos antes da eclosão do nosso modernismo, Oswald importou o espírito futurista por que iria orientar seus projetos para o Brasil, no que terá sido tremendamente mal interpretado, acusado que seria de semear ideias fascistas entre os seus pares brasileiros. Empana-se (ou se tenta empanar) o que havia de essencial, de fato, em meio a esses projetos: o compromisso da literatura com a modernização do pensamento e da linguagem; o combate aos ranços acadêmicos e às quinquilharias e ao passadismo de toda espécie; mas, acima de tudo, a exaltação e o culto às palavras em liberdade. Em liberdade, frise-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Oswald de Andrade, agora em termos estéticos, é um dos escritos de maior alcance acerca dessa necessidade de transformação, de atualização do nosso pensamento intelectual e artístico, intitulado &lt;em&gt;Em prol de uma pintura nacional&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;em&lt;em&gt; &lt;/em&gt;que recomenda aos nossos artistas tirar "dos recursos imensos do país, dos tesouros de cor, de luz, de bastidores que circundam, a arte nossa que afirme, ao lado do nosso intenso trabalho material de construção de cidades, de desbravamento de terras, uma manifestação superior de nacionalidade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 90 anos da Semana de Arte Moderna, de São Paulo, deveriam assinalar um novo passo em termos de revisão do que representou e continuará representando para o país. Não pelas excentricidades a que deu espaço, pelo colorido com que lhe têm estampado os bons seriados e especiais da tevê Globo, mas pela força seminal do seu ideário transformador, pela guerra contra os nossos vícios e nossas práticas reacionárias, política e esteticamente falando. O Brasil que pensa não pode continuar em dívida com a Semana de Arte Moderna e com aqueles que a fizeram, na contramão de tantos interesses dominantes à época. Muitos dos quais inconfessáveis, cumpre destacar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-358979659034188674?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/358979659034188674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/02/o-verdadeiro-sentido-da-semana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/358979659034188674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/358979659034188674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/02/o-verdadeiro-sentido-da-semana.html' title='A Semana de Arte Moderna'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-3980501311826482677</id><published>2012-02-09T16:35:00.003-03:00</published><updated>2012-02-09T20:30:04.766-03:00</updated><title type='text'>A separação</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Entre os muitos e-mails da semana, gostaria de registrar três ou quatro de leitores antigos e novos: Hilton Holanda, com a pertinência e lucidez de sempre, alude à coluna sobre cenas de filmes e diz qual aquela de sua predileção. Braz de Almeida, poeta e cantor, critica o fato de vir escrevendo muito sobre cinema em detrimento de outros temas, relacionamentos, por exemplo, do qual diz ter me tornado "um especialista". Marquezam, direto da cidade paulista de Diadema, diz ter encontrado ao acaso o meu blog no google e que se tornou, desde então, 'admirador confesso' (&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;) do seu conteúdo. E o talentoso arquiteto e contista Brenand Ferreira pergunta se vi &lt;em&gt;Agonia e Êxtase.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A curiosidade de Brennand prende-se ao fato de, na última crônica, ter este escriba discorrido sobre a biografia de Michelangelo Buonarroti, de Giorgio Vasari. Faz alusão ao filme do cineasta inglês Carol Reed, com Charlton Heston e Rex Harrison (brilhantes!), nos papeis de Michelangelo e Julio II, respectivamente. O filme, como observa o arquiteto iguatuense, é uma obra-prima, com uma fotografia maravilhosa e uma trilha musical de derrubar, literalmente. Revi-o, curiosamente, há poucos dias, durante uma aula de iniciação à estética. Não é muito lembrar, caro Brennand, que o roteiro foi escrito a partir do romance homônimo, de Irving Stone, abertamente fundamentado na biografia de Vasari. Disponível em qualquer boa locadora. Recomendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por falar em cinema (&lt;em&gt;risos&lt;/em&gt;), entre os candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro está o belíssimo &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Separação&lt;/em&gt;, de Asghar Farhadi. Quem não viu, ainda, que o faça, pois se trata de uma obra sublime sobre o velho tema da separação, como está explícito no próprio título dessa joia rara do cinema iraniano. Vi-o muito antes de chegar aos cinemas da cidade, pelas mãos do 'garimpeiro' Cesar Lincoln, que me presenteou com o DVD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo, tecido com a maestria já conhecida de outros cineastas orientais, bem na linha de Abbas Kiarostami, explora o drama da separação sem a pieguice com que os americanos, por exemplo, costumam fazer, embora o filme tenha passagens comoventes, dessas em que se torna quase impossível conter o pranto. Simin (Leila Hatami) decide deixar o país com a filha Termeh (Sarina Farhadi), mas, para realizar o projeto, precisa ter a autorização de Nader (Payman Moadi), pai da menina. A situação, que teria desdobramentos já muito conhecidos, tem um elemento agravante: o pai de Nader sofre de Alzheimer avançado e precisa dos seus cuidados. Entra em pauta de discussão um dos problemas emergentes dos tempos atuais: como dividir-se entre as atribuições de marido e as de um filho aos olhos de quem a morte se anuncia de forma tão dramática?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no vulgarizado chavão, no entanto, nada é tão ruim que não possa piorar. Nader, assolado pelo trabalho e sem poder contar com a mulher, contrata uma empregada para cuidar do pai. Esta, que aceita o trabalho para ajudar o marido, mergulhado em dívidas, logo dá a ver a sua incapacidade para a árdua tarefa: Nader encontra o pai caído, sozinho. Ao deparar com a empregada, empurra-a, ferindo-a com gravidade. É aí que um novo componente dramático vem à tona: o marido, muçulmano, só então descobre que a mulher estivera trabalhando para um homem separado, o que é inadmissível sob o ponto de vista do machismo oriental. O filme, com se vê, é muito mais que uma obra de arte sobre a separação de um casal. Ele explora com verticalidade o que vem a reboque da simples decisão de recomeçar a vida sem o outro -- e expõe, com clareza, as fraturas que muitas vezes podem resultar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-3980501311826482677?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/3980501311826482677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/02/separacao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3980501311826482677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3980501311826482677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/02/separacao.html' title='A separação'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-4824742179163258290</id><published>2012-02-02T15:04:00.001-03:00</published><updated>2012-02-02T15:04:39.782-03:00</updated><title type='text'>A vida de Michelângelo Buonarroti</title><content type='html'>&lt;div dir='ltr'&gt; Amiga, que assina prestigiada coluna de jornal da cidade, telefona-me pedindo o título do livro que estou lendo e um breve comentário sobre o mesmo. Quando lhe digo que se trata de uma biografia de Michelângelo Buonarroti, publicada&amp;nbsp;pela primeira vez em 1550, estranha e pede que lhe repita o nome. O livro, de Giorgio Vasari, só agora foi integralmente traduzido para o português e se trata do mais antigo e mais respeitado estudo sobre vida e obra do genial artista do Renascimento italiano. Está, quentinho, nas livrarias, sob a chancela da Editora Unicamp, com tradução, introdução e comentários de Luiz Marques, curador-chefe do MASP e professor de história da arte do Departamento de História da Universidade de Campinas.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Pelo que pude concluir do estranhamento da jornalista (compreensível para a proposta da sua lidíssima coluna)&amp;nbsp;o livro foi considerado muito "especializado" para figurar numa coluna social como indicação de leitura, num espaço onde, não raro, aparecem publicações de auto-ajuda ou romances&amp;nbsp;de escritor da moda&amp;nbsp;que me recuso a indicar para quem quer que seja, sem medo de parecer arrogante ou ferir princípios do politicamente correto. Até porque o livro de Vasari, que é o precursor da História da Arte, pode ser lido por qualquer pessoa e nem por isso vai deixar de ser prazeroso e bastante interessante.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Que Michelângelo é um dos expoentes da escultura da Renascença&amp;nbsp;&amp;nbsp; --&amp;nbsp; e o pintor do maior e mais importante conjunto pictórico do mundo (estou falando dos afrescos do teto e parede de fundo&amp;nbsp;da Capela Sistina, no Vaticano), acho que é fato já muito conhecido. O que talvez só os amantes da Arte saibam, todavia, é que, ao lado do artista extraordinário, Michelângelo Buonarroti foi também&amp;nbsp;um homem especial, de uma inteligência singular e um temperamento intenso e explosivo, que marcaram dialeticamente a sua passagem pela vida artística de Florença, Bolonha e, sobretudo, Roma, onde fixou residência durante boa parte do pontificado de Júlio II, de quem foi amigo próximo.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Repleto de fatos curiosos, que prendem o leitor da primeira à última página, &lt;EM&gt;A vida de Michelângelo Buonarroti &lt;/EM&gt;está dividido em capítulos minúsculos,&amp;nbsp;exceto um e outro em que Vasari dedica-se a discorrer com mais minúcias acerca de ocorrências curiosas, ou quando volta a sua atenção para&amp;nbsp;obras mais expressivas do gênio de Arezzo, como é o caso das pinturas do teto da&amp;nbsp;capela construída pelo papa Sisto&amp;nbsp;IV, tio de Júlio II, para quem Michelângelo, contra a sua vontade pessoal, realizou a obra monumental. Ou&amp;nbsp;a escultura de&amp;nbsp;Moisés, a quem, de tão perfeita, ao concluí-la, num ato falho, o artista&amp;nbsp;ordenara: - "Agora, fala!"&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Conta em favor da biografia escrita por Giorgio Vasari (um pintor e arquiteto de talento mediano), para além das qualidades de estilo e profundidade,&amp;nbsp;o fato de ter sido ele amigo pessoal de Michelângelo, a quem teria submetido o texto orginal do livro e de quem guardou até a morte as muitas cartas que lhe foram endereçadas pelo fenômeno da escola de Florença. Numa delas, reportando-se à inveja suscitada em outros artistas ligados a Júlio II, faz alusão a Rafael, outro gigante do Renascimento italiano: - "Todas as discórdias que nasceram entre o papa Júlio e mim derivam da inveja de&amp;nbsp;Bramante e Raffaelo da Urbino."&amp;nbsp;Excelente leitura para todos aqueles que&amp;nbsp;gostam da Arte, o livro de Vasari é obrigatório para quem lida intelectualmente com ela. Se a indicação vai ou não ser publicada&amp;nbsp;pela amiga colunista (pessoa que admiro muito!) são outros quinhentos, mas a indicação está feita.&amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-4824742179163258290?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/4824742179163258290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/02/vida-de-michelangelo-buonarroti.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4824742179163258290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4824742179163258290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/02/vida-de-michelangelo-buonarroti.html' title='A vida de Michelângelo Buonarroti'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1300916461180916425</id><published>2012-01-30T09:42:00.002-03:00</published><updated>2012-01-30T10:11:43.955-03:00</updated><title type='text'>A lição de Sócrates</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Consta que o filósofo Sócrates, enquanto lhe preparavam a cicuta, dedicou-se a aprender uma ária com a flauta. "Para que lhe servirá?", perguntaram-lhe. "Para aprender esta ária antes de morrer!" Conversava isso com amigos, cinéfilos como eu, a propósito de um deles me ter afirmado que lamentava não ter lido mais, não ter assistido a mais filmes, agora que chegara aos 50 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um de nós cita a cena de cinema de que mais gosta, com a qual se emociona mais. Falo-lhes que tenho, através deste espaço, incentivado os meus leitores a ver grandes filmes, com bons resultados, a concluir pelos e-mails que recebo a cada semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que 'a minha cena predileta' de cada um muda de uma conversa para outra, ao sabor das lembranças que nos vão ocorrendo sempre que o assunto assoma. Um me fala da cena de &lt;em&gt;Minhas amada imortal&lt;/em&gt; em que Gare Oldman, interpretando Beethoven, toca &lt;em&gt;Sonada ao luar&lt;/em&gt; com o ouvido encostado à madeira do piano, já surdo. É de fato linda, uma cena que nos emociona e entusiasma. Aliás, escrevi sobre essa passagem do filme de Bernard Rose há algum tempo, não lembro se numa coluna do jornal A Praça ou num livro de memórias culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na versão mais antiga do filme, &lt;em&gt;Um grande amor de Beethoven&lt;/em&gt;, 1936, realizada por Abel Gance, a mesma cena é mostrada de outra forma, no momento em que o compositor vienense ouve Juliette Guicciardi, o grande amor de sua vida, declarar-se perdidamente apaixonada por outro homem. É o momento mais bonito e mais doloroso do filme, com uma atuação soberba de Harry Baur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada se compara à sequência em que Beethoven perde a audição: a câmera mostra em cenas mudas pássaros, violinos e sinos, num efeito cinematográfico que transfere para o espectador a surdez do compositor. Abel Gance era um perfecionista. No seu filme mais conhecido, &lt;em&gt;Napoleão&lt;/em&gt;, 1927, o diretor chegou a amarrar uma câmera portátil no dorso de um cavalo, a fim de obter uma imagem ilusionista de uma cena de combate. Montagem rápida, câmera subjetiva, uso de espelhos a fim de criar efeitos distorcidos, são muitos dos recursos do diretor francês que ainda hoje impressionam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o advento do DVD, na esteira do que já se tornara possível com o videocassete, os amantes do cinema têm podido ver ou rever os 'filmes de minha vida', com a vantagem de voltar, congelar imagens, localizar passagens durante o desfile do filme, enfim, deliciar-se com o que existe de melhor na história da sétima arte. E o mercado, sempre mais, vem tornando acessível ao grande público verdadeiras pérolas do cinema, a exemplo do filme de Gance a que me refiro aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que os jovens cinéfilos, os novos leitores da boa literatura, os admiradores da música e de outras linguagens estéticas, advertidos pela angústia do amigo a que me referi há pouco, aproveitem bem a oportunidade de usufruir das facilidades de hoje. Que vejam mais filmes, leiam mais livros... ainda que, vez e outra, venham a ser surpreendidos pelo pragmatismo das perguntas tolas: "Para que lhe servirá?" Está em Sócrates: "Para aprender coisas novas, antes de morrer!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1300916461180916425?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1300916461180916425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/licao-de-socrates.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1300916461180916425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1300916461180916425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/licao-de-socrates.html' title='A lição de Sócrates'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-2221398273974654217</id><published>2012-01-26T15:16:00.003-03:00</published><updated>2012-01-27T15:33:43.188-03:00</updated><title type='text'>Aos leitores, em resposta</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Sobre a coluna de sábado, é significativo o número de e-mails com comentários em torno do tema da solidão. Mas um telefonema, sobremaneira, vindo de uma leitora conhecida, chamou-me a atenção. Elogia a perspectiva através da qual abordei o assunto, mas assume, enfaticamente, não saber lidar com o problema desde a separação do marido, há coisa de pouco mais de dois anos: - "Para mim, tem sido um inferno! Não sei estar sozinha e acho improvável que alguém possa ser feliz assim." Reportava-se ao fato de que, no texto, afirmávamos ser possível tratar com a solidão de forma criativa, saudável e produtiva sob muitos aspectos. Existenciais, sobretudo, aproveitando a fase do 'sem-ninguém' para ler bons livros, assistir a bons filmes e escrever, entre outras alternativas indicadas para o solteiro bem-resolvido. O ócio, inclusive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se trata de uma pessoa de excelente nível intelectual, boa argumentadora e exemplarmente descontraída, deixamos a conversa fluir por um tempo considerável, até que o adiantado da hora e o sono nos cobrassem beijinhos de despedida. Desliguei o telefone e me ocorreram, como que num passe de mágica, as palavras de Thelma Ritter para Doris Day em &lt;em&gt;Confidências à meia-noite&lt;/em&gt;, a interessante comédia de Michael Gordon. Lembrei detalhes porque revira o filme havia poucos dias. A uma dada altura, Thelma Ritter, dirigindo-se a Doris Day, afirma: - "Só há alguma coisa pior do que uma mulher vivendo sozinha: é uma mulher dizendo que gosta disso." Risos à parte, pus-me a pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não concordo muito com a afirmação, embora o telefonema da leitora coubesse como luva para o que diz a personagem de Ritter, nesse clássico de 1959, sobre a solidão feminina. Sempre achei que as mulheres via de regra sabem lidar melhor com o problema, se é que estar sozinha por uns tempos constitui mesmo algum problema para uma pessoa como a referida leitora, a quem sobram beleza, desenvoltura e inteligência, atributos pelos quais foi sempre uma mulher muitíssimo admirada. E continuará sendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sobre solidão, dessa vez no blog, ficou registrado o elogio: - "[...] Parece que seus textos são escritos para quem os lê. &lt;em&gt;(sic)&lt;/em&gt; Faço sempre uma reflexão profunda e me vejo espelhada em suas palavras. Palavras muito tocantes, profundas, que chegam a doer..." Pura elegância, pura generosidade... Está feito o registro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acerca da coluna anterior, leitor cinéfilo reclama: - "Você falou sobre a saudade na literatura e na música popular, mas esqueceu o cinema." É verdade, 'parceiro', não houve espaço para citar uma cena de filme que explorasse o tema, a exemplo do que fiz com livros e letras de música. Nem haverá hoje. Fica a provocação, num excerto de &lt;em&gt;Casablanca&lt;/em&gt;. A cena final da película, de que cito de memória o diálogo de despedida, quando Humphrey Bogart, por uma causa mais nobre, renuncia ao seu amor pela personagem de Ingrid Bergman, guardando do mesmo as boas lembranças: - "E nós?", ao que ele responde: - "Nós sempre teremos Paris."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-2221398273974654217?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/2221398273974654217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/aos-leitores-em-resposta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2221398273974654217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2221398273974654217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/aos-leitores-em-resposta.html' title='Aos leitores, em resposta'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5625660625221161730</id><published>2012-01-19T18:46:00.004-03:00</published><updated>2012-01-19T20:03:06.229-03:00</updated><title type='text'>Solidão, BBB e Luisa no Canadá</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Há uma fala de Robert de Niro, no filme &lt;em&gt;Taxi Driver&lt;/em&gt;, o clássico de Martin Scorsese, de que nunca me esqueci: - "A solidão tem me acompanhado a vida toda, em todos os lugares. Nos bares, nos carros, nas calçadas, lojas, em todos os lugares. Não há saída: eu sou o homem solitário de Deus." A frase, dita nas circunstâncias da cena, pela boca de um homem atormentado pelas lembranças de uma guerra, claro, tem ainda mais força, mais dramaticidade. No entanto, acho que todos nós, cedo ou tarde, uma vez que seja, vivemos um momento assim, e sabemos o que isso quer dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O milagre está em saber conviver com isso, em aproveitar esse tempo para rever algumas coisas do nosso mundo interior, e buscar na experiência muitas vezes dolorosa da solidão, sentido para a nossa vida. Agora, por exemplo, pelo menos no que diz respeito à vida amorosa, tenho, por opção, dado um tempo para mim, para me curtir mais um pouco, junto dos meus livros, meus discos, meus filmes ou, o que é maravilhoso, para o ócio momentâneo de que todos nós precisamos um dia... e que nos faz muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal está em que poucas vezes somos capazes de trabalhar a solidão com a sabedoria necessária, e fugimos dela como desesperados (ou desesperançados da felicidade que não seja ao lado de alguém), não raro como faz no vigoroso filme de Scorsese a personagem Travis Bickle. O filme, aliás, é antes de tudo uma obra sobre a busca incansável do outro, essa tentativa de encontrar em alguém a parte perdida de nós mesmos, que é, em essência, o que existe de dramático na solidão com que não sabemos lidar em momentos cruciais de nossas vidas. Por isso, estou certo, é um filme tão atual, mesmo decorrido tanto tempo desde que foi rodado, por volta de 1975, 76.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses o revi, pela terceira ou quarta vez, não me lembro, e fiquei novamente tão seduzido pela densidade do seu roteiro e pela beleza de linguagem com que Scorsese soube à perfeição narrar a história de Travis, esse heroi tão moderno, tão representativo desses tempos em que se relacionar com o outro parece tão complicado para a grande parte das pessoas. Numa cena inesquecível do filme, diante do espelho, Travis, como que num tipo de ato falho, dirige-se à sua imagem e indaga: - "Você está falando com quem?" Para responder em seguida, angustiado: - "Bem, eu sou o único aqui!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num ensaio sobre &lt;em&gt;Taxi Driver&lt;/em&gt;, Roger Ebert, o renomado crítico de cinema americano, faz sobre o filme de Martin Scorsese uma ponderação bastante consistente, quando afirma que 'a mensagem subjacente [...] é que um homem alienado é incapaz de estabelecer relacionamentos normais e termina se transformando num solitário.' Num mundo em que os valores estão de tal forma revirados, em que BBBs e tantas inacreditáveis tolices ocupam espaços preciosos de nossa televisão, a exemplo do "... Menos, Luisa, porque está no Canadá!", tenho medo, muito medo de que estejamos caminhando para um mundo da mais perversa solidão: aquela que é resultado da nossa alienação, da nossa perturbação intelectual e da nossa vulgaridade interior. Que pena! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5625660625221161730?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5625660625221161730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/solidao-bbb-e-luisa-no-canada.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5625660625221161730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5625660625221161730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/solidao-bbb-e-luisa-no-canada.html' title='Solidão, BBB e Luisa no Canadá'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-362128716499410217</id><published>2012-01-12T07:47:00.005-03:00</published><updated>2012-01-12T12:05:24.472-03:00</updated><title type='text'>O abismo entre autor e obra</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Li com entusiasmo o livro &lt;em&gt;O vento do mar&lt;/em&gt;, do poeta e prosador Lêdo Ivo. Lançado há dois anos, só agora chega em nova edição às livrarias da cidade. Extremamente bem cuidado do ponto de vista editorial, o livro reúne textos críticos e memorialísticos, constituindo em seu conjunto um tipo de autobiografia bastante envolvente. Assim, entra-se em contato com a história pessoal e intelectual de um dos maiores vultos das letras nacionais -- e principal poeta da chamada Geração de 45, em que figuram personalidades importantes da grande literatura brasileira, como Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Ferreira Gullar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostoso, pela leveza do texto e pelo tom poético que é mesmo uma marca da escritura de Lêdo Ivo, &lt;em&gt;O vento do mar&lt;/em&gt; traz belíssimos ensaios sobre alguns dos principais escritores brasileiros, modernistas todos, com quem o autor privou de amizade estreita e com os quais conviveu em diferentes lugares, de Maceió, onde nasceu, ao Rio de Janeiro e a outras cidades mundo afora. Mas são os textos sobre Clarice Lispector, Rachel de Queiroz e Gracialiano Ramos que constituem o que há de mais interessante no livro. Sobre o autor de &lt;em&gt;Vidas Secas&lt;/em&gt;, alagoano como Ivo, passa-se a conhecer um lado pouquíssimo conhecido de sua personalidade: o homem profundamente reacionário, política e esteticamente falando, rancoroso, ácido em suas críticas pessoais e incapaz de perdoar. Além de vaidoso e afeito a bajulações, desde que fosse ele o alvo da atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio isso e ponho-me a pensar: não se pode mesmo misturar o autor e sua obra. Tem sido assim desde tempos remotos. Leonardo da Vinci, o maior gênio da Arte em todos os tempos, era um vaidoso doentio, incapaz, por exemplo, de suportar que outros gênios pudessem brilhar. Michelângelo foi alvo de sua perseguição, como está em qualquer bom manual de história da arte; Picasso arrancava os cabelos (que não tinha!) diante do sucesso de alguns pintores contemporâneos, a exemplo do que ocorreu a Modigliani. O mesmo que, por sua vez, levou ao desespero, que culminaria com o suicídio, grávida, a mulher Jeanne Hébuternne. Tal qual faria Picasso com as mulheres com as quais viveu. Tolstói, o incomparável romancista de &lt;em&gt;Anna Karenina&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Guerra e Paz,&lt;/em&gt; era também um marido autoritário e castrador. E por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro de Lêdo Ivo, uma declaração atribuída a Gracialiano Ramos, a mim, que sou um admirador confesso de sua literatura de altíssimo nível estético, causou espécie: - "Para que liberdade de imprensa e de pensamento? Para o povo se envenenar com esses livros chinfrins, cheios de imoralidade e de erros de gramática?" Contradições à parte, vindas tais afirmações de um comunista, existem no livro revelações ainda mais graves, como uma em que Ivo insinua a prática de tortura ou coisas piores contra os moradores de rua de Palmeiras dos Índios, à época em que Graciliano Ramos foi prefeito da cidade. Inacreditável, sobremaneira em se tratando de um artista que nos legou uma obra imorredoura e profundamente humana. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-362128716499410217?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/362128716499410217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/o-abismo-entre-autor-e-obra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/362128716499410217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/362128716499410217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/o-abismo-entre-autor-e-obra.html' title='O abismo entre autor e obra'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1630458934015090095</id><published>2012-01-05T15:13:00.006-03:00</published><updated>2012-01-06T07:32:23.823-03:00</updated><title type='text'>Saudade entre aspas</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Outro dia, uma amiga me enviou um texto em que aparece uma bela definição de saudade, este sentimento sobre o qual tenho escrito tantas vezes no blog: "Saudade é o amor que fica!" Li-a, e me entreguei a uma divagação gostosa (e um tanto triste, é verdade!) sobre pessoas que passaram em minha vida e que, às vezes na contramão do que seria mais lógico, continuam vivas no coração, apesar do tempo e da distância. Só então pude ver que é mesmo assim: Saudade é o amor que fica!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma a uma, foram voltando à mente algumas outras definições, na literatura, na música, no cinema. Proust, o escritor francês de &lt;em&gt;Em busca do tempo perdido&lt;/em&gt;, um livro que marcou minha vida, levanta sobre a saudade uma questão desconcertante: "Para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças?" Para Bob Marley, "Saudade é um sentimento que, quando não cabe mais no coração, escorre pelos olhos." Em &lt;em&gt;Asa Partida&lt;/em&gt;, a mais bela, a mais comovente de suas músicas, Raimundo Fagner desabafa: "E continua o teu sorriso no meu peito, esta saudade, o cigarrro, a luz acesa. E esta noite posta sobre a mesa." Diz isto antes de concluir: "Eu não queria a vida desse jeito, meu olho armando o bote sem futuro!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Que dizer da afirmação certeira de Charles Baudelaire?: "Aos olhos da saudade, como o mundo é pequeno!" Ou uma outra, atribuída a Pablo Neruda: "Saudade é amar um passado que ainda não passou; é recusar um presente que nos machuca; é não ver o futuro que nos convida." O educador Rubem Alves, nos clarifica que "A saudade é nossa alma dizendo para onde ela quer voltar." Ocorre-me lembrar dos versos, não do seu autor: "Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor não foi embora, mas a pessoa amada sim." E Cecília, "Quando penso em você, encho os olhos de saudade." De Martha Medeiros, a adorável cronista gaúcha, vem a sábia reflexão: "Saudade a gente tem é dos pedaços de 'nós' que ficaram pelo caminho."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Há, contudo, sobre a saudade, versos mais 'valentes', como o de Ana Carolina, na letra de uma canção: "Eu não te procurei para que a saudade fortalecesse o nosso amor!" Mais frios, como em Pessoa: "O mundo é dos que não sentem..." Mais ternos, como em Quintana: "Se me esqueceres, esquece-me bem devagarinho." Impassíveis, como em La Fontaine: "A ausência tanto é um remédio contra o ódio, como um veneno contra o amor!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na poesia memorialística de Drummond deparamos com o verso antológico: "Itabira é apenas um retrato na parede. Mas como dói!" Nos meus tempos de menino, ouvia minha mãe cantar: "Saudade, torrente de paixão. Emoção diferente, que aniquila a vida da gente... Uma dor que não sei de onde vem." Minha mãe tinha uma veia poética e escrevia cartas lindíssimas. Certa vez, estando eu distante, que quase criança já corria as estradas do mundo, disse-me numa delas: "Filho, toda noite, pelas oito horas, olha para a lua, se lua houver. Através dela, meus olhos haverão de encontrar os teus!" Lembro disso e o peito se abre ao meio. Isto o que a saudade é!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1630458934015090095?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1630458934015090095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/meus-olhos-encontrarao-os-teus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1630458934015090095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1630458934015090095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2012/01/meus-olhos-encontrarao-os-teus.html' title='Saudade entre aspas'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5980072161980146041</id><published>2011-12-26T19:55:00.009-03:00</published><updated>2011-12-28T08:47:16.794-03:00</updated><title type='text'>Antes de mergulhar</title><content type='html'>&lt;p dir="ltr" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Toda noite eu arrancava meu coração. Mas de manhã ele tornava a crescer. (O Paciente Inglês)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p dir="ltr" align="justify"&gt;Como ocorre a todo cronista, sento-me diante do computador e paro um instante à procura de um tema para a coluna deste sábado. Um tanto surpreso, lembro que estamos a poucas horas do novo ano e, como sempre, há no ar uma esperança de que as coisas possam se transformar por completo a partir de agora. Por isso, é natural que a gente faça tantos planos: voltar a ter o peso ideal; economizar uns trocados; fazer a viagem dos sonhos; parar de fumar; ir a São Paulo rever a amiga, o amigo, que há tempo não vemos; o Carnaval em Salvador; ser mais tolerante, mais cavalheiro, mais humano; escrever um novo livro, ou o primeiro, se for o caso; diminuir o uísque, o rum com coca, trocar a cerveja pelo vinho; conhecer o homem, a mulher dos sonhos. E por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no entanto, mal começam a se passar os dias, e a vida volta a ser a mesma: "Como renunciar a esta picanha!", você diz no churrasco de aniversário do seu melhor amigo; "Um cigarrinho, apenas, não me há de matar!"; e, assim, você vai materializando a contradição, adiando os planos. "Ah, falei com a Roberta ontem, o Chris que venha me ver, afinal, o avião que leva, traz..."; e você foi a Recife, em vez de Salvador; trocou ofensas, no trânsito...; sua estreia como poeta, contista, pode ficar para o próximo ano; como pensar o happy hour sem três ou quatro saideiras?, os cartões do chope já chegando aos céus. E no amor, ela é linda, educada, sincera, mas tem um temperamento...; ele é companheiro, gentil, "imagina, me abre a porta do carro, puxa a cadeira no restaurante, em casa... Um cavalheiro, é romântico, mas tem um ciúme..." E você a deixa por tolice, que existem sete para cada homem. Rompe com ele, e vai tentar com o Maurício, se não der, que venha o Pedro, o João. Em dezembro, lá pela última semana, você está sozinho, sozinha, e diz para a melhor amiga: "No amor, não tenho tido sorte!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há segredos, é fato. Mas que tal pensar um pouco sobre como você tem tocado a vida? Não é preciso que comece o novo ano para organizar certas coisas, enquanto é tempo. Parar de fumar, sim, "agora, que quero respirar bem, dormir melhor, aproveitar o sabor dos alimentos." É tão fácil dizer "por favor", "obrigado", "é possível?", "perdão, o erro foi meu!"... Colocar-se um pouco no lugar do outro, no trânsito, na fila do banco, à porta do elevador; em casa, com quem lhe faz a comida, lhe passa a roupa, cuida do seu jardim. Alteridade, está no dicionário, é qualidade do que é outro, diferente, que se distingue. "A Marina tem esse defeito, mas, que vale isso, se é amorosa, solidária, se faz um amor gostoso, se me respeita, valoriza, me faz crescer como homem, quando tropeço?" "O ciúme do Lucas é um defeito dele com que aprendi a lidar... Mas como é íntegro, companheiro, que coração possui, quanta honestidade no que diz, no que pensa..." O amor dos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça diferente no próximo ano, que ele está chegando. Que tal agradecer-Lhe mais, e Lhe pedir menos? Uma missa, de vez em quando, por que não? Relaxe, morra de rir. Ouça mais, fale menos, abra seu coração. Valorize as pequenas coisas, exercite a delicadeza, chore, se sentir vontade; estenda a mão mais vezes, abrace mais, emocione-se nas despedidas... Cante com o Roberto, queira ter um milhão de amigos. 2011 está chegando ao fim, foi bom, não foi, poderia ter sido melhor? O coração doeu, teve que arrancá-lo noites a fio? Nada, não. É nova manhã! Tempo aberto para mudanças -- e elas clamam urgência, têm pressa. "A vida não é mais que o ato de ficar parado no ar, antes de mergulhar", diz uma velha canção. Pense nisso, já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Ano-Novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5980072161980146041?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5980072161980146041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/12/antes-de-mergulhar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5980072161980146041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5980072161980146041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/12/antes-de-mergulhar.html' title='Antes de mergulhar'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-602280487057396355</id><published>2011-12-19T20:04:00.003-03:00</published><updated>2011-12-19T20:11:41.067-03:00</updated><title type='text'>Natal na Rua do Fogo</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Dona Lili, desde que o marido morrera, havia muitos anos, vivia na mais desumana solidão. Dedicava-se, mal raiava o dia, a costurar na velha Singer, comprada nas casas Pernambucanas em módicas prestações. A rotina de sempre: receber clientes -- cada vez mais raros nesses tempos de butique --, fazer a entrega das encomendas, comprar botão, fecho éclair, tubo de linha, agulhas, alfinetes: - "Se Deus quiser pago tudo depois das festas, Fernando", dizia esperançosa ao dono do armarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias, à luz dos primeiros raios de sol, dona Lili arrumava a casa, o quintal, e, zelosa, ia ao velho guarda-roupa de jacarandá organizar as gavetas do finado, o dourado da abotoadura esfregado ao vestido, para conservar o brilho. O desvelo de uma apaixonada, nem parecia que já se contavam 27 anos de viuvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo, passados os quatro ou cinco anos, as freguesas diziam que dona Lili haveria de casar de novo, "quarentona muito da bem apanhada!", brincavam. Mas o tempo, amigo das surpresas, não fazia surpresa para dona Lili. A vida vidinha ia passando e, com ela, a juventude da velha costureira, o verde dos olhos ainda capaz de chamar a atenção... Nem filhos tivera, e Raimunda, a empregada vinda das bandas do Quixelô, que fora a companhia de dona Lili por muitos anos, voltara para os confins, desde que a catarata roubara-lhe dos olhos os derradeiros fiapos de luz. Mas dona Lili nunca maldizia a vida, "até que Deus me leve para os braços de Murilo", que Murilo era como se chamava o marido de dona Lili.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia após dia, a rotina era a mesma no velho casarão: varrer, lavar, passar, fazer a comida e, no sem-fim daquela solidão, arrumar o guarda-roupa de Murilo, o dourado da abotoadura arrastado contra o vestido de organdi para retomar o brilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, véspera do Natal, à tardinha, banho tomado, a travessa de tartaruga segurando o penteado simplório e o cheiro da alfazema a se espalhar no ar, dona Lili debruçou-se sobre o parapeito da janela para admirar o mundo: o movimento da rua, as barracas de guloseimas e bugigangas, de brinquedos baratos, fizeram-na lembrar que se comemorava o nascimento do Menino-Deus, dali a poucas horas. E que a vida, no eterno viravoltear das coisas, anunciava-se nova a partir daquela noite, porque era Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alforriando o olhar para o longe da rua, a boa senhora deixou-se transportar para os velhos tempos ao lado do marido, a missa do galo na Matriz, as voltas incontáveis sobre o calçadão da praça (o braço enlaçando a cintura de Murilo) e aquela sensação gostosa de que a vida era um milagre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansada, que por sorte foram muitas as encomendas do fim de ano, dona Lili fechou lentamente a janela, percorreu com cuidado, tateando o ar, o longo corredor e, como uma sombra, adentrou o quarto para dormir, não sem antes reorganizar as gavetas do marido, as gravatas, o pente, a navalha de barbear, a aliança -- "Ainda mando o joalheiro tirar os riscos!" --, o dourado da abotoadura arrastado no vestido para readquirir o brilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, ainda se podia ouvir o pipocar das bombas, dos fogos de artifício, o badalar dos sinos da Matriz... Antes de assoprar a vela bruxuleante sobre a mesa de cabeceira, como fazia havia 27 anos, beijou o retrato de Murilo, enquanto duas lágrimas, serenamente, rolaram sobre as maçãs do rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, a custo, conseguiu-se entrar no velho casarão, onde acharam dona Lili sem vida, em decúbido dorsal, o par de abotoaduras preso a uma das mãos. Ao enterro, compareceram dezoito pessoas, onze homens, seis mulheres e um menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que do interior da velha casa, à meia-noite, por muitos anos ouviu-se o barulho da velha máquina de costurar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-602280487057396355?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/602280487057396355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/12/natal-da-rua-do-fogo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/602280487057396355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/602280487057396355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/12/natal-da-rua-do-fogo.html' title='Natal na Rua do Fogo'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6428726897416242610</id><published>2011-12-13T09:34:00.004-03:00</published><updated>2011-12-13T10:19:01.784-03:00</updated><title type='text'>O amor do futuro</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;A &lt;em&gt;Revista da Cultura&lt;/em&gt; traz, em sua edição de dezembro, um curioso artigo da psicanalista Regina Navarro. Para ela, está com os dias contatos o relacionamento 'fiel', fundamentado no que considera a fantasia de que, para ser feliz, só pode existir 'uma pessoa certa' com quem nos relacionar. A tese, sobre a qual escrevi há algum tempo neste espaço, reedita o que Navarro defende no &lt;em&gt;best seller A cama na varanda. &lt;/em&gt;Até aí, nada de novo, não se leve em conta o fato de que, com distribuição gratuita, a revista tende a atingir um público maior e, em princípio, mais susceptível de se deixar influenciar. Ou não, como diria Caetano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que chama a atenção agora, é o fato de que, cada vez mais, a psicanalista tem baseado a sua teoria em dados obtidos em seu consultório, uma espécie de muro das lamentações classe A, para o qual se dirige todos os dias um contingente feminino de elevado status social e, supostamente, de maior escolaridade. Nesse sentido é que Navarro cita, já no início do artigo, um caso em que está envolvida uma professora de 33 anos. Sil, como é referida no texto, depois de um tempo curtindo a vida de solteira, descobre-se apaixonada por Mário, com quem passa a dividir uma experiência amorosa absolutamente feliz. Até que um dia, sem que existam motivos aparentes, a admiração e o desejo pelo namorado vão diminuindo e ela passa a achar a relação desinteressante: - "De uns tempos para cá, tenho me decepcionado com o Mário. Chego a achar que ele não é essa maravilha que eu imaginava." A agonia do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A razão (ou razões) por que isso ocorre, sabemos: quando nos apaixonamos, invariavelmente construimos uma relação idealizada, e o objeto do nosso desejo é fruto de uma utopia, de uma cegueira momentânea em face das limitações e imperfeições do outro, fenômeno absolutamente natural, soubéssemos, ao contrário do que quase sempre ocorre, lidar com esse sentimento fugaz -- que é a paixão -- com o equilíbrio necessário quando do nosso retorno à realidade. Se nos falta esse tino, essa aceitação da realidade humana, com suas imperfeições e suas contradições mais íntimas, o insucesso da relação é inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Navarro, no que considero o ponto alto de sua teoria, "o amor é uma construção social e em cada período da história se apresentou de uma forma." Se é procedente a sua afirmação, e é, num tempo em que a individualidade é cultuada como um bem inalienável, a tendência lógica é que homens e mulheres se atirem em busca de novas descobertas. E não foi sempre assim?, haverá de questionar o leitor. Sim, essa busca é inerente ao homem de todos os tempos. A diferença, diz a pesquisadora, é que, desta vez, ela se dá para dentro de si mesmo. Ou seja, no caso, já não precisamos do outro para ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte do amor romântico, como está anunciada no artigo de Regina Navarro, abre espaço para o amor do futuro, "com a possibilidade de amar e de nos relacionar sexualmente com mais de uma pessoa ao mesmo tempo." Em certa medida consistente, a teoria de Navarro peca, no entanto, por não considerar que, sendo uma construção social, como afirma, o amor traz dentro dele todas as contradições de qualquer construção social. Inclusive a fantasia de querer amar e ser amado com exclusividade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6428726897416242610?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6428726897416242610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/12/o-amor-do-futuro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6428726897416242610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6428726897416242610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/12/o-amor-do-futuro.html' title='O amor do futuro'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-334766437594178236</id><published>2011-12-06T07:33:00.003-03:00</published><updated>2011-12-06T07:51:27.574-03:00</updated><title type='text'>A separação em números</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;É fato: casa-se mais, separa-se mais, recasa-se mais. Nunca tive pruridos em relação a certas coisas que comumente ruborizam a maioria das pessoas. O fato de ter casado muitas vezes, por exemplo. No meu caso foram três, com três mulheres que um dia foram os meus amores e com as quais dividi casa, vivi momentos importantes, viajei muito, fiz projetos e realizei sonhos. E, claro, com as quais dividi a dor de toda separação. Foram relacionamentos felizes. Acabaram, o que não é o mesmo que dizer que não deram certo. Foram 10, 10 e 11 anos. Tempo bom, como se pode ver. É verdade que, nesse aspecto, estive sempre à frente do meu tempo e o primeiro deles, tinha eu 20 anos, não precisou de papeis passados para acontecer. Que diferença fez? Nunca fui &lt;em&gt;freelancer&lt;/em&gt; em matéria de amor. Sexo é outra coisa. Mas amar exige proximidade, convivência, roçar de pele na madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo sobre isso quando tenho em mãos alguns resultados do último censo do IBGE. 243.224 casais brasileiros se divorciaram no ano passado. Nada preocupante: são quase 500 mil brasileiros que tentaram ser felizes juntos, até que a convivência por algum motivo tenha se tornado insuportável. E, o que mais importa, que viram na separação legal a alternativa para tentarem reconstruir suas vidas e buscar de novo a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho dois filhos que me amam e que amam sua mãe e o seu atual marido, com quem mantenho uma relação de respeito, cordialidade e admiração recíprocos. Não raro, sentamos à mesa para pôr em dia o que é de interesse comum de nossas vidas: os filhos à frente. Casar não é renunciar à vida em favor de ninguém, o que muitas vezes constitui o segredo dos casamentos longevos. Nem a separação, por dolorosa que seja, é algo com que mesmo os filhos não possam lidar com naturalidade. É bastante que os pais saibam administrar esse momento difícil com serenidade e equilíbrio, o que muitas vezes significa saber chorar juntos. Há sempre mais que adeuses nas despedidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há separação sem dor. É natural que haja sofrimento, notadamente quando existem filhos pequenos. Assim como é natural que uma das partes saia machucada, que nem sempre é possível, nesse aspecto, que a separação se dê por vontade subjetiva dos dois. Quando isso acontece, tudo se torna mais fácil, desde a partilha dos bens até a educação dos filhos. No meu caso, isso jamais foi um problema. Nunca foi necessário marcar dia e hora para ver os pequenos ou território neutro para apanhá-los. Por isso, estou certo, nossos filhos puderam crescer bem, saudáveis e felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo que há entre os jovens um potencial romântico enorme, e que, por mais levianas que pareçam ser as relações, no tempo do "ficar", compram-se mais livros sobre relacionamentos e sobre o amor; veem-se mais filmes sobre casais, encontros, reencontros, perdas e recomeços. Sinto que ainda é possível alimentar o sonho de que o casamento seja para sempre. É preciso, no entanto, pensar mais sobre as renúncias e as concessões que esta decisão exige. Acho mesmo que existe no casamento alguma coisa sagrada, que deve ser alimentada no coração dos nossos filhos, mas que ele nunca seja visto como um tipo de condenação, uma morte em vida. Separar pode ser um ato de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-334766437594178236?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/334766437594178236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/12/separacao-em-numeros.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/334766437594178236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/334766437594178236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/12/separacao-em-numeros.html' title='A separação em números'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8221954012401205155</id><published>2011-11-29T08:44:00.002-03:00</published><updated>2011-11-30T21:59:22.814-03:00</updated><title type='text'>A qualquer tempo, eis a lição</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Durante o &lt;em&gt;happy hour&lt;/em&gt; da sexta-feira, depois de alguns uísques, amigo resolve desabafar a sua neura com a certeza de que a velhice vai chegar: - "Velhice é uma doença. Não me identifico mais na imagem do espelho. Estou me tornando uma outra pessoa!" É verdade que ninguém conseguiu conter o riso, mas, no discreto disfarçar de cada expressão, passado o hilário da coisa, pude perceber alguma medida de preocupação. Mínima que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ataquei de Cecília: "Eu não tinha este rosto de hoje, / assim calmo, assim triste, assim magro, / nem estes olhos tão vazios, nem este lábio amargo. / Eu não tinha estas mãos sem força, / tão paradas e frias e mortas; / eu não tinha este coração que nem se mostra. / Eu não dei por esta mudança, / tão simples, tão certa, tão fácil. / Em que espelho ficou perdida a minha face?" E a conversa me fez lembrar de tantas outras... dos tantos e-mails que me chegam de amigos, para alguns dos quais está ainda tão distante a indesejada das gentes, como no verso clássico de Bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre-me um diálogo do belo filme do argentino Marcos Carnevale: a filha visita o pai viúvo e depara com o velhinho preparando um banho com um entusiasmo que havia tempos não possuia. Os remédios, aos montes, atirados na lixeira. "Papai, o que é isso? Decidiu morrer?" E ele responde: - "Não. Decidi viver!" Alfredo, como se chama o bom velhinho, descobrira-se apaixonado aos 80 anos. Nada surpreendente, não fosse Elsa, o objeto de sua paixão, mais velha que ele, imprevisível e feliz do alto dos seus 83 anos, que (re)ensina a Fred a alegria de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena em que os dois fogem sem pagar a conta do jantar em um restaurante, é desconcertante de tão bonita e tão cheia de significados. Para não falar de um dos momentos altos da cinematografia nesses últimos anos, que é a sequência em que Fred torna possível a realização de um sonho antigo de Elsa: tomar banho à noite, na Fontana de Trevi, em Roma, numa citação da cena clássica de Anita Ekberg e Marcelo Mastroiani em &lt;em&gt;A doce vida&lt;/em&gt;, de Fellini. A cena dói de tão linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envelhecer é passar algumas páginas de nossas vidas... e complicamos tanto! Fazer amigos e preservar os que já temos; viajar, ler um bom livro, assistir a um filme de que nunca vamos esquecer; descobrir e redescobrir a beleza que está nos pequenos gestos, nas coisas simples, na capacidade de amar que devemos exercitar sempre... Acho que são tantos os caminhos para que não percamos a nossa identidade, para que continuemos nos reconhecendo na imagem do espelho... Elsa, a velhinha serilepe que nos faz chorar e rir às escancaras no filme de Carnevale, ajuda-nos a entender a vida e a tirar dela o que de melhor tiver para nos dar. A qualquer tempo, eis a lição!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8221954012401205155?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8221954012401205155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/qualquer-tempo-eis-licao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8221954012401205155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8221954012401205155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/qualquer-tempo-eis-licao.html' title='A qualquer tempo, eis a lição'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-4182433580834616976</id><published>2011-11-22T08:50:00.002-03:00</published><updated>2011-11-22T10:31:51.019-03:00</updated><title type='text'>Isto o que a Arte é</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;De bem longe, vem um comentário sobre a crônica do último sábado: - "Veja como são as interpretações. O seu texto não me fez pensar que você tivesse se tornado descrente quanto ao amor. Logo você...?" Li o e-mail e fiquei matutando sobre esta relação curiosa entre o &lt;em&gt;eu&lt;/em&gt; que está naquilo que escrevemos e o &lt;em&gt;eu&lt;/em&gt; biográfico, de resto um dos problemas mais comuns no complexo terreno da Estética. Pode o conhecimento da vida do artista desvendar os mistérios de sua arte? Pode a obra de um artista revelar a personalidade do seu autor? Escrever é sempre uma arte, mesmo quando se trata de uma crônica de jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A personalidade artística é uma, a personalidade do autor é outra. A importância da arte reside em ela provocar sentimentos que nem sempre coincidem com os setimentos de quem a produz, mesmo no instante de uma escritura, como ocorre a um cronista quando escreve o seu texto. A arte existe quando alguém é capaz de expressar, por meios formais exteriores, os sentimentos que experimentou direta ou indiretamente, e encontra caminhos estéticos pelos quais transmite esses sentimentos aos outros, contagiando-os com a mesma emoção que sentiu, sente ou que é capaz de imaginar o que seria sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das funções indispensáveis à arte, é que ela possibilite a comunicação entre aquele que a realiza e aquele que a recebe, pelos diferentes meios com que pode o artista se expressar. Por isso, lotamos os teatros, os museus, compramos romances e livros de poesia. Por isso, vamos ao cinema e confundimos, no espaço de uma, duas horas, a nossa vida com a vida dos personagens. Choramos, sentimos ódio, abrimos a alma e o coração diante daquela irrealidade como se tratasse da realidade intensificada. E essa comunicação é tanto maior e mais poderosa porque, através da arte, o artista é capaz de transmitir sentimentos, enquanto as palavras, em estado frio de dicionário, apenas podem transmitir pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra saudade, por exemplo, não tem um equivalente exato em outro idioma que não o português. Como dizer o que ela significa para quem desconhece o nosso idioma? Como levar um inglês, um francês, um alemão, a compreender o que representa este sentimento intraduzível comum a todos os homens de qualquer país? O poeta nos ensina: - "A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu." Ao que consta, Chico Buarque jamais experimentou a dor que é perder um filho, mas é capaz de "mentir" esta experiência com a genialidade do seu talento, a sensibilidade do poeta extraordinário que é. E com ele, sentimos a dimensão de uma dor que jamais sentimentos. Trocadilho à parte, é isto o que a arte é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, o verso antológico que citamos acima, no contexto do poema, não se refere à perda de um filho. É a metáfora de que se vale o &lt;em&gt;eu&lt;/em&gt; lírico para a expressar o que dói a perda da mulher ou do homem que se ama. Quando se perde um grande amor, está na letra de &lt;em&gt;Pedaço de mim&lt;/em&gt;, a saudade que se sente "é o pior tormento, é pior que o esquecimento, é pior do que se entrevar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-4182433580834616976?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/4182433580834616976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/mentira-que-revela-verdade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4182433580834616976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4182433580834616976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/mentira-que-revela-verdade.html' title='Isto o que a Arte é'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7600360934581612996</id><published>2011-11-17T08:01:00.003-03:00</published><updated>2011-11-18T14:21:31.818-03:00</updated><title type='text'>Em tom de conversa</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;A propósito da crônica &lt;em&gt;O amor platônico&lt;/em&gt;, publicada outro dia neste espaço, leitora levanta a intrigante questão: - "Já o conheci mais crente no amor. Gostei da crônica, mas..." (&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;). Em tempo devo observar que, com rigor, não sei precisar se se trata de leitor ou leitora, uma vez que o comentário veio com o perfil &lt;em&gt;anônimo. &lt;/em&gt;Irrelevante. Na dúvida, intuitivamente, faço a opção de me dirigir a uma mulher. A resposta vai aqui em tom de conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, amiga, não deixei de acreditar no amor. O texto a que você se refere constitui uma reflexão em torno do olhar do filósofo grego sobre o tema, que, como deixei evidenciado, considero um dos momentos mais altos de &lt;em&gt;O Banquete&lt;/em&gt;. Daí a me ter assumido como um descrente vai um abismo de diferença. Continuo achando que é o amor, no sentido em que foi discutido, uma das forças que movem nossas vidas de forma mais dinâmica e envolvente. O que não significa dizer, claro, que estejamos de olhos fechados para as artimanhas que ele nos tem pregado aqui e além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, ocorre-me lembrar o caso curioso de um amigo: viveu um relacionamento mais que intenso, no qual havia projetado todo o entusiasmo de que é possuidor. Mas, como é comum na história dos amantes, algo deu errado e o rompimento foi inevitável, o que se deu há coisa de uns dois, três anos. Até aí, nenhuma novidade. A curiosidade está em que ele, na contramão de todas as evidências, crê convictamente que o destino haverá de recompor o romance a qualquer tempo. "Mesmo, diz ele, quando estivermos velhinhos, mas vamos nos reencontrar, sim!" Se o otimismo é infundado, não sei, mas nunca é demais lembrar que, filosficamente falando, a utopia é o que torna possível as grandes transformações na vida do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, revi dia desses o filme &lt;em&gt;O amor nos tempos do cólera&lt;/em&gt;, plasmado no livro homônimo de Gabriel García Márquez. Um tanto inferior à obra em que está embasada, a película é muito bonita e trata, dado algum desconto, exatamente do que estamos falando. Um homem perde a mulher amada e dedica seus dias, no espaço impensável de mais de 50 anos, a esperar o momento de reafirmar o seu amor. A cena em que isso acontece, e que é uma das mais belas do filme, se dá em circunstâncias não muito normais, quando o marido da ex falece e ele decide ir ao velório. Cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias depois, para ser preciso, Florentino Ariza, como se chama o personagem eternamente apaixonado, reitera à viúva a sua fidelidade. Não vou contar o final, mas recomendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dou a ver, leitora, não me tornei um descrente no amor. Por enquanto, contudo, fico 'meio que à distância', como dizem os mais jovens, torcendo pelo reencontro do meu amigo com a mulher amada. Quem sabe, no seu caso, a vida não venha a imitar a arte. É a minha forma de continuar acreditando, sem saber por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado pelo comentário. Volte ao blog, sempre que puder.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7600360934581612996?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7600360934581612996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/em-tom-de-conversa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7600360934581612996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7600360934581612996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/em-tom-de-conversa.html' title='Em tom de conversa'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5162350804742159754</id><published>2011-11-10T08:20:00.001-03:00</published><updated>2011-11-10T08:20:16.746-03:00</updated><title type='text'>O colunismo torpe da Folha</title><content type='html'>&lt;div dir='ltr'&gt; Desde que a doença do ex-presidente Lula foi divulgada, em primeiro momento por determinação dele próprio, num gesto que antes de qualquer coisa serve para a ilustrar ainda mais o elevado espírito de suas decisões, tenho lido na internet depoimentos de causar revolta a qualquer pessoa minimamente sensível à angústia dos que, a exemplo do ex-presidente, têm ou tiveram nas mãos&amp;nbsp;o diagnóstico aterrador: - "É câncer."&amp;nbsp;Revolta à parte, admite-se que, vinda do anonimato insano e covarde da rede mundial,&amp;nbsp;a baixaria apenas traduza o despreparo&amp;nbsp;e a ignorância de muitos. &lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Daí a ler, entre enojado e envergonhado, o que está sendo publicado em&amp;nbsp;parte da grande imprensa, o jornal &lt;EM&gt;Folha de S. Paulo&lt;/EM&gt; à frente, vai um abismo de diferença. A coisa é feia, indigna, revoltante, descabida, inacreditável&amp;nbsp; na perspectiva de um matutino que prestou tantos e tão significativos serviços ao país&amp;nbsp; --&amp;nbsp;&amp;nbsp;e que, agora, confunde jornalismo independente com permissividade, aceitação de atitudes moralmente degradantes. Uma pena.&amp;nbsp;&lt;BR&gt; &lt;DIV&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt;&amp;nbsp;&lt;/DIV&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt;Para se ter um ideia do que estou falando, peço desculpas ao leitor desta coluna por citar um ou dois fragmentos do que têm publicado sobre o assunto&amp;nbsp;alguns dos mais prestigiados colunistas do jornal paulistano: "[...] o ex-presidente parece agora pinto no lixo"; "[...] a doença tem origem no abuso da fala, do tabagismo e do&amp;nbsp;alcoolismo de Lula"; "[...] a doença tem a vantagem de levar o doente a parar com seus goles" etc. Um outro colunista da mesma &lt;EM&gt;Folha&lt;/EM&gt; quer saber quem vai pagar&amp;nbsp;o tratamento do ex-presidente.&amp;nbsp;Pasmem.&lt;/DIV&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt;&amp;nbsp;&lt;/DIV&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt;A minha indignação, claro, não se prende ao fato de se tratar do ex-presidente brasileiro mais popular de todos os tempos, de um líder reverenciado mundo afora. Não é isto o que indispõe e revolta. A minha desaprovação veemente reside na consciência do quanto merecem respeito aqueles que, acometidos de uma doença grave, encontram-se fragilizados diante do imponderável, por largas que sejam as chances de cura. &lt;/DIV&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt;&amp;nbsp;&lt;/DIV&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt;Lamentável, não se deve calar,&amp;nbsp;que um dos maiores e mais importantes&amp;nbsp;matutinos da América Latina se&amp;nbsp;preste&amp;nbsp;a exemplificar o que há de mais sórdido na prática do jornalismo,&amp;nbsp;não medindo palavras para expressar o seu inconformismo com o fato de ser Lula, reconhecidamente, o principal responsável pelas sequenciadas derrotas de candidatos paulistas à presidência da República. Eis a razão por que&amp;nbsp;vem explorando torpemente&amp;nbsp;o drama pessoal do ex-presidente a fim de fazer agrados ao patrão.&lt;/DIV&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt;&amp;nbsp;&lt;/DIV&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt;&amp;nbsp;&lt;/DIV&gt;&lt;/DIV&gt;&lt;/DIV&gt; 		 	   		  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5162350804742159754?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5162350804742159754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/o-colunismo-torpe-da-folha.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5162350804742159754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5162350804742159754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/o-colunismo-torpe-da-folha.html' title='O colunismo torpe da Folha'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-602899486081048304</id><published>2011-11-03T09:16:00.002-03:00</published><updated>2011-11-03T09:32:46.326-03:00</updated><title type='text'>O romantismo pós-moderno de Marisa</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Comprei e não consigo parar de ouvir. Desde há pelo menos cinco anos, quando lançou o seu penúltimo álbum, Marisa Monte não aparecia com um novo trabalho. Esta semana, finalmente, chega às lojas o imperdível &lt;em&gt;O que você quer saber de verdade&lt;/em&gt;. O CD tem uma linha estética menos conceitual e é escancaradamente romântico, embora cantado numa perspectiva pós-moderna que faz a diferença em relação ao que se tem feito nos últimos anos em termos musicais. É o que demonstra, por exemplo, o verso "amar alguém não tem explicação", de &lt;em&gt;Amar Alguém&lt;/em&gt;, dela, Dadi e Arnaldo Antunes, um dos destaques do novo álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, a cantora faz no seu site uma breve reflexão sobre o tema: - "O amor é uma forma de inteligência, talvez a maior delas. Estamos vivendo muitas transformações nas relações familiares, nas relações humanas, e uma coisa certa é que os modelos do passado não servem mais para a gente". O CD, no entanto, do ponto de vista poético, explora variadas possibilidades, que vão da alegria do encontro, como na faixa &lt;em&gt;Ainda Bem&lt;/em&gt; ("Tudo se transformou, agora você chegou, você que me faz feliz, você que me faz cantar...) à aceitação do fim ("Depois de aceitarmos os fatos, vou trocar seus retratos, pelos de outro alguém), em &lt;em&gt;Depois&lt;/em&gt;, a mais bela do álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se ter uma ideia da ousadia do projeto em torno da divulgação do CD, &lt;em&gt;O que você quer saber de mim&lt;/em&gt; teve lançamento simultâneo em 30 países. Extremamente bem cuidado sob todos os aspectos da produção, traz participações inusitadas de artistas de diferentes extrações, que vão do americano Jasse Harris (guitarrista de Nora Jones), os cariocas Vinicius Cantuária e Daniel Jobim, ao acordeonista cearense Waldonys. Foi gravado no Rio e em Buenos Aires, e mixado em Los Angeles e Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é o perfeito casamento da simplicidade com o requinte, poucas vezes conseguido nesse nível por artistas brasileiros contemporâneos, que arrebata o ouvinte. Sem esquecer de falar da beleza da voz de Marisa Monte, que, bem nos termos com que se pode citar aqui Roberto Carlos, de quem diz ter sofrido a maior influência enquanto intérprete, alcança parâmetros técnicos absolutamente irretocáveis, mesmo para os não especialistas na matéria, como é o caso deste colunista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, é o sucesso do 'triângulo amoroso' Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brow, surgido com &lt;em&gt;Os Tribalistas&lt;/em&gt;, há coisa de uns nove, dez anos, a outra nota mais marcante de &lt;em&gt;O que você quer saber de verdade. &lt;/em&gt;Os três assinam algumas das composições mais rítmicas do CD e fazem hoje o que há de melhor em termos de parceria na MPB. Notadamente os dois primeiros, que, de tão parecidos, até fisicamente, como que nasceram um para o outro. Ficar em casa (como está na canção &lt;em&gt;Hoje eu não saio não&lt;/em&gt;) e ouvir sem parar o novo álbum de Marisa Monte, vai ver é uma boa pedida. Eu garanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-602899486081048304?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/602899486081048304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/o-romantismo-pos-moderno-de-marisa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/602899486081048304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/602899486081048304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/11/o-romantismo-pos-moderno-de-marisa.html' title='O romantismo pós-moderno de Marisa'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1244702927571104976</id><published>2011-10-27T10:47:00.007-03:00</published><updated>2011-10-27T16:47:10.192-03:00</updated><title type='text'>O amor platônico</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;O &lt;em&gt;Banquete&lt;/em&gt; é um dos diálogos de Platão de que mais gosto. É o mais simples, mesmo no pretexto de que se serve para tecer uma das mais consistentes reflexões de toda a história da filosofia sobre o amor. Imaginemos algo muito próximo do que chamamos hoje &lt;em&gt;happy hour&lt;/em&gt;: amigos se reúnem para festejar a vitória de um deles, Agathón, num festival de teatro. E, entre comidas e bebidas, pelas tantas, um deles puxa a conversa em torno do tema polêmico. Nasce uma das obras-primas da literatura universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desses diálogos, todavia, dois merecem maior atenção, o debate entre Aristófanes e Sócrates. Aquele, mais sonhador, mais poeta. Este, mais pé-no-chão, mais realista. Para Aristófanes, no começo, homens e mulheres eram duplos. Cada um tinha dois rostos, quatro pernas, quatro braços etc. E, como ainda hoje, muita vaidade, muita audácia, queria sempre mais. Chegar ao céu, por exemplo. Foi aí que os deuses, através do maior deles, Zeus, resolveram reagir. E, como punição pela arrogância, homens e mulheres foram cortados ao meio: - "Serão duas vezes mais fracos, já não poderão subir aos céus!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, procuramos tanto a nossa metade perdida, sob pena de continuarmos incompletos, condenados a sentir a falta do outro pelos tempos afora. Quando acontece de encontrarmos a nossa metade, sentimo-nos felizes e realizados. É a idealização do amor. Desejamos a fusão, a unificação das almas e dos corpos. É a paixão: 'Encontrei o homem, a mulher da minha vida', dizemos. Aristófanes sonhador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais realista, Sócrates, num piscar de olhos, identifica na forma como seu interlocutor compreende o amor, o que nela existe de ilusório: a utopia do amor exclusivo, definitivo, capaz de saciar a nossa vontade de completude. Um dia, alguém deixará de amar, alguém sofrerá com isso. Não há, nesse caso, a falta, razão por que não haverá mais o desejo. Schopenhauer chamará isso de tédio. Quantos de nós não terá 'amado' mais de uma vez? É que não mais exclusivo, não mais definitivo é o amor. E volta-se a ser incompleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com pequeno desconto, assim afirmou Sócrates: - "Poetas, sofistas, enganadores dos outros." Para ele, amor é desejo daquilo que nos falta. Amamos o que não temos, portanto, aquilo que está ausente, distante de nós. O amor, segundo o mito, é incompletude. Não há amor feliz, pelo menos para sempre. Estamos falando, claro, do amor &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt;, que existem diferentes formas de amar. &lt;em&gt;Eros&lt;/em&gt;, é desejo... o desejo é falta. Séculos depois, revendo Platão, Kant afirmaria que "a felicidade é ter aquilo que se deseja". Mas se desejamos, não é porque nos falta? O amor platônico. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1244702927571104976?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1244702927571104976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/o-amor-platonico.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1244702927571104976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1244702927571104976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/o-amor-platonico.html' title='O amor platônico'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1615397056202901641</id><published>2011-10-20T16:17:00.004-03:00</published><updated>2011-10-22T08:11:12.965-03:00</updated><title type='text'>Os brutos também amam</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Tinha eu uns 10,11 anos, quando um tio, Manuel Mathias Costa, que, além de usineiro, era produtor de algodão e criador de gado, para surpresa de todos, compra um cinema. Chamava-se Cine Alvorada, sucedâneo do Cine Sá, localizado bem em frente do seu concorrente, o Cine São José, que ficava do outro lado da praça. Isso era por volta de... de... (Não percamos tempo com um detalhe tão desimportante) [risos]. A verdade é que, depois de ganhar um passe 'vitalício' de entrada, passei a ver um filme atrás do outro, o que fez nascer em mim o cinéfilo que sou. Não saberia lembrar, pelo tempo que faz, qual o primeiro filme a que assisti, mas tenho uma leve impressão de que foi algum &lt;em&gt;Tarzan&lt;/em&gt;. Johnny Weissmuller era o meu preferido, embora me intrigasse o fato de ser gordinho e de, não raro, ser completamente dominado pelos inimigos. Havia sempre uma forma de se safar, nem que para isso dependesse da macaca Chita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, vieram os &lt;em&gt;westerns&lt;/em&gt;, sobre os quais já discorri em colunas anteriores. A propósito, leitor questionou dia desses: - "Não sei como você continua aplaudindo um charlatão como John Wayne." Talvez pelo fato de que o mundo inteiro o faça, apesar de suas reconhecidas limitações como ator. Ironia à parte, a verdade é que, influenciado ou não pela verdadeira devoção que lhe dedicam cinéfilos daqui e de além, Wayne invariavelmente desempenhou com correção os muitos papeis que lhe foram confiados, razão por que, suponho, tenha arrebatado tantos prêmios, inclusive um Oscar dos anos 60 por sua atuação em &lt;em&gt;Bravura Indômita&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, dessa safra hollywoodiana, um filme que ainda hoje (pois o revejo vez ou outra!) me emociona: &lt;em&gt;Shane&lt;/em&gt;, que no Brasil tem o título de &lt;em&gt;Os Brutos Também Amam&lt;/em&gt;. É um filme narrado todo na perspectiva de um garoto, Joey, que cria uma verdadeira fixação por ele, Shane, um homem de passado supostamente complicado que se estabelece na fazenda de seus pais e passa a protegê-los com a precisão do seu gatilho e a força do seu braço. Duas ou três cenas do filme são mesmo inesquecíveis: a primeira delas, quando Shane se desentende com o pai de Joey, Starret, que acaba de expulsá-lo de sua propriedade. Percebendo a chegada de um fazendeiro poderoso e seus comparsas, que querem afugentar dali o pobre colono, Shane circunda a casa e aparece, calmo e manso, a poucos passos. O bandido interroga: - "Quem é o sujeito ali?" E Shane, sem que Starret o tivesse visto, responde: - "Sou amigo de Starret." A cena é de uma beleza e um sentido marcantes. Acho uma das cenas que melhor falam do companheirismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigido com maestria por George Stevens, entre outras coisas, &lt;em&gt;Shane &lt;/em&gt;fala da atração que o desconhecido pode exercer sobre as pessoas. Além de Joey, também sua mãe se deixa atrair de forma inexplicável pelo forasteiro. Numa cena, particularmente, é que se percebe isso, quando ela aconselha o filho a não se prender muito a Shane: - "Para não sofrer quando ele for embora." Noutra, na tentativa de resistir à força do que poderá se tornar uma paixão, pede ao marido que a abrace com calor. Não se tratando de algo muito atípico nos faroestes, o tema é tratado em &lt;em&gt;Os Brutos Também Amam &lt;/em&gt;com uma sutileza de estilo e um lirismo tocantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é a cena final do filme que mais emociona. Depois de vencer todos os inimigos de Starret, sentindo ter cumprido sua missão, ou quem sabe determinado a fugir de um provável envolvimento com a mulher do amigo, Shane decide partir, mas descobre que o pequeno Joey acompanhara a troca de tiros escondido sob uma mesa do &lt;em&gt;saloon&lt;/em&gt;. É quando se despede do garoto e segue para destinos desconhecidos, ainda ouvindo seus gritos: - "Shane, eu te amo! Shane, eu te amo!" Sem falar nas imagens e música arrebatadoras que fazem desse filme um dos clássicos da sétima arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1615397056202901641?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1615397056202901641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/os-brutos-tambem-amam.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1615397056202901641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1615397056202901641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/os-brutos-tambem-amam.html' title='Os brutos também amam'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-4425108109076932451</id><published>2011-10-16T09:33:00.007-03:00</published><updated>2011-10-18T09:16:54.245-03:00</updated><title type='text'>Filmes da minha vida</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;A série de crônicas sobre cinema, que venho publicando no blog e em jornal impresso, tem agradado aos leitores. Dela, surge a ideia de um livro, algo como 'os filmes da minha vida', com a intenção de contribuir para a formação de novos cinéfilos. De São Paulo, por exemplo, pessoa muito querida diz ter lido meu texto sobre &lt;em&gt;Noivo neurótico, noiva nervosa&lt;/em&gt; e comenta: - "Não gosto muito de Allen [Woody], mas confesso ter sido completamente influenciada por você. (risos) Vou rever o filme, sim." Um outro, também por e-mail, pergunta sobre os finais de filme que mais me impressionaram e pede a minha opinião sobre a cena do aeroporto, em &lt;em&gt;Casablanca &lt;/em&gt;(Michael Curtiz, 1943).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, Jorge, é de fato uma das cenas mais bonitas do cinema, sobre a qual, há coisa de uns dois, três anos, escrevi uma crônica. Gosto das cenas que surpreendem. Aquela em que, enquanto todos esperavam que Rick (Humphrey Bogart) partisse com Ilsa (Ingrid Bergman) e ele decide ficar, renunciando ao amor impossível, é desconcertante: - "E nós, Rick?" E ele, estoicamente: - "Nós sempre teremos Paris." Você tem razão: As lembranças dos momentos felizes com a pessoa amada jamais se apagarão e, vira e mexe, qualquer um de nós terá sempre Paris ou o Rio de Janeiro para recordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por força de sua provocação, que tal a última sequência de &lt;em&gt;Desencanto &lt;/em&gt;(David Lean, 1946), que reedita basicamente a mesma situação? Consciente de que o mais certo era renunciar ao amor de Laura (Celia Jonhson), Alec (Trevor Howard), o amante, como o Rick de &lt;em&gt;Casablanca&lt;/em&gt;, apenas aperta o ombro dela, num plano de detalhe memorável, e diz "adeus", até desaparecer por uma porta. Ela, voz &lt;em&gt;off&lt;/em&gt; , recorda, depois: - "O destino, até o último minuto, foi miserável conosco. [...] Senti sua mão no meu ombro durante um momento, e logo se foi. Foi embora da minha vida para sempre."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou outro, que vi em DVD há poucos dias, &lt;em&gt;Rainha Cristina&lt;/em&gt; (Ruben Mamoulian, 1933): Cristina (Greta Garbo) abdica do trono em favor do amor impossível com o espanhol Antonio (John Gilbert), mas, ferido ao defender a honra, ele morre em seus braços quando os dois partem num navio. Ela vai até o convés e, entregando-se a uma dor sem nome, lança o olhar para o infinito. O olhar de Garbo, ali, é mais belo e mais intenso que o de Mona Lisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que nessas cenas, leitores, está a explicação para o fascínio que o cinema exerce sobre nós. Bem na linha do que afirmou Nietzsche: "A arte existe para que não se morra da realidade." Por que não sonhar, não viver ou reviver as grandes emoções através de um belo filme, por exemplo? Como numa das passagens a que me referi, quem de nós, um dia qualquer, não se recordará de que apenas apertou o ombro da pessoa amada, quando tínha tanto por dizer -- até que se fosse da nossa vida para sempre? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-4425108109076932451?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/4425108109076932451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/finais-que-nao-se-esquecem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4425108109076932451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4425108109076932451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/finais-que-nao-se-esquecem.html' title='Filmes da minha vida'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7068766315390602743</id><published>2011-10-13T10:03:00.002-03:00</published><updated>2011-10-13T10:41:54.263-03:00</updated><title type='text'>Precisamos dos ovos</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Dia desses fiz alusão a uma mesa-redonda de que participei sobre cinema em que tinha de listar os "filmes da minha vida", a exemplo do que tiveram de fazer todos os convidados. Falei de como é vulnerável ter de escolher, entre centenas, aqueles filmes de que mais gostamos. Qualquer lista vai sofrer uma ou outra alteração ao sabor das contingências, das subjetivações decorrentes do nosso estado de espírito num determinado momento da vida. Um filme, depois de muitos anos, pode ganhar ou perder numa segunda vez que o vemos. Prefiro, assim, comentar cenas e sequências que impressionaram ou impressionam por alguma razão. Esta semana, por exemplo, fui rever um filme de Woody Allen de que não tinha gostado quando do seu lançamento, lá por fins dos anos 70. &lt;em&gt;Noivo neurótico, noiva nervosa&lt;/em&gt; é o título em português, com Allen e Diane Keaton (maravilhosa!) nos papeis principais. E adorei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a história de um americano, Alvy Singer, que faz sucesso como comediante mas é um desastre com as mulheres. O cara é cheio de complexos, preconceitos e instabilidades emocionais, supostamente herdados da vida familiar. Um dia, através de um amigo, conhece Annie Hall, uma cantora de casas noturnas. Apaixonam-se, passam a viver juntos, até que ela, não suportando as manias de Singer, resolve romper a relação e recomeçar sozinha. É quando ele descobre o quanto Annie é a mulher de sua vida e passa a fazer de tudo para reconquistá-la. O filme tem uns diálogos geniais, marcados pela fina ironia e o elevado humor de um gênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que à época &lt;em&gt;Noivo neurótico, noiva nervosa&lt;/em&gt; fez um estrondoso sucesso, assinalando, segundo a crítica, o começo de uma nova fase da carreira de Woody Allen, mais maduro como roteirista e diretor. O filme, de fato, tem uma lógica estrutural que beira a perfeição, com um tom e um ritmo narrativo inteligentes e articulados com um rigor poucas vezes alcançado em realizações do gênero, uma comédia com jeito de drama romântico da melhor espécie. Mas eu falava de uma cena ou sequência que merecesse destaque. Pois bem, vamos a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convencido de que perdera Annie para sempre, Alvy Singer empenha-se em revê-la, para que façam juntos um balanço da separação e dos efeitos disso em suas novas vidas. É aí que a película passa a mostrar em &lt;em&gt;flashback&lt;/em&gt; os bons momentos dos dois juntos. Mas Woody Allen faz isso repassando cenas já vistas pelo espectador, o que dá ao recurso uma força dramática muito maior e muito mais poética. Ao final do encontro, num restaurante de Nova York, o próprio Alvy Singer chega à conclusão de que ele e Annie já não têm mais nada em comum, além de uma amizade. Não seria Woody Allen, todavia, se a cena não reeditasse o timbre anárquico com que o cineasta explora os conflitos humanos e suas oscilações de humor. É assim, pois, que a voz em &lt;em&gt;off &lt;/em&gt;do protagonista encerra qualquer possibilidade de reconciliação -- e faz uma reflexão sobre relacionamentos que se aplica ainda melhor aos dias de hoje: "Percebi a pessoa incrível que ela é, e como era bom poder conhecê-la. E pensei na velha piada: um cara vai ao psiquiatra e diz, 'doutor, meu irmão é louco. Ele acha que é uma galinha'. E o doutor diz: 'Por que não o convence?' E ele responde: 'Deveria, mas eu preciso dos ovos'. É o que eu acho dos relacionamentos de hoje. São totalmente irracionais, loucos e absurdos. Mas continuamos neles porque a maioria de nós precisa dos ovos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considero essa sequência um primor em termos cinematográficos. Allen explora com maestria as possibilidades narrativas do cinema, mas, como é próprio de sua arte, nunca perde a oportunidade de filosofar sobre as pessoas, as contradições humanas, a superfialidade dos sentimentos. &lt;em&gt;Noivo neurótico, noiva nervosa&lt;/em&gt;, um filme com mais de 30 anos, parece nos dizer muito sobre a nossa época. É duro com o amor pensar assim, mas acho que insistimos nos relacionamentos porque precisamos dos ovos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7068766315390602743?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7068766315390602743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/precisamos-dos-ovos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7068766315390602743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7068766315390602743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/precisamos-dos-ovos.html' title='Precisamos dos ovos'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7649585864055750155</id><published>2011-10-03T15:28:00.003-03:00</published><updated>2011-10-03T15:32:50.291-03:00</updated><title type='text'>Esquecer o amor louco</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Li outro dia que Tarantino, o renomado diretor de &lt;em&gt;Cães de Aluguel&lt;/em&gt;, sempre que arranja uma nova namorada tem por costume mostrar à garota o filme &lt;em&gt;Rio Bravo&lt;/em&gt;. Se ela não gosta, termina o relacionamento. Faço isso com &lt;em&gt;Cinema Paradiso&lt;/em&gt; e, felizmente, nunca tenho me decepcionado. É termômetro de inteligência e sensibilidade. Mas, voltando ao clássico do &lt;em&gt;western&lt;/em&gt;, é mesmo maravilhoso. Esta semana, revi-o com Carolina, minha filha, a quem, sempre que posso, tenho apresentado a fina flor do cinema. Lembro que assisti ao filme de Haward Howks ainda menino, no &lt;em&gt;Cine Alvorada&lt;/em&gt;, em Iguatu, pelas mãos de um irmão que era o maior cinéfilo da cidade naqueles tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a história de um xerife que prende um assassino, irmão de um fazendeiro rico e poderoso, a quem tem de enfrentar (e às dezenas de comparsas) contando apenas com a ajuda de um alcoólatra e um velho manco, aos quais se somará um quarto homem da metade da película em diante. Acho que é um dos filmes que melhor discutem, entre outros temas, o companheirismo e a lealdade. Para não falar do drama do alcoolismo e a devastação que ocasiona na vida de um homem. A cena em que os quatro, recolhidos a uma sala da cadeia, preenchem o tempo cantando e tocando violão é inesquecível. O roteiro, soberbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, dia desses participei de uma mesa-redonda sobre cinema em que cada debatedor tinha de apontar os filmes que mais lhe marcaram em todos os tempos. Não hesitei: entre aqueles que ficaram, que fizeram despertar em mim o cine-entusiasta que sou, está &lt;em&gt;Rio Bravo&lt;/em&gt;, que, no Brasil, agora recordo, foi exibido com o nome de &lt;em&gt;Onde Começa o Inferno&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa coisa de 'os dez', 'os cem mais', nunca é infalível e costuma se curvar aos caprichos da memória e das subjetivações de circunstância. Lembro que mencionei alguns que aparecem com mais frequência nas minhas seleções: &lt;em&gt;Janela Indiscreta&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Os Incompreendidos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Ladrões de Bicicleta&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Acossado&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Viagem à Itália&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Casablanca&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Morangos Silvestres&lt;/em&gt;, para lembrar dos que dificilmente esqueço. E &lt;em&gt;Hiroshima, Mon Amour&lt;/em&gt;, que considero uma das maiores revoluções estéticas do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história, sabe-se, é a um tempo simples e complexa: uma atriz francesa está no Japão para as gravações de um filme sobre os horrores da guerra e conhece um arquiteto, casado, como ela, com quem vive uma aventura amorosa de poucas horas. A paixão, todavia, é desconcertante, o bastante para começar a apagar nela as recordações dolorosas de um amor antigo: durante a ocupação alemã na França, ela se apaixonara perdidamente por um soldado inimigo que é assassinado pelos resistentes após a libertação. O filme, assim, fala da superação da dor e do sofrimento, e da capacidade humana de apagar sentimentos que parecem inapagáveis. O final é aberto e não se pode afirmar que ela volte para o marido que a espera em Paris. Na última sequência, contudo, ele faz para a amante uma declaração que sou capaz de repetir de cor: - "Em alguns anos, quando eu a tiver esquecido e outras histórias como essa, por força do hábito, tiverem acontecido, eu me lembrarei de você como um símbolo do esquecimento até mesmo do amor mais louco." Não é sem razão que o roteiro é assinado por ninguém menos que Marguerite Duras, a dama do amor perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7649585864055750155?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7649585864055750155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/esquecer-o-amor-louco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7649585864055750155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7649585864055750155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/10/esquecer-o-amor-louco.html' title='Esquecer o amor louco'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8135217003738195427</id><published>2011-09-28T09:16:00.005-03:00</published><updated>2011-09-28T12:41:08.325-03:00</updated><title type='text'>Tem a frescura, falta a classe</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Do cantor e radialista Beu Paulino, por telefone, vem a informação: - "Foi boa a repercussão da sua crônica sobre Paula Fernandes. O texto expressa o sentimento que ficou entre nós sobre ela." Daqui, de Fortaleza, e de outras cidades, recebo e-mails que se reportam ao mau comportamento da jovem cantora a cada show que faz Brasil afora. De Piracicaba, por exemplo, leitora faz ecoar a afirmação de que se trata de uma pessoa arrogante e mal-educada: - "Aqui [em Piracicaba] foi extremamente antipática com o público."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando o que faz uma pessoa famosa agir assim. Entre os nomes de peso, João Gilberto é um dos casos mais conhecidos: não raro exige palcos especiais para suas apresentações. E não estou falando de palcos com as condições ideais para um artista da sua importância se apresentar. Refiro-me aos palcos de acrílico que exige vez e outra. É comum parar o show para que se desligue um aparelho de ar condicionado ou seja retirado do auditório um espectador menos contido -- que o aplauda com mais entusiasmo, por exemplo. Mas aí são excentricidades de um gênio que o &lt;em&gt;show business&lt;/em&gt; parece ter assimilado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado mesmo eram as loucuras de Tim Maia. O livro de Nelson Mota traz o que se conhece de mais curioso sobre o cantor, leitura que recomendo para o fim de semana dos que apreciam coisas do gênero. De minha parte, não conheço nada mais inacreditável do que vi certa vez no Teatro José de Alencar. Era uma peça com o ator Dolabella, Eduardo Dolabella (o pai), que sentindo-se incomodado com o som de uma pregação religiosa nas imediações do teatro, desceu do palco, atravessou correndo o auditório e, em meio à multidão que ouvia o evangélico, atirou para o alto a caixa de som do coitado e lhe bateu na cabeça seguidas vezes com o microfone. Um horror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os políticos, mesmo os tupiniquins, há os boçais tipo Tasso Jereissati, que costuma levar em sua comitiva o cozinheiro que lhe prepara os pratos. Há os que conduzem na bagagem o uísque, temendo falsificações. Sem falar nos lencinhos desinfectantes com que "limpam" as mãos depois de cumprimentar os eleitores pobres, acreditem. Fala-se que um renomado político paulista, em viagens eleitoreiras pelo interior do Nordeste, foi visto bebendo Waiwera, uma água mineral da Nova Zelândia, de que trouxera algumas garrafas no avião. Folclore político, quero crer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho, contudo, que o mal está menos na 'frescura' em si que na forma de praticá-la. Quem não sabe, que, neste sentido, Roberto Carlos é supostamente o mais excêntrico dos artistas brasileiros? Na última vez que esteve em Fortaleza, a ambientação do quarto do hotel foi toda refeita a fim de que o azul fosse a cor dominante. Mesmo da parte externa, como hall de entrada e corredores, tiveram que retirar o menor dos adereços em que se destacasse o marrom. Como um rei que se preza, no entanto, o faz com a discrição e a elegância que o preservam de qualquer exposição. Ao final do show, atira flores. Como abençoada do Rei, é possível que Paula Fernandes tenha buscado nele a inspiração. Quer dizer: tem a frescura, mas lhe falta a classe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8135217003738195427?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8135217003738195427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/frescura-mas-com-classe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8135217003738195427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8135217003738195427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/frescura-mas-com-classe.html' title='Tem a frescura, falta a classe'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7760260321309175890</id><published>2011-09-19T17:06:00.006-03:00</published><updated>2011-09-20T08:15:25.574-03:00</updated><title type='text'>O homem que engarrafava nuvens</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;A atriz Denise Dummont me telefona de Nova York, através da prima Marlene Teixeira. Estava dando os primeiros passos para a realização de um projeto que tinha por objetivo resgatar a memória artística do pai, Humberto Teixeira. Dois ou três dias depois, encontramo-nos na sede do então Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará. De cara, surpreende-me o número de participantes do evento, muito maior do que pensava pudesse ser. Foi uma noite de reencontro com conterrâneos, parentes e admiradores do autor de &lt;em&gt;Asa Branca&lt;/em&gt;. Lembro que fui convidado a falar em nome da família e da colônia iguatuense ali presentes. Na ocasião, Denise e eu trocamos um farto material sobre Humberto, que, na mesma madrugada (já era tarde, quando nos despedimos), seria furtado do meu carro, para minha tristeza e espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses depois, Marlene e eu estreitamos contato com Denise. Ela viria a Fortaleza e Iguatu para rodar algumas sequências de &lt;em&gt;O homem que engarrafava nuvens&lt;/em&gt;, como intitulara o filme a partir de uma frase do pai em entrevista ao historiador Nirez. Denise queria um depoimento meu para o filme. Na época, infelizmente, não pude recebê-la, encontrado-me em viagem para fora do estado. Marlene e Euriquinho Teixeira o fizeram e ambos, tratados com especial carinho por Denise, estão no filme de Lírio Ferreira, o resultado final do projeto levado a efeito com brilhantismo pela atriz, e a que -- inexplicável! -- só ontem pude assistir em casa de Deusdedith Teixeira Neto, que reuniu familiares para uma sessão do filme regada a bom uísque. Fiquei encantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se do premiadíssimo documentário que chega em nova tiragem às principais lojas do ramo. Um clássico do gênero, que, em pouco mais de duas horas, reverencia a obra do ilustre filho de Iguatu e resgata a memória de um gênio esquecido. O filme conta com a participação, depoimentos e interpretações marcantes, de grandes nomes da música popular brasileira, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Lenine, Gal Costa, Maria Bethânia, Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Bebel Gilberto e David Byrne, que canta &lt;em&gt;Asa Branca&lt;/em&gt; em inglês e dá sobre a música de Humberto Teixeira um dos mais relevantes depoimentos sobre o letrista e compositor iguatuense. Imperdível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora tenha acompanhado com interesse o belíssimo projeto de Denise Dummont, do nascedouro à conclusão, confesso: só agora pude de fato dimensionar com exatidão quem foi e o que realmente representou a figura de Humberto Teixeira para a cultura musical brasileira. Tomando por base as declarações de Gilberto Gil, Caetano Veloso e, mesmo, David Byrne, não é muito dizer que Humberto Teixeira é para a MPB como um outro João Gilberto. É comprar o DVD e conferir se exagero, minimamente que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nada é, todavia, perfeito, faço uma restrição: a sequência do filme em que Margarida Jatobá expõe questões de foro íntimo de sua vida ao lado de Humberto, é de uma deselegância inaceitável e poderia ter sido evitada sem qualquer prejuízo para o produto final de &lt;em&gt;O homem que engarrafava nuvens. &lt;/em&gt;Antes pelo contrário, reportar-se à traição ao marido da forma como o faz, cedendo à curiosidade 'encenada' de Denise Dummont, afirmando que ao lado da genialidade do artista havia o ciúme e o conservadorismo do interiorano, é detalhe que nada acrescenta ao extraordinário trabalho de Lírio Ferreira. O filme como um todo, no entanto, é excepcional e justifica os prêmios nacionais e internacionais que arrebatou. Vale conferir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7760260321309175890?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7760260321309175890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/o-homem-que-engarrafava-nuvens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7760260321309175890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7760260321309175890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/o-homem-que-engarrafava-nuvens.html' title='O homem que engarrafava nuvens'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1413364447554010422</id><published>2011-09-19T10:08:00.008-03:00</published><updated>2011-09-19T15:01:35.198-03:00</updated><title type='text'>A carta de Pablo</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;O 11 de setembro, que assinala este ano o décimo aniversário do atentado às torres gêmeas, tem para mim, por uma razão diferente e íntima, um significado particularmente importante: é a data de aniversário do meu filho Saulo, uma das duas pessoas que mais amo. Mas é, também, a data de um outro aniversário de que nunca esqueço, pela força do seu significado do ponto de vista das ideias que envolve e dos sentimentos que me causa: nesse dia, numa manhã de terça-feira de 1973, sob a chancela dos Estados Unidos, a capital chilena era massacrada por ações militares que culminariam com o bombardeio do palácio do governo e com a morte do presidente Salvador Allende. Nas ruas, nas praças, nos quarteis, da forma mais cruel que é possível um homem imaginar, civis, entre os quais indistintamente contavam-se idosos e mulheres, muitas vezes em presença de filhos e cônjuges, eram submetidos à práticas de tortura bárbaras, quando não sumariamente executados a tiros de fuzil ou atirados de helicópteros, vivos e conscientes do que lhes faziam, naquele instante, oficiais do exército chileno treinados pelos norte-americanos. Era 11 de setembro também. Nas proximidades da data, há pouco menos de nove anos, um chileno escreveu esta carta que um amigo me enviou por e-mail e que fiz questão de reproduzir abaixo. Não se trata de fechar os olhos para o que existe de monstruoso naquilo que ocorreu aos americanos há exatos dez anos, mas de tentar abri-los um pouco mais para outras realidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Queridas mães, pais e entes daqueles que morreram em 11 de setembro em Nova York. Eu sou chileno, moro em Londres. E gostaria de dizer que temos algo em comum: seus entes queridos foram assassinados como os meus. E nós temos uma data em comum, o 11 de setembro. Em 1970, houve uma eleição. Eu tinha 18 anos e votei pela primeira vez. Tínhamos um lindo sonho de construir uma sociedade na qual o povo repartisse o fruto do seu trabalho, a riqueza do País. Em setembro de 1970 fomos votar e vencemos. No ar, bandeiras brancas, vermelhas e azuis. Quando uma história começa, em cada rua, em cada esquina, vozes se erguem como ondas num oceano interminável. Punhos se agitando no ar. Da montanha até o mar. Havia leite e educação para as crianças, terras improdutivas foram dadas a camponeses sem terra. O carvão, as minas de cobre e as indústrias de base, se tornaram propriedade de todos nós. Pela primeira vez na vida as pessoas tinham dignidade. Mas não sabíamos como aquilo era perigoso ("Não sei porque devemos deixar um País se tornar comunista pela irresponsabilidade de um povo", disse Henry Kinssinger). Nossas decisões democráticas, nossos votos, não eram relevantes. O mercado, o lucro, o capital eram mais importantes que a democracia. [...] O presidente de vocês, Nixon, disse que faria nossa economia gritar. Ele mandou que a CIA se envolvesse diretamente na organização de um levante militar, um golpe de Estado. Dez milhões de dólares, mais, se necessário, estavam à disposição para aniquilar o governo de Salvador Allende. [...] Seus dólares sustentaram um grupo neofascista que gerou violência e bombardeou fábricas e centrais elétricas. Em 11 de setembro os inimgos da liberdade cometeram um ato de guerra contra o nosso País. Assim que clareou tropas e tanques atacaram o palácio presidencial. Allende, seus ministros e assessores estavam lá dentro. Allende não fugiu quando o Palácio La Moneda foi bombardeado. Ele foi assassinado. Terça-feira, também foi numa terça-feira de 11 de setembro de 1973. Um dia que destruiu nossa vida para sempre. Levei um tiro no joelho e depois eles bateram com a minha cabeça no chão. Eles me bateram tanto, que às vezes eu desmaiava. [...] Ligavam fios elétricos nas genitálias, enfiavam ratos na vagina das mulheres. Treinavam cães para estuprar mulheres. E ficamos sabendo da caravana da morte: o general que ia de cidade em cidade fazendo execuções a esmo. Trinta mil foram assassinados. Trinta mil! [...] Eles me consideraram comunista. Me condenaram à prisão perpétua, sem julgamento e sem direito à defesa. Fui libertado cinco anos depois, mas tive de sair do meu País. Não posso voltar ao Chile, agora, embora só pense nisso. O Chile é meu lar, mas o que aconteceria aos meus filhos? Eles nasceram em Londres. Não posso condená-los a um exílio como o meu. [...] Mães, pais e entes queridos dos que morreram em Nova York. Logo chegará o vigésimo nono aniversário do nosso 11 de setembro e o primeiro de vocês. Vou me lembrar de vocês. Espero que vocês se lembrem de nós. PABLO." &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1413364447554010422?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1413364447554010422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/carta-de-pablo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1413364447554010422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1413364447554010422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/carta-de-pablo.html' title='A carta de Pablo'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-3741138076125694015</id><published>2011-09-15T15:37:00.002-03:00</published><updated>2011-09-15T15:46:39.402-03:00</updated><title type='text'>De Paula Fernandes a Wong Kar Wai</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Leio na coluna de Hildernando Bezerra sobre o show de baixaria da cantora Paula Fernandes em Iguatu. Com o estilo elegante de sempre, Hildernando levanta uma bela reflexão sobre a vaidade humana, tomando por base a arrogância da cantora desde as suas primeiras horas na cidade -- e o barraco que aprontou durante a sua apresentação à noite. Acho que o colunista foi mais que generoso com a artista, chegando mesmo a cometer o que me parece um equívoco em termos de estética musical: - "Esta jovem cantora tem tudo para ser a nova Ângela Maria dos tempos modernos." Longe disso, meu caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que fez a sua primeira aparição em nível nacional, sob a chancela de Roberto Carlos, é comum se ouvir falar do talento da garota, por muitos considerada a grande revelação da MPB nos últimos doze, quinze anos. Um exagero, para não lembrar que somos de fato o público menos exigente do mundo artisticamente falando. Há quem cometa o desvario de comparar o tal "fenômeno" à Norah Jones. Santa ignorância. Com uma voz enjoada que mais lembra Roberta Miranda, de quem me parece ter herdado, além do estilo, o incomparável mau gosto, Paula Fernandes tem da cantora americana o mesmo que eu de Frank Sinatra, ou seja, nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a formar "comissão de notáveis para recepcioná-la, incluindo autoridades locais e estaduais" &lt;em&gt;(sic)&lt;/em&gt;, meu querido Bezerra, é, aos meus olhos, tanta babaquice quanto exigir trânsito exclusivo no hotel, como quis a cantora. Coisa mais provinciana! Não me leve a mal, que já falei da elegância do seu texto e da forma inconfundível e invariavelmente inteligente com que o amigo brinda seus leitores, entre os quais figuro toda semana, com reflexões agudas sobre a vida de todos nós, pobres mortais. Essa gente não tem mais o que fazer que festejar chegada de cantora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei de Norah Jones, que admiro desde &lt;em&gt;2002 Come Away Wite Me&lt;/em&gt;, seu álbum de estreia, e me ocorre lembrar um belo filme que só há pouco vi: &lt;em&gt;Um beijo roubado&lt;/em&gt;, de Wong Kar Wai, em que Norah atua como atriz ao lado de Jude Law, Rachel Weisz e a impagável Natalie Portman. E atua bem, diga-se de passagem, na pele de Elizabeth, a jovem de coração partido que divide com as personagens de Jude Law e Natalie Portman o brilhantismo do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na linha de &lt;em&gt;Anjos caídos &lt;/em&gt;(1995) e &lt;em&gt;Amor à flor da &lt;/em&gt;pele (2000), com que explodiu como um dos maiores cineastas da atualidade, Kar Wai realizou com &lt;em&gt;Um beijo roubado&lt;/em&gt; (2007) um dos seus filmes mais sedutores. A luz, com que dá ao colorido da imagem um tom intraduzível com palavras, e a trilha sonora estonteante de tão bela, por si só são capazes de conquistar o espectador. É aí que Jones, Law e Portman vão viver, como quase sempre na filmografia do diretor chinês, suas condenações aos diferentes estágios do amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div dir="ltr"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div dir="ltr"&gt;Que o leitor me dê um desconto por ter guinado de Paula Fernandes a Norah Jones e Wong Kar Wai. Está dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-3741138076125694015?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/3741138076125694015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/de-paula-fernandes-wong-kar-wai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3741138076125694015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3741138076125694015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/de-paula-fernandes-wong-kar-wai.html' title='De Paula Fernandes a Wong Kar Wai'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-4924028022133171752</id><published>2011-09-08T10:08:00.004-03:00</published><updated>2011-09-08T10:27:52.945-03:00</updated><title type='text'>O que sei de Lula</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Acho uma prova de correção intelectual não emitir opinião sobre aquilo que se desconhece. Por isso, antes de escrever a coluna de hoje, li &lt;em&gt;O que sei de Lula&lt;/em&gt;, de José Nêumanne Pinto, mesmo enojado já nas primeiras páginas. Não falo da qualidade estilística do texto, que traz a marca de um escritor de muito talento. Refiro-me às razões que por certo moveram Nêumanne na produção da obra, visivelmente carregada de ressentimento, de ódio pelo ex-presidente, com quem teve ligações pessoais íntimas, a concluir pelo seu próprio relato. E de quem, contrariados alguns interesses que omite da sua obra, é, agora, inimigo figadal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um levantamento exuberante de informações distorcidas, manipuladas ao sabor dos interesses (inconfessáveis!) do autor. Aproveitando-se da convivência estreita com Lula, nos tempos do ABC, Nêumanne faz revelações que põem à mostra, antes de tudo, a fragilidade do seu caráter e a ausência de qualquer princípio ético, elementar que seja, naquilo que faz. Pelo menos se tomarmos como referência o livro em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas &lt;em&gt;O que sei de Lula&lt;/em&gt; não deve ser condenado unicamente pela avaliação mal intencionada que faz de Luiz Inácio Lula da Silva, cuja história, reconhecida para muito além das fronteiras nacionais, por relação de contraste colocam o livro no seu devido lugar. Ele é criminoso por uma razão mais forte, que constitui, esta sim, uma falta prevista em lei: o racismo, o preconceito por que conduz a sua análise do perfil psicológico do seu biografado. Chega a afirmar, sem meias-palavras, que o ex-presidente "nasceu na hora, no lugar e na família certa", numa forma explícita de detratá-lo por ser, além de pobre, do Nordeste, onde, segundo sua visão facistóide (e com artifícios de linguagem que tentam disfarçar o que diz), é improvável que nasça alguém com as qualidades necessárias para presidir um País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cita, deformando o conteúdo das palavras, Euclides da Cunha e Antonio Conselheiro. De forma deselegante para quem escreve a biografia de um ex-presidente, diz que Lula nasceu de "um pai canalha e uma mãe santa". Numa metáfora sugestivamente malcheirosa, compara-o a uma cebola, de quem diz ter retirado "a casca ideológica e política para chegar ao homem". Tudo, para o leitor minimamente informado, sem conseguir esconder as motivações servis de um empregado da &lt;em&gt;Folha de São Paulo&lt;/em&gt;, o mais reacionário e antipopular dos grandes jornais brasileiros. Não à toa, pois, exaltando o livro, &lt;em&gt;O que sei de Lula&lt;/em&gt; traz como folha de rosto comentários de colunistas do matutino paulistano, entre os quais, infelizmente, o também nordestino e grande poeta Ferreira Gullar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o seu livro, recém chegado às livrarias da cidade, nas entrelinhas ou nelas mesmas, José Nêumanne Pinto presta um definitivo desserviço à democracia -- e fere de morte a ética jornalística brasileira. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-4924028022133171752?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/4924028022133171752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/o-que-sei-de-lula.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4924028022133171752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4924028022133171752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/o-que-sei-de-lula.html' title='O que sei de Lula'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-3693935671140987852</id><published>2011-09-01T08:56:00.003-03:00</published><updated>2011-09-01T09:35:14.335-03:00</updated><title type='text'>O clube do filme</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Amiga da praia me falara cheia de entusiasmo: - "Você precisa ler &lt;em&gt;O Clube do Filme&lt;/em&gt;, é maravilhoso!" Dias depois, deparo com o livro na Cultura e me surpreende o nome do autor: David Gilmou. Mas, espera aí... O guitarrista da Pink Floyd? Não era. Trata-se de um crítico de cinema de quem - confesso - nunca ouvira falar. Mora em Tolonto, no Canadá, trabalhou no Festival Internacional do Cinema de lá e atualmente apresenta programa de tevê sobre a sétima arte. Compro o livro e, sentado a uma poltrona da própria livraria, leio as primeiras páginas. Não consegui mais largar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro narra uma história real vivida por David. Desempregado, separado da mulher, sem dinheiro e atravessando, por motivos óbvios, um verdadeiro inferno astral, David tem pela frente mais um grande problema para resolver: o filho Jesse, 15 anos, acumula reprovações escolares em todas as disciplinas. É aí que o pai tenta a saída inusitada: o filho pode abandonar os estudos, desde que, em contrapartida, passe a ver obrigatoriamente três filmes por semana. Detalhe: com o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história seduz você de cara, simples e maravilhosamente bem contada como havia tempos não via de um autor inédito, pelo menos para mim. Não bastasse o enredo extremamente curioso, &lt;em&gt;O Clube do Filme&lt;/em&gt; tem um jeito levíssimo de falar de filmes, o que não requer, pois, que o leitor seja um expert no assunto. Começa com um dos filmes da minha adoração, &lt;em&gt;Os Incompreendidos&lt;/em&gt;, de François Truffaut, com que o pai-cinéfilo inicia o filho no mundo de sonhos do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O método deixa na poeira muita teoria sobre a verdadeira razão de ser da escola. Enquanto se divertem, assim, pai e filho procuram tirar dos filmes a que assistem o que há de fundamental em cada um deles, na perspectiva da forma e do conteúdo. De Truffaut, por exemplo, vem o gancho para discutirem o futuro de um adolescente que larga os estudos para enfrentar a vida sozinho. Com isso, como num milagre de que só a grande arte é capaz de operar, estão abertas para o pai as portas do existe de mais profundo na alma de um filho. Está selada a verdadeira amizade entre pessoas de mundos diferentes, mas igualmente carentes de afeto e entrega espiritual. Bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse discutir com leveza e encanto o que há de mais representativo de alguns filmes memoráveis, de &lt;em&gt;A Doce Vida&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;Instinto Selvagem&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;Os Reis do Iê, Iê, Iê&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;O&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Poderoso Chefão&lt;/em&gt;, o livro, já nas primeiras páginas, traz uma lição imperdível para aqueles que querem se iniciar na enriquecedora e incomparavelmente agradável experiência da cinefilia: "a segunda vez que você vê uma coisa é na verdade a &lt;em&gt;primeira vez&lt;/em&gt;. Você precisa saber como a coisa termina antes de apreciar sua beleza desde o início." De resto, acho que a lição extrapola os limites do cinema. Na vida, quase sempre, também é assim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-3693935671140987852?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/3693935671140987852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/o-clube-do-filme.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3693935671140987852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3693935671140987852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/09/o-clube-do-filme.html' title='O clube do filme'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-3984136914043529318</id><published>2011-08-23T08:38:00.004-03:00</published><updated>2011-08-24T08:43:33.824-03:00</updated><title type='text'>A bela construção de um mito</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Leitor me envia e-mail com texto supostamente escrito por uma psicóloga a respeito do filme &lt;em&gt;Cazuza&lt;/em&gt;, de Sandra Werneck e Walter Carvalho. Entre outras coisas, o que se pretende um manifesto em favor da família, traz afirmações do tipo: "[...] reverenciar um marginal como ele [Cazuza] é no mínimo inadmissível." E vai além, cuspindo à direita e à esquerda expressões gratuitamente agressivas contra o poeta precocemente falecido. Chama-o, sem meias-palavras, de marginal, traficante, criminoso e outras coisas do gênero. Compara-o, reeditando afirmações de um juiz de nome Siro Darlan, com Fernadinho Beira-Mar, de quem se diferenciaria tão-somente por ter nascido na Zona Sul do Rio de Janeiro. À dada altura, comete um erro leviano de interpretação do filme ao afirmar: "Precisei conversar muito com ela [a filha com quem diz ter assistido ao filme] para que ela não começasse a pensar que usar drogas, participar de bacanais e beber até cair e outras coisas fossem certas, já que é isto que o filme mostra."(sic)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li a baboseira e fui rever o filme em DVD. Não há qualquer incitamento à vida desregrada, como quis a mãe 'aflita'. Pelo contrário, o filme mostra com honestidade a trajetória infeliz do cantor, o que, conversei sobre isso com uma filha adolescente, antes adverte os jovens para a roubada que é a droga, qualquer que seja. Até nesse sentido, portanto, o filme merece aplauso. É ético, responsável, decente. Mas é arte, e como tal explora em profundidade o drama humano, o realismo duro da vida de um astro. Acima de tudo, no entanto, um belo filme sobre a música, com algumas sequências que merecem figurar no conjunto do que se fez de melhor no cinema brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena em que Cazuza, durante um show, depois de se desentender com Frejar (que lhe causara numa discussão um ferimento sério), sob o efeito mágico da música, beija-o, como se nada houvesse ocorrido, é uma lição sobre o perdão, de amor a amizade e o que ela representa na vida dos homens. Ou outra, quando dá um beijo no garçom para agradecer por levar à mesa o AZT que a mãe lhe enviara. Com rigor estético, é esse menino intenso, visceral e docemente perdido que o filme nos apresenta. Não outro, o marginal criminoso do tal manifesto em defesa da família. A cena em que Cazuza e o pai, já na fase da agonia do artista, choram abraçados, compulsivamente, é uma aula de psicologia sobre o afeto e a dor que, nas circunstâncias do filme, parece unificar os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direção de arte, a poesia que emana dos diálogos, por pesados que sejam num e noutro momento do filme, a iluminação que beira a perfeição e a beleza da trilha, que se confunde em diegese e extradiegese* com a mesma força e o mesmo encanto, são elementos arrebatadores, de um romantismo grandioso, que nada justifica a leitura ingênua (mal-intencionada?) da psicóloga carioca. Para não falar do roteiro, que busca com correção acompanhar a dramática trajetória percorrida pelo jovem poeta. E consegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, aliás, a montagem é irrepreensível, os planos têm a duração precisa, as cenas obedecem a um critério narrativo incomum para filmes do gênero, nos quais o dinamismo das tomadas e o movimento vibrante das imagens quase sempre dificultam o perfeito entendimento do argumento. A tudo, soma-se a interpretação brilhante de Daniel Oliveira e Marieta Severo nos papeis principais. Como observou Caetano Veloso, à época do lançamento, sobre o filme, com &lt;em&gt;Cazuza &lt;/em&gt;o Brasil "soube dar consistência à construção de seus mitos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* Diz-se diegético, quando está dentro da história. Os shows de Cazuza, durante o filme, por exemplo. Extradiegético, quando apenas ilustra a imagem como trilha sonora do filme.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-3984136914043529318?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/3984136914043529318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/08/bela-construcao-de-um-mito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3984136914043529318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3984136914043529318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/08/bela-construcao-de-um-mito.html' title='A bela construção de um mito'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-803841112761234658</id><published>2011-08-18T09:51:00.006-03:00</published><updated>2011-08-18T14:35:25.270-03:00</updated><title type='text'>De volta à escuridão</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Sinto decepcioná-los, mas minha consciência manda revelar: ando um tanto apaixonado pela música de Amy Winehouse. Antes de parar para escrever esta coluna, fiz minhas as palavras da cantora inglesa numa entrevista que li há pouco: "Oh, meu Deus... O que há de errado comigo? Tem (sic) alguma coisa errada comigo." Pois é. A insistência das execuções no rádio e na tevê, desde sua morte há coisa de um mês, mais o estímulo da minha filha Carol, que sempre a admirou muito como cantora, fizeram-me atentar para a qualidade musical do seu trabalho e, acima de tudo, a força dramática de sua interpretação. Impressionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse a tristeza que é saber da morte de uma jovem talentosa (e de forma revoltante), o que, por si só, já comove o coração da gente, com o passar dos dias - reforço! -, fui percebendo o que a obra da cantora, interrompida tão prematuramente, representava do ponto de vista estético. Daí a querer saber um pouco mais sobre ela, como foi sua vida, que tipo de educação recebeu dos pais, como dizia a minha mãe, 'foi um pulo'. E logo me descobri lendo o que me chegava às mãos sobre Amy, assim, com muita intimidade. Amenidade à parte, na contramão do que sempre achei que ocorresse aos jovens vitimados pela droga, Amy Winehouse teve uma vida familiar tranquila, sem traumas vindos da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela nasceu e cresceu numa família israelita, em Southage, nos arredores de Londres. Tinha com o pai uma relação carinhosa, um pouco menos com a mãe, a quem descreve como fria diante da sua presença: - "Quando eu era pequena, se entrasse num cômodo em que meu pai estava, ele me beijava e fazia carinho. [...] ela era um pouco menos", disse, já adulta. A imprensa, aqui se excluindo os tabloides sensacionalistas, deu a ver que, por trás do mito, nada houve de muito anormal que pudesse levar Amy ao desajuste psicológico que marcaria tragicamente seus últimos dias. Fala-se, e é este o argumento mais aceitável, que teve uma vida amorosa complicada, sob o domínio de um psicopata por quem teria sido apresentada às drogas. Nada disso importa mais, Amy Winehouse morreu da forma mais revoltante, aumentando a constelação dos astros atormentados que cairam na mesma roubada, a exemplo de Hendrix, Joplin e Holiday.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que tenho ouvido muito a sua música, em casa, no carro, a caminho do trabalho, em todos os lugares em que um pouco de música e um coração pulsando nos ajudam a tocar a vida, a vivê-la com mais amor e da forma mais saudável. Como em milagre, a mesma música que não foi o bastante para aliviar as dores e a falta de esperança de uma jovem tão bonita, sensível, vibrante como a autora das belíssimas &lt;em&gt;Love is a losing game&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Back to black. &lt;/em&gt;Agora, Carol, filha querida..., agora entendo por que Amy Winehouse, com sua voz, cobriu o mundo como um tsunami. Que pena que tudo tenha terminado assim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-803841112761234658?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/803841112761234658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/08/de-volta-escuridao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/803841112761234658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/803841112761234658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/08/de-volta-escuridao.html' title='De volta à escuridão'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6209329687619370672</id><published>2011-08-09T10:53:00.002-03:00</published><updated>2011-08-09T15:55:20.582-03:00</updated><title type='text'>Benignos com o amor</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;A propósito da crônica &lt;em&gt;Perdas e Danos&lt;/em&gt;, publicada há coisa de uns quinze dias neste espaço, leitora envia a seguinte mensagem: - "Dessa vez foi benigno com o amor, mais do que com a coisa amada. O &lt;em&gt;sfumato&lt;/em&gt; se dá com o objeto amado, já com o amor..." (sic). O texto dela, como se vê, embora reticente e 'estiloso', é de uma pertinência que bem revela a delicadeza e a sensibilidade da leitora, seja ela quem for. Vejamos: em que pesem as reticências, a lógica do significante textual remete a uma afirmação absolutamente correta, "Esquece-se a pessoa amada, nunca o amor." Assino embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, observando uma praxe da prática jornalística, que admite sempre que o leitor de agora pode desconhecer o texto anterior, resumo o que dizia a tal crônica sobre a cena final do filme &lt;em&gt;Perdas e Danos&lt;/em&gt;, de Louis Malle. A imagem desfocada da mulher que foi amada um dia, aos olhos de quem superou a dor, é uma metáfora do esquecimento, que o tempo impõe, felizmente, aos que não foram felizes no amor. O comentário da leitora, assim, insisto, não nega o que está na crônica, mas enriquece o seu texto, quando afirma, embora de forma reticente: nunca se esquece o amor, se ele foi grande um dia. Bate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na coluna da semana passada, por coincidência, citávamos Quintana, o poeta: "Que importa se só restaram cinzas, se a chama foi alta e bela?" Parabéns, leitora, você foi no nevrálgico da questão. É que a pessoa, vemos com os olhos, o amor, com o coração. Um dia, no &lt;em&gt;happy hour&lt;/em&gt; de um barzinho, no semáforo da esquina, na mesa de canto de um restaurante..., assim, sem que esperássemos, deparamos com a pessoa por quem fomos capazes de morrer um dia. E, no entanto, como na imagem do filme de Malle, já não a reconhecemos com as mesmas qualidades que possuia o objeto do nosso amor. Mas, do amor, nunca nos esquecemos. Ele vai ter, num escaninho da memória, um lugarzinho que é só dele, onde ficará para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bom que é assim e não de outra maneira. A cada nova relação, uma nova chance de ser feliz no amor. O que não é saudável, como num filme de Rohmer*, é que se fique escravo do que passou, por mais inesquecíveis que tenham sido as coisas que se viveu a dois. A vida muda, como as penas do pássaro, a roupagem da flor, ou, como dizia Déborah, um ex-amor, até mesmo a beleza dos corpos, em fino pó que não tem cor. Rima à parte, é isso, minha cara leitora. Sejamos benignos com o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Refiro-me ao cineasta francês Eric Rohmer, especialista em discutir a fé desesperada na possibilidade de reencontro com o amor perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6209329687619370672?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6209329687619370672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/08/benignos-com-o-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6209329687619370672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6209329687619370672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/08/benignos-com-o-amor.html' title='Benignos com o amor'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6888089070417259876</id><published>2011-08-04T16:53:00.002-03:00</published><updated>2011-08-04T16:55:25.366-03:00</updated><title type='text'>O amor que não se acaba</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 8pt;font-size:78%;" &gt;Que importa restarem cinzas, se a chama foi bela e alta?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 8pt;font-size:78%;" &gt;(Mário Quintana)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os gestos de amor me comovem. Por isso me comoveu tanto a leitura do romance &lt;em&gt;O Ostensório do Amor&lt;/em&gt;, o novo livro de Mary Anne Bandeira. Por que a obra dela, para além das muitas outras qualidades que tem, é, antes de qualquer outra coisa, isto: um gesto de amor. Li-o de um folego, assim numa entrega absoluta de corpo e de espírito. E fechei o livro, passada a última folha, com o coração exultando de contentamento. Não lembro de outra obra que venha em momento tão oportuno, para reacender lembranças e gratidão que o tempo, impiedosamente, vai apagando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi a autora desse belíssimo &lt;em&gt;O Ostensório do Amor &lt;/em&gt;crescer. Minto. Cresci ao seu lado, na convivência saudável de nossa infância na vida vidinha do interior, de um Iguatu que já não existe, que é apenas, como quis o poeta, "um retrato na parede. Mas como dói."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro, num estilo que está a meio caminho entre a biografia e o romance propriamente dito, foi escrito com tamanha elegância e com tal domínio de linguagem para o que se propôs, que, tendo-o às mãos, a exemplo do que me ocorreu há pouco, não se consegue deixar de percorrer as suas 209 páginas, até darmos com o fecho certeiro com que Mary Anne encerra a sua comovente história, afirmando, sobre o protagonista, aquilo que todos sabem: Aluísio Moreira "em algum lugar do universo está vivo no amor de Deus."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num detalhe de uma vida tão rica e tão exemplar, na breve narração de um fato, nos vários depoimentos que o livro resgata, vamos compondo e recompondo as nossas recordações do professor Aluísio Moreira, esse homem iluminado, essa bondade personificada com que tive a alegria de estar tantas vezes, como colega de trabalho e como amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de amor de Aluísio e Íris, irmã de Mary Anne, precisava ser mesmo contada, assim como o fez a talentosa prima, amiga e conterrânea. Seu texto flui, sem outra preocupação que não seja a de ser verdadeiro, fiel aos fatos e honesto para com as pessoas que aparecem numa ou noutra página, e que tiveram o privilégio de fazer parte da vida desse casal admirável. Um homem e uma mulher unidos por fortes laços emocionais, pelo poder do amor e da fé. Dois seres que nem mesmo a morte foi capaz de separar: por isso, como está no livro, decorridos tantos anos, Íris "arruma-se e perfuma-se como se fosse para ele, ainda bela!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bela, como será para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6888089070417259876?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6888089070417259876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/08/o-amor-que-nao-se-acaba.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6888089070417259876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6888089070417259876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/08/o-amor-que-nao-se-acaba.html' title='O amor que não se acaba'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8697892519652148478</id><published>2011-07-31T09:51:00.001-03:00</published><updated>2011-07-31T09:51:45.781-03:00</updated><title type='text'>A mensagem de Wagner Tiso</title><content type='html'>&lt;div dir='ltr'&gt; Do leitor e amigo Hilton Holanda vem o documento do YouTube com o vídeo da cerimônia de encerramento dos Jogos Mundiais Militares, realizados na cidade do Rio de Janeiro. Mais precisamente, aliás, a apoteótica apresentação do hino nacional brasileiro&amp;nbsp;pelos músicos Wagner Tiso, que assina o arranjo (belíssimo), Antonio Adolfo, Amilton Godoy, Nelson Ayres, João Carlos de Assis Brasil e&amp;nbsp;Artur Moreira Lima. De arrepiar, literalmente!&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Refeito da emoção, que havia tempos não sentia diante de uma execução do hino nacional, um tanto vulgarizado nos campos de futebol (quase sempre mal cantado ou apresentado em frações), ocorreu-me lembrar os tempos do arbítrio, quando&amp;nbsp;naturalmente associávamos a execução da peça&amp;nbsp;aos maus-tratos impostos, pelos militares,&amp;nbsp;a estudantes, intelectuais e artistas brasileiros durante&amp;nbsp;a longa noite. Era o tempo do "ame-o ou deixe-o" e do "pra frente Brasil" impulsionado pela tortura e pela execução de tantos filhos da terra amada. O que não pode a democracia, que milagre não é capaz de operar a liberdade?&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Pois bem. A transformação teve início com a campanha pela diretas, os inesquecíveis comícios Brasil afora, do Rio e de São Paulo, particularmente, quando a guerreira Fafá de Belém cantou, em praça pública e em um dos seus discos,&amp;nbsp;pela primeira vez, o nosso hino a partir de uma arranjo 'modernoso' que emocionou o&amp;nbsp;país inteiro e trouxe o sentimento pátrio de volta aos corações brasileiros. O despertar do gigante adormecido.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; A apresentação desses gênios da música clássica, com direito a inovações ousadas e interpretação originalíssima da composição de Francisco Manuel da Silva, nas circunstâncias de um evento militar, como que repagina não apenas uma combinação sonora do original conhecido. Vai muito além disso: traz em si o grito de protesto contra um estado de coisas que, mesmo num país diferente quanto o Brasil de hoje, de que nos orgulhamos todos,&amp;nbsp;não se deve esquecer. Sem revanchismo, é certo, mas imbuídos da consciência de que o preço dessas conquistas terá sido muito alto. É a mensagem de Wagner Tiso.&amp;nbsp;E&amp;nbsp;a razão por que o 'presente' do amigo Hilton Holanda me emocionou tanto.&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8697892519652148478?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8697892519652148478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/mensagem-de-wagner-tiso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8697892519652148478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8697892519652148478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/mensagem-de-wagner-tiso.html' title='A mensagem de Wagner Tiso'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-3714997341447308070</id><published>2011-07-27T15:54:00.004-03:00</published><updated>2011-07-30T08:18:51.451-03:00</updated><title type='text'>Eros e Tanatos</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Assim como pode ensejar a curiosidade, ampliando as chances de mercado, um título pode também afastar o público -- ou segmentos mais exigentes dele. É o que aconteceu com &lt;em&gt;Fatal&lt;/em&gt;, o filme de Isabel Coixet, com Penélope Cruz e Ben Kingsley. Eu mesmo vinha empurrando com a barriga a oportunidade de vê-lo, embora frequentemente provocado pelo cinéfilo e amigo Sérgio Porto. Que bela surpresa. Essa semana vi-o na tevê e, ato contínuo, fui à Livraria Cultura a fim de adquiri-lo para minha coleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo é simples: professor universitário de literatura se envolve com uma aluna trinta anos mais nova. O que poderia ser apenas uma pequena aventura entre um homem experiente e uma jovem babando de admiração pelo talento dele, torna-se uma relação madura e cheia de encanto. O sujeito renova-se, renasce para o sempre prodigioso milagre da paixão, que julgara coisa do passado. Ama-a perdidamente e é sinceramente correspondido, até que, influenciado por um amigo confidente, um poeta interpretado à perfeição por Dennis Hopper, toma a decisão de romper com a relação, temeroso de que viesse a sair machucado dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça sofre horrores com o fim do namoro, mas, sentindo-se rejeitada, encontra forças para tentar levar a vida sem ele. Dois, três anos depois, quando a história parecia encerrada, Consuella (como se chama) recebe de seu médico a notícia desconcertante: está com um câncer de mama avançado e a mastectomia marcada para poucos dias depois. É aí que decide procurar David Kepesch, o professor e ex-amante, na desesperada busca de encontrar nele o apoio de que necessita para enfrentar a doença e a proximidade da morte. Eros e Tanatos, a eterna luta entre os sentimentos de amor e morte, matéria de que se vale recorrentemente a cineasta Isabel Coixet, de cuja filmografia já vira &lt;em&gt;Minha vida sem mim&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A vida secreta das palavras&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o tempero que estava faltando para o filme ganhar em densidade dramática e, acima de tudo, poética. Os dois se amam outra vez, e a cena em que Consuella pede a David para fotografá-la, nua, antes que lhe retirem a mama, é de uma beleza inesquecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No hospital, depois da cirurgia, enquanto duas lágrimas serenamente lhe correm pela face, ela indaga: - "Você ainda vai me querer, agora que não sou mais bonita?" Ele lhe diz: - "Hipólita, a rainha das amazonas, tirou o seio direito para atirar com mais destreza suas setas. E ela era deslumbrante. Você lembra de minha primeira aula?" Eu lembro de tudo, ela responde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-3714997341447308070?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/3714997341447308070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/o-belo-drama-de-isabel-coixet.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3714997341447308070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3714997341447308070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/o-belo-drama-de-isabel-coixet.html' title='Eros e Tanatos'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5259899240947670180</id><published>2011-07-24T09:34:00.001-03:00</published><updated>2011-07-24T09:34:20.738-03:00</updated><title type='text'>Errata</title><content type='html'>&lt;div dir='ltr'&gt; Amigos: a versão on-line do livro "Depoimentos", disponibilizada na internet, apresenta erros de digitação (com repercussão gramatical) graves. Desculpo-me e avanço-lhes que&amp;nbsp;o texto&amp;nbsp;corrigido, a sair em versão impressa, revisada, também estará na internet por esses dias. Nela, fotos que documentaram a experiência dessas memórias. Enquanto isso, aos que me honram com sua leitura, peço que levem este registro em consideração, pelo que, mais uma vez, deculpo-me!&lt;BR&gt; Abração!&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5259899240947670180?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5259899240947670180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/errata.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5259899240947670180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5259899240947670180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/errata.html' title='Errata'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5493672278102842250</id><published>2011-07-19T10:22:00.002-03:00</published><updated>2011-07-19T17:51:27.256-03:00</updated><title type='text'>Perdas e danos</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;O último plano de &lt;em&gt;Perdas e danos&lt;/em&gt;, o belo filme de Louis Malle, mostra a atriz Juliette Binoche desfocada, intencionalmente desfocada. É que o diretor lançou mão do que, em linguagem cinematográfica, chama-se de "câmera subjetiva". O recurso é utilizado para mostrar o ponto de vista de uma personagem. No caso, a personagem é Stephen Fleming, um integrante do parlamento inglês, com reputação intocável, que vive uma experiência amorosa que o leva à ruína. E onde entra a questão da câmera subjetiva? Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois de terminada a relação, que o levara a viver um drama pessoal de proporções monstruosas, Fleming (Jeremy Irons) encontra Anna, a ex-amante, num aeroporto. Diz ele, "ela não era nada diferente de outra qualquer". É aí, pois, que entra a genialidade de Malle, o diretor do filme. Na cena final, fixando o olhar numa foto dela na parede, Fleming não a vê mais com nitidez, a imagem aparece esgarçando-se. É que as lembranças da mulher por quem fora capaz de mergulhar de cabeça, numa história de amor e sexo que jamais pensara terminar um dia, foram perdendo o foco, tornando-se vagas como a imagem dela que visualiza no presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida dos amantes, é assim. A imagem fora de foco, que na arte serviu para interesses da subjetividade narrativa, vai surgir um dia. E aos poucos, tentamos fixar em pensamento a imagem do objeto amado. Mas a imagem da pessoa, por quem juramos dar os dedos das mãos, por quem seríamos capazes de dar as mãos... vai se apagando, lentamente, como a imagem de Anna na sequência final de &lt;em&gt;Perdas e danos&lt;/em&gt;. E você demora um tempo para entender isso, para compreender que a pessoa "não era nada diferente de outra qualquer". É que os olhos dos amantes veem aquilo que não se pode ver, o que nunca existiu na proporção exata da nossa imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse 'apagamento' da imagem, que os pintores da Renascença chamavam de &lt;em&gt;sfumato&lt;/em&gt;, vai eliminando as linhas do contorno, e o que vemos, agora, é apenas uma mancha, como se estivéssemos perdendo a perfeita visão das coisas. E, no entanto, é o contrário disso. Estamos retornando à realidade. De olhos vazados, é que Édipo pôde ver com clareza o que lhe reservara o destino. E, assim, reconstruir aquilo que a paixão destroçara. Como Fleming, na solidão e no abandono do seu quarto, depois de tantas "perdas e danos". A vida, para ele, vai recomeçar ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5493672278102842250?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5493672278102842250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/perdas-e-danos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5493672278102842250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5493672278102842250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/perdas-e-danos.html' title='Perdas e danos'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8493957347066087352</id><published>2011-07-16T09:09:00.004-03:00</published><updated>2011-07-16T19:14:57.694-03:00</updated><title type='text'>Meia-noite em Paris</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Fui com o Saulo ver &lt;em&gt;Meia-noite em Paris&lt;/em&gt;. Wood Allen reedita seus melhores momentos, bem na linha do realismo mágico de &lt;em&gt;A rosa púrpura do Cairo&lt;/em&gt; (1985) e &lt;em&gt;Neblinas e sombras &lt;/em&gt;(1991), dois dos seus filmes de que mais gosto. O melhor, para este humilde cinéfilo, continua sendo &lt;em&gt;Interiores. &lt;/em&gt;Mas aí são outros quinhentos, coisa de todo bergmaniano que se preza. Voltemos a Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Um amigo francês de gosto apurado não falara bem do filme e fui ao cinema meio sem graça. Qual não foi a minha surpresa: Allen volta, na minha opinião, aos seus melhores momentos. Trata-se de uma comédia com pitadas de drama extremamente engenhosa. Imagine um roteirista de tevê -- com vaga inclinação para a grande literatura -- poder voltar a Paris dos anos 20 e passar a conviver intimamente (e por obra do acaso) com monstros sagrados da Arte, como Picasso, F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Cole Porter, e Luis Buñuel. É o que acontece com americano Gil, que visita com a mulher, Inez (Rachel McAdams), e a família dela, a capital francesa, onde pretende morar por uns tempos, sob os ares inspiradores da cidade em plena Belle Époque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme realiza de um plano a outro a viagem deslumbrante a essa cidade diferenciada, entre outras razões, por ser o exemplo mais convincente de que modernidade não quer dizer destruição do antigo em favor do novo. Eis a razão por que Allen fez um filme relativamente barato, uma vez que o cenário é o mesmo para momentos históricos tão diferentes, sobremaneira nas locações onde se veem aqueles espaços mágicos por onde transitaram alguns dos maiores gênios da pintura, da literatura, da música e do cinema, na sequência dos nomes citados acima. Nenhuma outra cidade possibilitaria ao cineasta americano ir de um tempo a outro num piscar de olhos e ter 'prontinho' para a ambientação das cenas este cenário deslumbrante que é Paris, sobremaneira à noite, quando a narrativa desfila por quase todo o longa-metragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto é fantástico, a direção dispensa comentário e o desempenho dos atores, mesmo dando-se algum desconto à ponta reservada à senhora Sarcozy, Carla Bruni, é notável. É aí que Marion Cotillard rouba a cena na pele de Adriana, uma estudante de alta costura que namora Picasso. Sua atuação sobressai pelo absoluto domínio do papel e pela naturalidade com que dá realce à sensualidade estonteante de que é possuidora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não falar da beleza sem igual da cidade. As tomadas de Montmartre à noite, sob uma chuva que só realça o magnetismo romântico que a cidade encerra, são de uma plasticidade indizível. É ir ao cinema ou esperar que o último Wood Allen saia em DVD, o que está anunciado para as próximas semanas. Nada que se compare, no entanto, àquelas imagens inesquecíveis que só a tela grande é capaz de mostrar com absoluta exatidão. Um belo filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8493957347066087352?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8493957347066087352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/meia-noite-em-paris.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8493957347066087352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8493957347066087352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/meia-noite-em-paris.html' title='Meia-noite em Paris'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-702045324682779722</id><published>2011-07-07T10:22:00.003-03:00</published><updated>2011-07-10T08:16:13.886-03:00</updated><title type='text'>Sobre encontros e reencontros</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Leitor tece considerações elogiosas ao site e diz que, como cinéfilo, tem aproveitado muitas das crônicas publicadas sobre cinema para ver filmes aqui recomendados. Lamenta o fato de morar "no interior, onde as locadoras não têm a preocupação de comprar filmes &lt;em&gt;cults (sic&lt;/em&gt;)." Pede, ainda, que escreva sobre cinema com mais frequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecendo pela gentileza do elogio, meu caro A.L., gostaria de começar por um comentário esclarecedor: não tem sido intencional a escolha de filmes que possam, adequadamente, receber o rótulo de &lt;em&gt;cult&lt;/em&gt;. Acho mesmo que não é um selo muito preciso, não dizendo, por isso, da qualidade rigorosamente estética do filme. &lt;em&gt;Cult&lt;/em&gt;, para a crítica especializada, é qualquer filme que se notabilize, entre outras coisas, pela excentricidade e que, independentemente de suas qualidades artísticas, venha a cair no gosto 'apaixonado' de um grupo de fãs. Nada a ver, portanto, com o que a palavra pode sugerir: trabalho de elevado nível, próprio para um público 'A' (se é que existe isso!). Nesse sentido, pois, para exemplificar, há filmes que conquistam admiradores por suas fragilidades estéticas. É o caso daquela afirmação popular que tantas vezes escutamos: "É tão ruim, que é bom." Brincadeira à parte, prefiro, todavia, dar atenção ao &lt;em&gt;cult&lt;/em&gt; que é cultuado por suas qualidades inquestionáveis. Eu, por exemplo, adoro &lt;em&gt;Cinema Paradiso&lt;/em&gt;, obra que conquistou, mundo afora, fãs ardorosos, de carteirinha. Atendendo seu pedido, falemos de cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas livrarias, ainda quentinha, uma nova e bem cuidada edição do livro &lt;em&gt;Jean Vigo&lt;/em&gt;, de Paulo Emílio Sales Gomes. Um box, para ser mais preciso, com dois volumes e dois DVDs com o conjunto da obra do cineasta francês que morreu aos 29 anos. Aqui, leitor, fica um exemplo claro do que sejam os filmes &lt;em&gt;cult&lt;/em&gt;: a obra de Vigo (pronuncia-se Vigô) é de altíssima qualidade artística, embora seus filmes sejam 'toscos' esteticamente falando, cheios de imperfeições e limitados enquanto linguagem cinematográfica. Não obstante, belos, carregados de poesia e densos politicamente falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomendo, até por ser mais acessível em qualquer grande locadora, &lt;em&gt;Atalante&lt;/em&gt; (1934). Narra a história de dois jovens recém-casados que passam a morar numa chalana, em razão de o rapaz viver das atividades fluviais. A moça, não tarda, fica ensimesmada em face da monotonia e desconforto de sua vida de casada. Certo dia, tendo o marido atracado às margens do Sena, em Paris, dá uma escapulida e depara com os encantos da grande cidade. Logo conhece um moço que a seduz com duas palavras e que a leva a decidir por romper com o casamento. O marido resolve partir na companhia de seus dois empregados, tomado da típica depressão dos amantes rejeitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para não trair a curiosidade de todo bom cinéfilo, leitor, devo concluir dizendo que o filme é uma obra de arte, um filme &lt;em&gt;cult&lt;/em&gt;, para voltar ao tema da coluna de hoje. Fique claro: isto por ter feito uma legião sem medidas de fãs pelo mundo afora. Há, hoje, uma verdadeira unanimidade em torno de L`&lt;em&gt;Atalante. &lt;/em&gt;Uma pena saber que, morrendo tão jovem, Jean Vigo não tenha podido produzir outros grandes filmes, a exemplo desse belíssimo &lt;em&gt;cult&lt;/em&gt; sobre a perda e a reconquista de um grande amor. Desculpo-me por revelar o final do filme.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-702045324682779722?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/702045324682779722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/sobre-perda-e-reconquista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/702045324682779722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/702045324682779722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/07/sobre-perda-e-reconquista.html' title='Sobre encontros e reencontros'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1438786053702083878</id><published>2011-06-30T10:10:00.002-03:00</published><updated>2011-06-30T15:45:43.414-03:00</updated><title type='text'>Por toda a minha vida</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr"&gt;Em &lt;em&gt;Desconstruindo Harry&lt;/em&gt;, um dos seus filmes mais interessantes, Woody Allen tem uma fala que acho maravilhosa, para não dizer que me parece profunda. Diz ele: - "As palavras mais belas da língua não são 'eu te amo'. São: 'É benigno'." Lembrei dela por força de uma conversa que tive ontem com o Ernesto, essa mistura de &lt;em&gt;alter ego &lt;/em&gt;e anjo protetor que já me acompanha, faz um tempo, nas crônicas que escrevo. Pois bem, o Ernesto, depois de tentar transformar um amor em amizade, chegou a uma conclusão que me soa óbvia: Ao final de uma relação passional é preciso um tempo para se voltar a ser apenas amigo. Isto, Ernesto! Um tempo, de que nem sempre se pode prever a extensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E onde cabe a tal "benignidade", essa indulgência para a culpa alheia de que nos falou Allen? Nunca há culpados. No caso do Ernesto, que não teve seu amor correspondido, em pedir, com uma ternura que lhe é típica, que os dois se dessem um tempo em silêncio. Até que a chama do amor apaque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso do meu amigo é antigo e não é a primeira vez que me reporto a ele, a essa dolorosa travessia que já dura, quando menos, uns três anos. Foi objeto de uma crônica em que este escriba se reporta à decisão do Ernesto de nunca mais querer amar alguém -- "Vai pintar paixão, estou fora!", diz ele, sempre que lhe perguntam sobre a possibilidade de um novo amor. Sem mais delongas: Ele me dizia, entre um chope e outro, ter criado coragem para pedir a ex que lhe desse um tempo, que parasse com e-mails e eventuais telefonemas. Agiu com correção, foi benigno, dessa vez muito mais com o amor do que com a coisa amada, o que é, como no filme de Woody Allen, muito mais belo do que dizer, simplesmente, "eu te amo!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caminho de casa, passaram-me pela mente alguns dos muitos filmes e romances que tratam do tema, trechos de música, poemas etc., que eternizaram essa experiência tão difícil dos que, a exemplo do amigo, não tendo o amor correspondido, pedem um pouco de paz para curtir a sua dor: "Tire o seu sorriso do caminho / Que eu quero passar com a minha dor / Se hoje pra você eu sou espinho / Espinho não machuca a flor / Eu só errei quando juntei minh'alma à sua / O sol não pode viver perto da lua". Ah, que belo e clássico e triste samba de amor escreveram Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito sobre o tema!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, meu camarada e meu irmão, não se deve alimentar para sempre "a eterna desventura de viver / à espera de viver ao lado teu / por toda a minha vida", já dizia o poeta que você eu admiramos tanto. Beijo, querido, nesse bom coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1438786053702083878?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1438786053702083878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/por-toda-minha-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1438786053702083878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1438786053702083878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/por-toda-minha-vida.html' title='Por toda a minha vida'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6641186687532165115</id><published>2011-06-23T09:22:00.001-03:00</published><updated>2011-06-23T09:22:26.278-03:00</updated><title type='text'>Dedos de prosa sobre futebol</title><content type='html'>&lt;div dir='ltr'&gt; Como todo botafoguense que se preza, entra ano sai ano, escolho o time da minha ojeriza&amp;nbsp; --&amp;nbsp; aquele capaz de roubar um pouco o brilho inconfundível da estrela solitária. De uns tempos para cá, é o Flamengo que tem polarizado conosco, uma vez que a força alvinegra, de forma realmente competitiva,&amp;nbsp;tem limitado a sua ação ao Campeonato Carioca. Nos bons tempos, no entanto, que já vão ficando longínquos&amp;nbsp;para além da conta, era o Santos Futebol Clube que&amp;nbsp;disputava conosco as&amp;nbsp;glórias em 'medidas' nacionais. Se tínhamos Garrincha e Nilton Santos, o peixe tinha Pelé e Coutinho. Dessa época, sou capaz de jurar, só me lembro das transmissões radiofônicas, ainda menininho. Pouco depois, porém, já acompanhando pelos videoteipes, o Santos ainda contava com Pelé em seus áureos tempos, e nós, os botafoguenses, com Jairzinho e Gérson, o Canhotinha de Ouro de que jamais vamos esquecer.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Lembro que marcávamos com caneta, na tabela que a &lt;EM&gt;Revista dos Esportes&lt;/EM&gt; divulgava, no início do Campeonato Brasileiro, que à época se chamava Roberto Gomes Pedrosa, a data em que os gigantes iam se enfrentar. Roíamos unha meses seguidos, até que chegasse o grande dia. Sem faltar com a verdade, acreditem, saíamos quase sempre em vantagem. Era lá pelo fim dos anos 60 e guardo de&amp;nbsp;memória as&amp;nbsp;duas escalações: O time paulista vinha de Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel e Rildo; Clodoaldo e Lima; Manuel Maria, Toninho Guerreiro, Pelé e Edu (arre!). O Botafogo, de Cao, Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto, Jair e Paulo César.&amp;nbsp;Uma máquina, como se dizia então.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Saudade à parte, estou escrevendo mesmo por uma razão que passa ao largo de General Severiano, a sede gloriosa do 'meu amor de chuteiras', que me permitam parodiar Nelson Rodrigues, que era Fluminense de quatro costados. Faço-o, que o tempo torna os nossos corações&amp;nbsp;mais gelatinosos, para aplaudir a nova geração de craques do Santos Futebol Clube, que, ontem à noite, desbancou o valente time do Peñarol e conquistou, pela terceira vez, a Taça Libertadores da América. Vamos e venhamos: essa garotada devolveu ao futebol brasileiro a alegria perdida, e, hoje, numa proporção ou outra, nos tornamos todos torcedores do Santos, Neymar e Ganso à frente, esses duplos genais de Pelé e Gérson.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Não é de dar gosto ver? O que Neymar vem fazendo com a bola nos pés, é muito mais que jogar futebol. É uma dança espanhola. Ele golpeia o chão como fazem com o tacão de suas botas os dançarinos andaluzes para marcar o ritmo do bailado. O movimento dos corpo e das mãos, a expressão do rosto e a contorsão estilizada dos punhos, a leveza do estilo, lembram muito mais a técnica do sapateado de um sevilhano. Estética pura.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; E Ganso, o que dizer desse Apolo de chuteiras? A elegância no trato com a bola, o andar de uma garça no cio, a precisão do passe, a visão holística do espaço e do tempo? Ocorre-me recordar, guardadas algumas diferenças sutis do estilo, um Pedro Rocha, um Beckenbauer, um Ademir da Guia. A vitória dos Santos, ontem, numa sucessão de muitas e importantes conquistas, significa, assim, muito mais que ser campeão de um Continente. É a arte do futebol, depois de uma longa noite,&amp;nbsp;que volta&amp;nbsp;a brilhar nos&amp;nbsp;gramados. Amém!&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6641186687532165115?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6641186687532165115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/dedos-de-prosa-sobre-futebol.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6641186687532165115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6641186687532165115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/dedos-de-prosa-sobre-futebol.html' title='Dedos de prosa sobre futebol'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5912823513420283736</id><published>2011-06-17T12:15:00.001-03:00</published><updated>2011-06-17T12:15:36.315-03:00</updated><title type='text'>"Recordar é viver"</title><content type='html'>&lt;div dir='ltr'&gt; &lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'"&gt;&lt;FONT size=3&gt;Ao mergulhar na xícara de chá o tradicional bolinho &lt;I&gt;madeleine&lt;/I&gt;, antes de levá-lo à boca, recuperando o cheiro gostoso da iguaria em sua infância, na cidade de Combray, o protagonista de &lt;I&gt;Em busca do tempo perdido&lt;/I&gt;&lt;B&gt; &lt;/B&gt;inicia a experiência milagrosa de recuperar o passado longínquo, resgatando a sua história feita de amores, ciúmes, alegrias, sofrimentos e do prazeroso encontro com a arte, compondo, assim, a identidade do narrador adulto desse livro-monumento de Marcel Proust.&lt;/FONT&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;BR&gt; &lt;DIV&gt; &lt;DIV dir=ltr&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify" class=ecxMsoNormal&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'"&gt;&lt;FONT size=3&gt;Acho que todo homem, cedo ou tarde, vive uma experiência semelhante, quase sempre quando a memória de sua vida vai se esgarçando com o passar do tempo, e suas lembranças perdendo-se entre a névoa do envelhecimento que se anuncia. É quando percebe que a vida de todos nós é feita de passado, que o que chamamos de futuro é algo improvável, que sequer sabemos se um dia vai acontecer, tornando-se uma realidade.&lt;/FONT&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify" class=ecxMsoNormal&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'"&gt;&lt;FONT size=3&gt;"Quem vive de passado é museu!" Quem nunca terá escutado o tolo chavão? E, no entanto, nem se percebe que, concluída a afirmação, isso já é passado, única possibilidade de ordem factual. Está na Fenomenologia do espírito, de Friedrich Hegel: - "O agora já deixou de sê-lo quando é nomeado, já é passado."&lt;/FONT&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify" class=ecxMsoNormal&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'"&gt;&lt;FONT size=3&gt;Desde cedo, por curioso, seduziram-me as obras que tratam da vida pretérita, biografias, autobiografias, memórias. Fascina-me o desabrochar das lembranças, o trazer à mente aquilo que se viveu, os amores, os lugares em que se esteve, os perfumes e as sonoridades, as emoções que um dia tomaram conta de nós. &lt;/FONT&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify" class=ecxMsoNormal&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'"&gt;&lt;FONT size=3&gt;Tenho o hábito de ler esses escritos. Lembro-me como foi uma experiência impactante ler o livro de Proust, ora referido. Ou &lt;I&gt;Minha formação&lt;/I&gt;, de Joaquim Nabuco; &lt;I&gt;Navegação de cabotagem&lt;/I&gt;, de Jorge Amado; &lt;I&gt;Solo de clarineta&lt;/I&gt;, de Érico Veríssimo; &lt;I&gt;Tempo morto e outros tempos&lt;/I&gt;, de Gilberto Freyre; &lt;I&gt;Meu último suspiro&lt;/I&gt;, de Luis Buñuel; &lt;I&gt;A soma dos dias&lt;/I&gt;, de Isabel Allende; &lt;I&gt;Minha vida na arte&lt;/I&gt;, de Constantin Stanislávski; &lt;I&gt;Confesso que vivi&lt;/I&gt;, de Pablo Neruda; &lt;I&gt;Minha vida&lt;/I&gt;, de Hermann Hesse e, um livro diferente no gênero, &lt;I&gt;Memórias, sonhos e reflexões&lt;/I&gt;, de Carl Gustav Jung, para falar dos que me ocorrem enquanto escrevo estas linhas.&lt;/FONT&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify" class=ecxMsoNormal&gt;&lt;FONT size=3&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'"&gt;Sou um saudosista assumido. Toca-me a etimologia do verbo recordar, do latim &lt;I&gt;recordari&lt;/I&gt;, re = novamente + cord = coração, ou seja, trazer de volta ao coração. &lt;/SPAN&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'"&gt;Sou um proustiano convicto. Provocam-me sensações incomunicáveis o cheiro inesperado de um perfume, a audição de uma música antiga, o sabor de uma comida há muito tempo experimentada. &lt;/SPAN&gt;&lt;/FONT&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify" class=ecxMsoNormal&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'"&gt;&lt;FONT size=3&gt;A chuva, o céu plúmbeo de um entardecer, o cheiro da terra molhada, os traços de um rosto, um simples gesto de alguém que passa, um movimento de mãos, e eis o passado de volta, fazendo-se presente, este "isto" impossível de que nos falou Jacques Derrida.&lt;/FONT&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify" class=ecxMsoNormal&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'"&gt;&lt;FONT size=3&gt;&amp;nbsp;&lt;/FONT&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt;&lt;/DIV&gt;&lt;/DIV&gt; 		 	   		  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5912823513420283736?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5912823513420283736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/recordar-e-viver.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5912823513420283736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5912823513420283736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/recordar-e-viver.html' title='&quot;Recordar é viver&quot;'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-2889778763063225814</id><published>2011-06-09T10:26:00.002-03:00</published><updated>2011-06-09T10:27:49.459-03:00</updated><title type='text'>Chove sobre o nosso amor</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 8pt;font-size:78%;" &gt;Aos namorados&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vejo na tevê mesa redonda sobre os motivos da separação entre casais, hoje. As razões, as de sempre. Imaturidade, o abismo entre o sonho e a realidade em seus muitos aspectos, infidelidade, ciúme etc. Um dos motivos apontados pelos debatedores aparece de forma evidenciada: as dificuldades financeiras. Este aspecto, que não raro é mesmo uma causa das crises que levam ao fim do relacionamento, contudo, a meu ver, ocorre via de regra como consequência do desgaste de outros sentimentos, a paixão à frente, que tudo passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, indagará o leitor, o que estou mesmo querendo dizer com isso? Como se diz num modismo de linguagem irritante, "então!?": Quando existe maturidade, quando existem os bons valores por que deve se orientar uma relação saudável, companheirismo, bom humor e equilíbrio para enfrentar as adversidades, que fazem parte da vida de todo casal, a falta de dinheiro não é, em si, uma razão para fazer desmoronar o sonho da felicidade a dois. Ela, a falta de dinheiro, apenas faz aflorar com mais contundência outras dificuldades, que são aquelas já muito conhecidas e que levam, sim, à separação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faz muito, pelo vidro do carro, enquanto o sinal abria, presenciei uma cena que me tocou fundo: um casal, que mora sob um viaduto aqui próximo, beijava-se à plena lua cheia, mal caía a noite de sexta-feira. A vida imitando a arte. A propósito, revendo a filmografia de Bergman, o gênio do cinema sueco, para quem o amor é invariavelmente o grande tema, dia desses assisti ao comovente &lt;em&gt;Chove sobre o nosso amor&lt;/em&gt;, o segundo de sua vastíssima produção. Que coisa linda! A película é de uma simplicidade desconcertante, contudo profunda, intensa, um filme desses para se ver e rever através dos tempos. Narra a história de David, um ex-presidiário, e Maggi, uma interiorana entregue a sua própria sorte, num mundo de insensibilidade e egocentrismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;David e Maggi encontram-se numa estação de trem numa tarde chuvosa. Apaixonam-se e decidem caminhar juntos, partilhar aquilo que possuem: a miséria e a solidão. Da experiência nasce um amor puro e doce, começa uma vida de dificuldades -- e de umas poucas conquistas. David consegue emprego, economiza parte do salário e compra uma pequena casa em que vivem felizes. Até que a especulação imobiliária, a ganância e a falta de escrúpulos, roubem dos dois o pouco que haviam construído juntos. O filme, é claro, termina com o casal perdido sob a força de um temporal, tal qual a cena de abertura em que se conheceram. A sequência final, com o casal caminhando de mãos dadas, sob a proteção de um guarda-chuva humilde, em direção ao desconhecido, é de uma força poética insuperável. Aos dois, apenas resta o amor, o que explica a beleza do título.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-2889778763063225814?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/2889778763063225814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/chove-sobre-o-nosso-amor_6764.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2889778763063225814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2889778763063225814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/chove-sobre-o-nosso-amor_6764.html' title='Chove sobre o nosso amor'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6141524785045313254</id><published>2011-06-02T20:51:00.001-03:00</published><updated>2011-06-02T20:51:08.229-03:00</updated><title type='text'>Sob o Céu de Iguatu</title><content type='html'>&lt;META name=Generator content="Microsoft SafeHTML"&gt; &lt;STYLE&gt; .ExternalClass .ecxhmmessage P {padding:0px;} .ExternalClass body.ecxhmmessage {font-size:10pt;font-family:Tahoma;}  &lt;/STYLE&gt;  &lt;STYLE&gt; .ExternalClass .ecxhmmessage P {padding:0px;} .ExternalClass body.ecxhmmessage {font-size:10pt;font-family:Tahoma;} &lt;/STYLE&gt;  &lt;STYLE&gt; .ExternalClass .ecxhmmessage P {padding:0px;} .ExternalClass body.ecxhmmessage {font-size:10pt;font-family:Tahoma;} &lt;/STYLE&gt;  &lt;STYLE&gt; .ExternalClass .ecxhmmessage P {padding:0px;} .ExternalClass body.ecxhmmessage {font-size:10pt;font-family:Tahoma;} &lt;/STYLE&gt;  &lt;STYLE&gt; .ExternalClass .ecxhmmessage P {padding:0px;} .ExternalClass body.ecxhmmessage {font-size:10pt;font-family:Tahoma;} &lt;/STYLE&gt;  &lt;STYLE&gt; .ExternalClass .ecxhmmessage P {padding:0px;} .ExternalClass body.ecxhmmessage {font-size:10pt;font-family:Tahoma;} &lt;/STYLE&gt; Vira e mexe encontro com Evaldo Gouveia no restaurante do Paulinho. Na companhia do amigo&amp;nbsp;Cícero Braz, que, além de poeta e trovador, é um grande conhecedor de música popular brasileira, ficamos horas jogando conversa fora, que é uma das coisas de que o genial compositor nunca abre mão. Evaldo é um conversador raro, desses que a gente fica ouvindo uma tarde inteira sem cansar e de cujos 'causos'&amp;nbsp;tiram-se belas lições.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Vez e outra, que ninguém tem cérebro de computador, mesmo em se tratando de um talento da estatura de Evaldo Gouveia,&amp;nbsp;Braz nos prega uma peça:&amp;nbsp;marcando o compasso e nomeando notas, cantarola uma canção não muito conhecida, mas invariavelmente bela. Ficamos, Evaldo e eu, curiosos: de quem é a composição? "É tua Evaldo!", responde o Braz jocosamente.&amp;nbsp;Nada que cause estranhamento, quando&amp;nbsp;se está&amp;nbsp;diante do mais prolífico compositor brasileiro vivo. Evaldo Gouveia tem um repertório de mais de mil músicas, razão por que, entre um guaraná e outro, se surpreende com a tessitura musical e poética de uma canção que, sem lembrar, compôs em tempos que já vão longe. Os gênios são assim.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Comenta-se que Chico Buarque, certa vez, voltou para casa de táxi por uma simples razão: esquecera onde estacionara seu carro numa rua do Rio.Tom Jobim, dizem os biógrafos, acendia um novo cigarro mal dera o primeiro trago noutro. Cabeça de artista tem muito mais com o que ficar atento. É o caso de Evaldo, de longe o maior compositor brasileiro no gênero samba-canção. "Conheço bem / tuas promessas / outras ouvi iguais a esta / este teu jeito de enganar / conheço bem."&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Vendo-o ali, à minha frente, recordando as circunstâncias em que compôs uma e outra canção, revivendo emoções que, por certo, terão marcado sua vida, fico pasmo ao&amp;nbsp;pensar no quanto não se põe cuidado na memória da música popular brasileira. Nenhum registro mais atento, nenhum interesse em documentar o que se fez de bom no cancioneiro popular, salvos uns gatos pingados nascidos em berços esplêndidos. Uma pena.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Nesse sábado, para brindar os namorados de sua terrinha, sob o céu estrelado mais&amp;nbsp;bonito que conheço,&amp;nbsp;e que viu nascer&amp;nbsp;outros dois gigantes da música, Humberto Teixeira e Eleazar de Carvalho, Evaldo Gouveia estará em Iguatu. Na bagagem, já soube, vai levando alguns dos maiores clássicos de sua lavra, gravados na voz de muitos e muitos dos nossos maiores intérpretes, como Altemar Dutra, Gal Costa, Jair Rodrigues, Alaíde Costa,&amp;nbsp;Ângela Maria, para ficar nuns poucos&amp;nbsp;&amp;nbsp; --&amp;nbsp; e não lembrar o disco&amp;nbsp;por inteiro que lhe&amp;nbsp;dedicou Cauby Peixoto.&amp;nbsp;Que, lá&amp;nbsp;pelas tantas,&amp;nbsp;os amigos me façam um brinde, no momento em que a voz inconfundível de Evaldo declinar, límpida e com o infalível afinamento, a sua canção de que mais gosto: "Tu passas pela rua / e a vida continua / e, em mim também, / esta saudade sempre tua."&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6141524785045313254?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6141524785045313254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/sob-o-ceu-de-iguatu_212.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6141524785045313254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6141524785045313254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/06/sob-o-ceu-de-iguatu_212.html' title='Sob o Céu de Iguatu'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5432748994091611689</id><published>2011-05-26T15:34:00.001-03:00</published><updated>2011-05-26T15:34:40.971-03:00</updated><title type='text'>O amor em Bergman</title><content type='html'>Em &lt;EM&gt;Cenas de um casamento&lt;/EM&gt;, obra inicialmente produzida para a televisão sueca, Ingmar Bergman discute em profundidade o casamento. Mostra a ascensão e queda do sentimento passional, como se dão os primeiros desentendimentos, como se desenvolve a crise e como a dificuldade de comunicação entre os amantes acaba por levar o relacionamento&amp;nbsp;à falência. Um belo, um belíssimo filme, com Erland Josephson e Liv Ullman interpretando à perfeição&amp;nbsp;as personagens Marianne e Johan. O filme é de 1973, e, consta, constituiu um incentivo para que o número de divórcios aumentasse vertiginosamente na Suécia e&amp;nbsp;noutros países europeus.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Num livro de crônicas, escrevi sobre essa obra maravilhosa de Bergman, algo intitulado, se não me engano, &lt;EM&gt;O amor não é necessário&lt;/EM&gt;, que, à época, levaria o deputado&amp;nbsp;Heitor Ferrer&amp;nbsp;a citá-la num pronunciamento e&amp;nbsp;a pedir sua inserção nos anais da Assembleia Legislativa.&amp;nbsp;Fora publicada em primeira mão no jornal &lt;EM&gt;O Povo&lt;/EM&gt;. Acho que a crônica agradou, particularmente, pela citação que faço de uma fala de Marianne&amp;nbsp;refletindo sobre o que é o amor. Diz ela: - "Acho que basta ser gentil&amp;nbsp;àqueles com quem vivemos. Afeto também é bom. Humor, amizade, tolerância. Ter expectativas sensatas. Tendo isso, o amor não é necessário."&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Em face da repercussão que a crônica viera a ter, fiquei pensando com os meus botões: "Poxa, como as pessoas estão mesmo&amp;nbsp;carentes do que&amp;nbsp;seria essencial em suas vidas amorosas!" O curioso é que a personagem de Bergman diz isso quando lhe começam a faltar essas coisas e o fim do relacionamento se aproxima. Tenho estudado a filmografia do cineasta sueco e procurado ver alguns dos seus grandes filmes à luz do que disse em muitas de suas entrevistas sobre o amor, quase sempre dando a ver o que terá sido a sua própria vida amorosa, com as atrizes Ingrid Bergman e Liv Ulmman, especialmente. E concluo: Bergman foi um infeliz no amor.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Agora por último, revi a continuidade de &lt;EM&gt;Cenas de um casamento&lt;/EM&gt;, um filme ainda mais poético. Intitula-se &lt;EM&gt;Saraband&lt;/EM&gt;, o último realizado por Bergman, "um poderoso e ferino rugido final de um grande homem de cinema", nas palavras de Richard Corliss, prestigiado crítico da revista &lt;EM&gt;Time&lt;/EM&gt;. Roteiro maravilhoso, atuações soberbas, o amor agora analisado sob uma nova dimensão: Trinta anos depois de separados, Marianne decide visitar Johan no seu retiro feito de solidão e velhice. No reencontro, uma das mais comoventes cenas de toda a filmografia&amp;nbsp;bergmaniana, quando Johan, pouco antes de abraçá-la carinhosamente, dirige-se a ex-mulher: - "É assim, na vida dos ex-amantes. No começo, telefonam-se com frequência, como se quisessem sofrer juntos a dor da separação. Com o tempo, deixam de telefonar. Fica só o silêncio." As mesmas palavras com que Bergman comentaria, numa de suas últimas entrevistas,&amp;nbsp;o tema da velhice e da solidão, um dos dos que soube explorar como ninguém na sua arte inconfundível.&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5432748994091611689?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5432748994091611689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/05/o-amor-em-bergman.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5432748994091611689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5432748994091611689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/05/o-amor-em-bergman.html' title='O amor em Bergman'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8946308323677351425</id><published>2011-05-19T17:25:00.001-03:00</published><updated>2011-05-19T17:25:14.356-03:00</updated><title type='text'>É isso aí...</title><content type='html'>&lt;META name=Generator content="Microsoft SafeHTML"&gt; &lt;STYLE&gt; .ExternalClass .ecxhmmessage P {padding:0px;} .ExternalClass body.ecxhmmessage {font-size:10pt;font-family:Tahoma;}  &lt;/STYLE&gt; Com o pedido de que escreva um comentário para a aba do livro, chegam-me às mãos os originais do &lt;EM&gt;É isso aí...&lt;/EM&gt;, de Elano de Paula. Trata-se de uma obra antes de tudo deliciosa, que me permitam a licença do adjetivo para falar das&amp;nbsp;propriedades de um livro. É que os textos de Elano de Paula, entre as muitas qualidades que possui (e que são numerosas!) causam, já ao primeiro contato, essa sensação&amp;nbsp;de prazer que já os diferenciam, quer se trate de conto, crônica ou mesmo narrativas mais longas, como o romance, fôrma literária em que se notabiliza por força do estilo elegante e solto.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Agora, nesse tão aguardado &lt;EM&gt;É isso aí...&lt;/EM&gt;, uma conversa por escrito, como o próprio título sugere, Elano se mostra ainda mais estilizado, no bom sentido, permitindo-se fundir tipos textuais, transitando entre a crônica e o conto com a habilidade de um especialista, recortando partes de romances inéditos ou já publicados e dando-lhes a fisionomia de histórias curtas, com a clássica linearidade e a estrutura de narrativas independentes. Um belo livro, de uma pessoa humana que admiro há muito tempo, sem que jamais lhe tenha apertado a mão. Sim, Elano e eu tornamo-nos amigos à distância, ele no Rio e eu aqui em Fortaleza. Nas vezes em que vem ao Ceará, os afazeres dele e os meus criam sempre uma dificuldade do encontro. Na última vez, convidara-me para um vinho em sua casa, mas uma viagem minha, imprevista, levou-nos a adiar o sarau literário de que participariam, ainda, alguns outros amigos comuns, entre eles o Ernesto e o "negão", o violão de que quase nunca se separa.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Pois bem. Elano foi roteirista de seriados da globo, é um artista nato, embora tenha se tornado, talvez, mais conhecido como o empresário de sucesso. É um homem de uma elegância pessoal que impressiona, já pude ver, mesmo&amp;nbsp;a distância. Seus escritos, leem-se como quem conversa numa roda de amigos. É absolutamente reservado em face de certas coisas que hoje fazem a maioria dos homens feliz, como a visibilidade que evita a qualquer custo. Irmão do cineasta Zelito Viana e do humorista Chico Anísio, detesta ser identificado por isso. E nem precisa, claro, pela identidade própria do grande artista e do grande homem que é.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&lt;EM&gt;É isso aí... &lt;/EM&gt;é um livro para ler, reler e reproduzir nas conversas entre amigos. Numa história e noutra, aflora o documental, o memorialístico, em que não raro o leitor se projeta, como num restauro de fotografia que o tempo desgastou. É o caso da crônica &lt;EM&gt;Dona Mariquinha&lt;/EM&gt;, homenagem à primeira professora, na infância em Maraguape, construído com branda e doce emoção, na medida certa, com o &lt;EM&gt;savoir-faire&lt;/EM&gt; que só os grandes cronistas possuem. Em breve.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8946308323677351425?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8946308323677351425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/05/e-isso-ai_19.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8946308323677351425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8946308323677351425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/05/e-isso-ai_19.html' title='É isso aí...'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-3257638184995230381</id><published>2011-05-12T22:57:00.000-03:00</published><updated>2011-05-13T13:54:08.090-03:00</updated><title type='text'>A Porta</title><content type='html'>As mãos espremendo os cabelos ainda molhados.&lt;BR&gt;- Foi a última vez.&lt;BR&gt;- Como?&lt;BR&gt;Não entendia como fora capaz. Vergonha. O que não diriam as amigas, se soubessem... Do ombro, os filetes d'água percorrem o corpo, há pouco tão disponível, matéria do desvairado prazer.&lt;BR&gt;- Por favor, não me procure mais.&lt;BR&gt;- Não estou entendendo, estava tudo tão bem.&lt;BR&gt;Nada. Apenas recobrara o juízo. A família constituída, os filhos exemplares. Como fora capaz de fazer algo assim. Abominável! Uma vez condenara uma amiga íntima pelo mesmo motivo. Inaceitável! E ela...&lt;BR&gt;Bate o cigarro contra o cinzeiro, pensativa.&lt;BR&gt;- Ele não merece.&lt;BR&gt;- E só agora resolveu pensar nisso, depois de tantos meses?&lt;BR&gt;Nunca era tarde para corrigir um erro grave, imperdoável, dizia. Para recomeçar a vida ao lado dele, a quem julgara fidelidade eterna.&lt;BR&gt;- Por favor, me entenda. Não é certo o que venho fazendo. Uma loucura!&lt;BR&gt;- Sei, sei.&lt;BR&gt;Recompõe os cabelos, agora enxutos. Os lábios, dos beijos frenéticos de há pouco, pressionados para fixar melhor o batom. Os olhos negros repuxados pelo lápis de contormo, fixos no espelho.&lt;BR&gt;- Não me procure mais, por favor.&lt;BR&gt;- E a viagem que havíamos combinado para julho?&lt;BR&gt;Os dedos de unhas polidas de novo girando os cubos de gelo no copo de uísque.&lt;BR&gt;- Esqueça, já disse. Acabou!&lt;BR&gt;- ...&lt;BR&gt;Lentamente, vai repondo na bolsa os objetos de uso pessoal. A expressão ligeiramente tensa. Os olhos no esmalte das unhas. A voz trêmula, como da primeira vez. Lá fora, o aracati começa a soprar. Longínquo, ouve-se o relógio da matriz bater nove horas.&lt;BR&gt;- Ele não merece!&lt;BR&gt;- Entendo.&lt;BR&gt;Seis meses. O que fora apenas uma atração, parecia agora algo doentio, como se não houvesse vida sem ele, sem os encontros semanais naquele apartamento. Uma loucura, sabia. Uma loucura de que não se julgava mais capaz de se desvencilhar.&lt;BR&gt;- Tchau! - enxuga os olhos com a ponta do lenço.&lt;BR&gt;- Tchau!&lt;BR&gt;Ato contínuo, num movimento brusco, abraça-o em prantos, as unhas cravadas nas costas peludas, objeto da indômita paixão. Ajeita a blusa, contém com a curva dos dedos a lágrima que rola pela maçã do rosto. Ainda mais tensa, confere o aperto do cinto, a chave do carro na mão. E, rápido, caminha em direção à porta.&lt;BR&gt;A mesma porta, é certo, pela qual, entre nervosa e provocante, entrará na semana que vem. &lt;A name=3725794995451498533 target=_blank&gt;&lt;/A&gt;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-3257638184995230381?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/3257638184995230381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/05/porta_12.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3257638184995230381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3257638184995230381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/05/porta_12.html' title='A Porta'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8988213925467388878</id><published>2011-05-05T08:30:00.001-03:00</published><updated>2011-05-05T08:30:37.644-03:00</updated><title type='text'>Dia das mães</title><content type='html'>Quem é essa mulher / Que canta sempre este estribilho / Só queria embalar meu filho / Que mora na escuridão do mar / Quem é essa mulher / Que canta sempre esse lamento / Só queria lembrar o tormento / Que fez o meu filho suspirar / Quem é essa mulher / Que canta sempre o mesmo arranjo / Só queria agasalhar meu anjo / E deixar seu corpo descansar / Quem é essa mulher / Que canta como dobra um sino / Queria cantar por meu menino / Que ele já não pode mais cantar.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;O texto acima&amp;nbsp;é a letra da belíssima canção &lt;EM&gt;Angélica&lt;/EM&gt;, composta por Chico Buarque de Holanda em homenagem à estilista carioca Zuleika Angel Jones, ou simplesmente Zuzu Angel, como se tornou mundialmente conhecida por sua luta pela recuperação do corpo do filho Stuart Angel Jones, morto nas dependência do DOI-CODI nos anos 70. A&amp;nbsp;luta de Zuzu, como disse,&amp;nbsp;teve repercussão internacional, tendo envolvido até os Estados Unidos, conforme mostra bem o filme de Sérgio Rezende plasmado em sua história, com Patrícia Pilar e Daniel de Oliveira interpretando mãe e filho.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;O caso, a que se somaria, no Brasil,&amp;nbsp;o movimento das mães da Candelária, é semelhante ao das mães da Praça de Maio, na Argentina, um verdadeiro marco na história das lutas femininas em todo o mundo. Quem nunca terá visto a inconfundível imagem daquelas mulheres com fraldas na cabeça como se fossem simples lenços, numa simbologia que emociona?&amp;nbsp;Estando lá, há tempos, acompanhei uma dessas manifestações, algo de que jamais vou me esquecer, tão tocante, terna e ao mesmo tempo guerreira é a forma com que essas mães expressam a sua dor e a sua revolta contra a Ditadura Militar que lhes roubou os filhos e seus corpos, supostamente atirados ao mar.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Por outras razões, que não as razões políticas que dilaceraram os corações de Zuzu e das mães argentinas, acompanhei de perto a dor de uma irmã, quando morreu Igor, seu filho, num acidente de carro há cinco anos. É indescritível, não existem palavras que possam traduzir com exatidão o que isso representa. Não há conforto, não há alívio possível para essa dor&amp;nbsp;que só o tempo é capaz de fazer acalmar no mais profundo escaninho do coração partido. &lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Venho pensando nisso nesses últimos dias, quando parece se tornar recorrente o ato de mães abandonarem seus filhos, a exemplo do caso do interior de São Paulo que repercutiu Brasil afora. É claro que a realidade dessas mães, em sua gigantesca maioria, é desumana de tão difícil, que a falta de condições materiais e de perspectiva de uma vida digna é&amp;nbsp;um fato para muitas delas.&amp;nbsp;Daí a compreender que uma mãe seja capaz de abandonar um filho&amp;nbsp;num depósito de lixo, vai um abismo de diferença.&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt; Desde o primeiro caso, mais recente, aquele em que a atitude de um catador comoveu o Brasil inteiro, pela percepção clara do que o abandono de uma criança ao lixo representa, mesmo estando ele nas condições miseráveis em que estava, infelizmente&amp;nbsp;a coisa parece querer se tornar rotina e outras mães agem da mesma maneira país afora. No mês das mães, e na véspera do dia que lhes é dedicado, a música de Chico&amp;nbsp;ecoa nos meus ouvidos, numa espécie de espanto que mistura carinho e revolta. Quem são essas mulheres que, mesmo no desespero de um instante, não&amp;nbsp;portam dentro do peito o amor&amp;nbsp;de uma mãe? É a pergunta que&amp;nbsp;não quer&amp;nbsp;calar.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8988213925467388878?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8988213925467388878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/05/dia-das-maes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8988213925467388878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8988213925467388878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/05/dia-das-maes.html' title='Dia das mães'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5183303551175314554</id><published>2011-04-28T09:24:00.001-03:00</published><updated>2011-04-28T09:24:47.994-03:00</updated><title type='text'>Um drama inesquecível</title><content type='html'>Desde que assisti ao &lt;EM&gt;Cinema Paradiso&lt;/EM&gt;, lá por fins dos anos 80, costumo presentear amigos queridos com cópias do filme. Faço-o como que encantado, uma vez que se trata de uma das mais belas realizações da sétime arte. Tenho sempre, em casa, duas ou três dessas cópias e devo ter visto o filme de Giuseppe Tornatore quando menos umas trinta vezes. Nada, como disse numa outra crônica, que se compare ao que fez o jornalista Lúcio Brasileiro com &lt;EM&gt;Casablanca&lt;/EM&gt;,&lt;EM&gt; &lt;/EM&gt;a que afirma ter assistido mais de mil vezes. Ainda chego lá.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Pois bem. Dia desses, zanzando pela livraria Cultura, hábito já internalizado nas horas de folga, deparo com uma pérola: a versão estendida do filme, com pelo menos 50 minutos de cenas inéditas. É que o filme, na versão que chegou aos cinemas, foi reduzido por pressão do seu produtor Franco Cristaldi, segundo diz nos extras do DVD o próprio Tornatore. Achava a narrativa da película demasiado lenta para ser mantida nas quase 3 horas da versão original. Eu sabia da história mas só agora pude ver o filme&amp;nbsp;sem os cortes efetuados para o circuito comercial, até que chegasse às lojas. Deslumbrante!&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; O roteiro, todos sabem, conta em &lt;EM&gt;flashback&lt;/EM&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; --&amp;nbsp; e numa evocação assumidamente autobiográfica do autor&amp;nbsp; --, a trajetória de um cineasta dos tempos áureos do cinema, antes do surgimento da televisão, até sua volta à cidadezinha do interior da Sicília quando morre Alfredo, o projecionista que&amp;nbsp;marcara os tempos felizes da infância&amp;nbsp;dele, o garoto Totó. A versão reduzida do filme suprimira o encontro do cineasta, Salvatore de Sica, o Totó adulto e artista consagrado,&amp;nbsp;com Elena, o seu primeiro e insuperado amor. Agora, como é possível acompanhar na versão integral, ele reencontra o amor de sua vida, casada com Boccia, um amigo de infância.&amp;nbsp;Os dois marcam um encontro&amp;nbsp;e, numa cena&amp;nbsp;perpassada&amp;nbsp;de uma&amp;nbsp;emoção que leva às lágrimas, descobre, finalmente, as razões por que Elena fora embora de Giancaldo no que supunha Salvatore fosse o indicativo de não querer continuar com a relação.&amp;nbsp;Imperdível.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; O filme, que já era uma obra-prima, e constitui uma comovente homenagem de Tornatore aos mestres da sétima arte, redimensiona-se, apaixona ainda mais, arrebata o espectador com a contundência do seu lirismo e de sua força poética inigualável. Dos mais premiados da história, &lt;EM&gt;Cinema Paradiso &lt;/EM&gt;é incomparável nessa versão estendida, e você, leitor, cinéfilo ou simples admirador do que existe de mais belo em termos da grande arte, não pode deixar de ver. É fácil adquirir uma cópia nas livrarias da cidade ou mesmo através de um site de vendas da Internet.&amp;nbsp;Um drama inesquecível!&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5183303551175314554?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5183303551175314554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/04/um-drama-inesquecivel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5183303551175314554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5183303551175314554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/04/um-drama-inesquecivel.html' title='Um drama inesquecível'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-2953812777142278074</id><published>2011-04-21T08:39:00.001-03:00</published><updated>2011-04-21T08:39:51.836-03:00</updated><title type='text'>Uma mulher diferente</title><content type='html'>Imagine uma mulher culta, capaz de se comunicar com total desenvoltura em pelo menos oito idiomas. Imagine mais: admita que ela seja versada em filosofia, alquimia, matemática etc. Que seja uma extraordinária articuladora política, que trace planos de enfrentamento capazes de deixar desnorteado o maior inimigo. Imaginou? Vá mais um pouco, pense-a dotada de um poder de argumentação desconcertante, comerciante fina, sedutora, irresistível à cama. E líder respeitável, política astuta... Pensou? Mulher dos sonhos? O tipo pós-moderno, com mil maneiras de agradar aos homens? Apenas uma amante exemplar? Não. Estou falando de uma mulher que viveu no Egito de 20 séculos atrás, Cleópatra, a rainha imortalizada por pintores, biografada por escritores de extrações as mais diversas e levada para o cinema com ninguém menos no papel que Elizabeth Taylor, o mito das telas&amp;nbsp;falecido há poucos dias.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;É que acaba de chegar às livrarias uma nova biografia da rainha, &lt;EM&gt;Cleópatra&lt;/EM&gt;, da jornalista Arlete Salvador. Um livro leve, de estilo solto e linguagem sedutora, sem rompantes de erudição quase sempre desnecessários no gênero. Li e gostei, recomendo aos leitores, pelo que traz de inovador em relação a muitas das biografias até aqui conhecidas, quase sempre dedicadas a traçar um perfil de mulher vulgar e signo do erotismo mais condenável. Não. A mulher que nos apresenta Salvador é muito mais que uma fêmea com furor uterino e depravada, destruidora de lares e vidas. A Cleópatra que vem à tona nessa biografia fascinante é uma mulher possuidora de qualidades (imensas!) e defeitos, não raro mergulhada em dúvidas, inquietações e desejos, como qualquer mulher dos dias atuais. Um livro bem humorado, lúdico, no sentido de ser capaz de colocar o mundo em &lt;EM&gt;stand by&lt;/EM&gt; até a última página. Um gozo.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Com relação a isso, e tocado pela repercussão da morte de Taylor, revi o filme de Joseph Mankiewicz, que é mesmo um clássico, em que pese ir na contramão do que defende com segurança Arlete Salvador, pelo menos em alguns aspectos da homenageada, a gratuidade do seu erotismo (tome-se o termo gratuidade no sentido negativo) e a beleza distante anos-luz da atriz que a imortalizou no cinema, por exemplo.&amp;nbsp;Cleópatra, segundo a pesquisa levada a efeito por Salvador, é mais, muito mais para feia. Boca murcha, queixo demasiado longo e um nariz acentuadamente adunco. O que a tornava, então, uma mulher poderosa, capaz de levar homens à ruína? Talvez o fato de, numa época em que a submissão feminina era supostamente o atributo indispensável para que uma mulher fosse considerada desejável,&amp;nbsp;ter sido diferente, altiva, rica em conteúdo intelectual, dona do seu nariz. Numa palavra, independente.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Quanto ao filme, é mesmo esteticamente maravilhoso. Um exemplar perfeito, claro, do cinema monumentalista, em que tudo é grandioso, produção, cenários, locações e elenco. Não é muito lembrar, para os esquecidos, que nos papeis principais, além de Taylor, estão Richard Burton e Rex Harrison, impagáveis. Se a película beira o exagero, o barroquismo aparentemente cafona e de mau-gosto, tudo prende-se ao gênero, mais um espetáculo de ação que um filme de ideias. Detalhe curioso:&lt;EM&gt; Cleópatra &lt;/EM&gt;é um divisor de águas na história do cinema. O fracasso de bilheteria deu um basta a essa concepção fílmica, só recentemente retomada com &lt;EM&gt;Gladiador&lt;/EM&gt;, &lt;EM&gt;Troia&lt;/EM&gt; e &lt;EM&gt;Robin Hood&lt;/EM&gt;. Fico com Cleópatra, o filme e a rainha.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-2953812777142278074?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/2953812777142278074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/04/uma-mulher-diferente_8432.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2953812777142278074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2953812777142278074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/04/uma-mulher-diferente_8432.html' title='Uma mulher diferente'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-4941575635000600433</id><published>2011-04-10T11:34:00.001-03:00</published><updated>2011-04-10T11:34:11.396-03:00</updated><title type='text'>Duas palavras sobre o ato de escrever</title><content type='html'>Acontece com frequência de um leitor ou leitora comentar crônicas aqui publicadas como se tratassem de questões pessoais vividas no presente pelo autor. Sobre a última delas, por exemplo, chega-me, entre aspas, um texto extraordinário de um escritor oriental que desconheço. Fala da superação, da aceitação resignada do que ocorre com e na vida das pessoas. Um belo texto, desses a que se sente vontade de recorrer sempre que o fausto trabalha contra os nossos sonhos e a nossa imorredoura esperança da felicidade plena&amp;nbsp; --&amp;nbsp; como se houvesse a felicidade plena. Veio ela, a mensagem, de mãos amigas, coberta das melhores intenções e do maior carinho. Trazia quase o perfume dessas mãos. Contudo, entre outras coisas, a tal mensagem ensejava uma reflexão. Façamo-la.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;A verdade literária é uma, mesmo numa crônica de jornal, a verdade factual, outra. No texto, quando flexiono o verbo e 'assumo' o sentimento&amp;nbsp;que lhe serve de tema, não significa, óbvio, que esteja, no instante da sua escritura, passando por&amp;nbsp;essa experiência, mas que passei um dia, que conheço o que esse sentimento representa em sua profundidade. Ou não, que uma das&amp;nbsp;propriedades da&amp;nbsp;literatura é&amp;nbsp;ser capaz de construir&amp;nbsp;&lt;EM&gt;irrealidades&lt;/EM&gt; como se a realidade fossem.&amp;nbsp;Como lembra Vargas Llosa, num texto excepcional sobre o assunto, a soberania de uma crônica, de um conto, de um romance, da Arte, enfim, está em não dependerem só da linguagem com que foram escritos, mas da maneira como projetam em si a existência, detendo-se aqui, adiantando-se ali, rompendo a lógica da realidade factual, criando situações humanas, sobretudo, não como as situações humanas são, mas como poderiam ser. Dizer a verdade, no caso, é levar o leitor a viver uma ilusão, [...] "a verdade que as mentiras da ficção expressam&amp;nbsp; --&amp;nbsp; as mentiras que somos, as que nos consolam das nossas nostalgias e frustrações."&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Ademais, para voltar à mensagem recebida, traz ela a frieza típica do oriental, essa capacidade tantas vezes vista, a exemplo das grandes tragédias, de suportar a dor, o sofrimento, com um equilíbrio e uma serenidade que nos faltam, aos ocidentais&amp;nbsp; --&amp;nbsp; e que é mesmo uma de nossas marcas.&amp;nbsp;A esse respeito, por sinal, a crônica que escrevi fala da perda e da incapacidade passageira de se viver o presente em detrimento do passado, experiência que todos vivem,&amp;nbsp;na proporção exata de sua sensibilidade.&amp;nbsp;De apagar as lembranças do amor que foi feliz um dia, como explora à perfeição o filme de Claude Lelouch que lhe serviu de esteio. Trata, a crônica, dessa experiência, dessa dor intransferível que só quem a viveu um dia é capaz de dimensionar. Mesmo, talvez, na literatura. Fico com o amor latino!&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Não se trata de aceitação, de filosofia estoica. Anne, a personagem do filme, entregue às recordações do passado, era, naquele instante, incapaz de viver o seu presente, de pensar o futuro, por&amp;nbsp;bonito que se lhe parecesse descortinar. Ainda ardia no coração a chama do objeto amado, que perdera, como mostra o filme, de forma inesperada e brutal. E é contra essa impotência diante da memória que retorna como um flecha certeira e implacável, e que nos mantém presos ao passado (por um tempo que seja), que professa a mensagem da leitora. &lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Por curioso, tinha&amp;nbsp;eu, ao alcance das mãos, esse texto de Albert Camus que trata do mesmo assunto: - "Experimentavam assim o sofrimento profundo de todos os prisioneiros e de todos os exilados, ou seja, viver com uma memória que não serve para nada. Esse próprio passado sobre o qual refletiam sem cessar, tinha apenas o gosto do arrependimento. Na verdade, gostariam de poder acrescentar-lhe tudo o quanto lamentavam não ter feito, [...] assim como a todas as circunstâncias, mesmo as relativamente felizes, da sua vida de prisioneiros, misturavam o ausente, e o resultado não podia satisfazê-los." É o que ocorre aos que perdem a coisa verdadeiramente amada, como no caso de Anne, personagem de &lt;EM&gt;Um homem, uma mulher&lt;/EM&gt;, de Claude Lelouch. Se a Arte, como disse, não pode ser&amp;nbsp;medida com o metro da verdade real, é sempre dela que retira a substância com que&amp;nbsp;é construída. Bem ou mal.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-4941575635000600433?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/4941575635000600433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/04/duas-palavras-sobre-o-ato-de-escrever_657.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4941575635000600433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4941575635000600433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/04/duas-palavras-sobre-o-ato-de-escrever_657.html' title='Duas palavras sobre o ato de escrever'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-3852868156630237728</id><published>2011-04-07T08:37:00.001-03:00</published><updated>2011-04-07T08:37:07.862-03:00</updated><title type='text'>A disciplina do amor</title><content type='html'>No belo &lt;EM&gt;Um homem, uma mulher&lt;/EM&gt;, de Claude Lelouch, há uma fala de Anne, a personagem irrepreensivelmente interpretada por Anouk Aimée, que considero de uma profundidade impressionante, se contextualizada, claro, ao que estabelece o roteiro do filme: - "Ele morreu, mas para mim ainda não!" Na hipótese de que o leitor não tenha assistido à película, voltemos ao que se passa com a personagem. Viúva precoce, Anne, uma roteirista de cinema, conhece Jean-Louis Duroc, um corredor de carro também viúvo. Sentem-se atraídos e tentam começar uma relação sincera e feliz, mas, na primeira experiência de cama, ela não consegue... As lembranças do marido&amp;nbsp;estão vivas em seu pensamento.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Anne diz isso numa estação de trem, em Deauville, pouco antes de partir para Paris, quando questionada por Jean-Louis (Jean-Louis Trintignant): - "Por que você me disse que seu marido estava morto?" Acho que aí está o segredo por que é tão difícil recomeçar a vida quando&amp;nbsp;permanece vivo dentro de nós o objeto amado. Nem mesmo a morte da vida real corresponde à morte dos sentimentos. Lelouch alterna imagens&amp;nbsp;do casal na cama,&amp;nbsp;em preto e branco,&amp;nbsp;com os&amp;nbsp;variados planos em cores de Anne e o ex-marido no auge do&amp;nbsp;amor que os uniu um dia.&amp;nbsp;A vida é assim. A lembrança dos momentos felizes, a alegria das viagens&amp;nbsp;juntos, o chope à beira-mar, os pequenos desentendimentos, quase sempre por motivos banais e a felicidade das reconciliações, o cheiro da pele, a linguagem do corpo na cama, a voz, o sorriso que&amp;nbsp;fazia arrepiar seus pelos, tudo tudo vai&amp;nbsp;continuar aceso&amp;nbsp;dentro do peito, até que o tempo recomponha a ordem natural das coisas e o mundo em volta readquira a lógica de antes. &lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Ocorre-me&amp;nbsp;uma crônica de Lygia Fagundes Telles de que gosto muito. &lt;EM&gt;A disciplina do amor&lt;/EM&gt;, é como se chama.&amp;nbsp;Um cão, todo fim de tarde, vai&amp;nbsp;à esquina esperar o seu dono. Faz isso durante anos. Um dia, o rapaz é convocado para a guerra e morre nas circunstâncias de um bombardeio. O cão, a exemplo do que fizera sempre,&amp;nbsp;vai todas as tardes esperá-lo, até que a noite chegue e volte para casa desolado. O tempo passa, as coisas se normalizam e mesmo a noiva casa com um primo. A família, natural, volta a ver a vida de outra forma. O cachorro, não. Todas as tardes, ali está ele, o rabo balançando, ansioso. Mas o rapaz não vem. Um dia, sob uma chuvinha fina de&amp;nbsp;verão,&amp;nbsp;encontram-no morto, o focinho na direção de sempre. A disciplina do amor.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;O filme de Lelouch, que revi ontem com minha filha Carol, termina em aberto. Depois da frustração na cama, Anne decide retornar a Paris. Na despedida, acontece o diálogo a que me reportei. Mas, inconformado, Jean-Louis resolve ir de carro esperá-la na plataforma estação. Os dois, emocionados, correm ao encontro um do outro&amp;nbsp; --&amp;nbsp; e o filme termina com a imagem congelada dos dois, enlaçados. Foram felizes para sempre, há de concluir o leitor/espectador. Não vou contar. Vinte anos depois, Claude Lelouch, esse poeta das perdas e dos reencontros, retoma a história com o filme &lt;EM&gt;Um homem, uma mulher 20 anos depois&lt;/EM&gt;, os mesmos atores, num dos pontos mais elevados de sua filmografia. A vida, a disciplina do amor. Mas isso vai ser tema de uma&amp;nbsp;outra crônica.&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-3852868156630237728?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/3852868156630237728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/04/disciplina-do-amor_07.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3852868156630237728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/3852868156630237728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/04/disciplina-do-amor_07.html' title='A disciplina do amor'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7135511983095364806</id><published>2011-03-31T14:20:00.001-03:00</published><updated>2011-03-31T14:20:31.108-03:00</updated><title type='text'>Na dimensão da eternidade</title><content type='html'>"Não temo a morte: prefiro esse fato inelutável ao outro que me foi imposto no dia do meu nascimento. Que é a vida?" As palavras de Omar Kháyyám, muitas vezes ribombeiam no meu pensamento sempre que vejo a vida violentada pelos crimes de toda ordem, pelo egoísmo que impera aqui e além, pela inveja que embrutece os homens e a falta de escrúpulos em quase todas as ações, num mundo de valores revirados. Na Antiguidade, todos sabem, um filósofo foi encontrado conduzindo uma lanterna acesa à luz de pleno dia. Quando lhe perguntaram o que fazia, foi taxativo: - "Estou à procura de um homem, mas não encontro." Aludia ao fato de que em torno, já à época, multiplicavam-se os indignos, os usurpadores, os ladrões de objetos e consciências. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Nos dias de hoje e em proporções alarmantes, na tevê, nos jornais, o que vemos é a indignidade tomar conta da sociedade, os políticos à frente, com raras exceções. Nesse contexto, nessa realidade que muitas vezes nos leva a questionar o sentido da vida, neste tempo de contradições, a existência de um ou outro grande homem é o que faz a diferença, restituindo-nos a crença na possibilidade de um mundo melhor. O ex vice-presidente José Alencar, falecido em inícios da semana, é um desses exemplos de correção humana que nos redimem ante a desesperança e o caos. Como empresário, dos maiores do país, ou como político, emblemático em suas ideias e em suas ações, como que humilhava, sem que tivesse a intenção, pelo contraste dos valores que a sua presença impunha, alguns políticos com os quais convivia, por força da missão assumida. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Mas era o homem, o cidadão, no abismo entre a saúde e a doença, que se faria maior. Assim, como a cumprir uma outra missão, a de ensinar aos homens nas adversidades mais duras, fez a travessia de uma longa noite de&amp;nbsp;agonia, sem jamais, contudo, perder a serenidade, a fé em Deus, a esperança da vitória sobre o mal que o corroía por dentro. Nesse sentido, comoveu um país inteiro, de ponta a ponta, com o seu exemplo de homem ungido por sublimes mãos. E não me refiro ao povo, na sua natural tendência para a comoção diante do martírio de uma celebridade. Na quase solenidade de um estilo, José Alencar fez-se unanimidade e desfez as divisas das ideias e dos interesses, aproximou distintos sob diferentes aspectos. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Do médico Raul Cutait, que o acompanhou por todos esses anos de sofrimento, veio a declaração: - "No Brasil, acho que José Alencar foi o exemplo público máximo de comportamento aberto, dividindo sua doença e seus sentimentos com a população em geral." Foi além, numa constatação comovente:- "Não é exagero dizer que suas atitudes diante da doença, da vida e da morte marcaram também muitos de nós, seus médicos." Cutait ainda se reportou a uma cena inesquecível, quando, diante da inquietação dos seus familiares, momentos antes de uma cirurgia de alto risco, foi assertivo: - "Não quero clima de velório, mas de natalício." É que Alencar nascia a cada nova cirurgia, de que saía, invariavelmente, desafiando o improvável, mais fortalecido e mais esperançoso. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; A luta, contudo, mesmo para o exemplar guerreiro -- todos sabiam! -- , era desigual, e havia um desfecho esperado. Há homens, felizmente, para os quais a morte, qualquer que seja a sua compreensão, é coisa menor e menos importante, porque renascem, vivem e revivem, com o exemplo que deixam, na dimensão do que talvez possa ser definido como a eternidade. José Alencar é um desses!&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7135511983095364806?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7135511983095364806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/na-dimensao-da-eternidade_31.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7135511983095364806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7135511983095364806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/na-dimensao-da-eternidade_31.html' title='Na dimensão da eternidade'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-305420978448038762</id><published>2011-03-22T09:22:00.005-03:00</published><updated>2011-03-22T13:33:52.908-03:00</updated><title type='text'>O fim do amor romântico</title><content type='html'>A propósito da coluna sobre infidelidade feminina, leitora pede que discorra sobre o título. Diz ela: "Por que bovarismo?" Como se diz tanto em mais um aleijão linguístico brasileiro, 'então'... &lt;em&gt;bovarismo&lt;/em&gt; é um termo cunhado pelo francês Jules Gaultier, inspirado no romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert, para definir o descompasso entre o sonho (sempre maior do que as possibilidades concretas da pessoa) e a realidade. Os dicionários trazem normalmente, com pequenas diferenças, a seguinte definição: "Insatisfação romântica que consiste em querer evadir-se de sua condição, adotando uma personalidade idealizada, como fez a heroína do romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usei-o, na minha crônica, por considerar que a insatisfação da mulher no casamento, decorridos alguns anos de convivência, pode em parte explicar a busca de aventuras fora do relacionamento. Aliás, obra do acaso, deslocando-me de carro até o trabalho, ouço no rádio uma pesquisa ainda mais curiosa -- se não hilária --, cujo conteúdo reproduzo aqui: "Três razões explicam de forma recorrente os casos de adultério: ganho de peso, ronco e desinteresse pelo sexo." A que ponto não estamos chegando! Pois é, o cara engorda, em decorrência ronca que nem um leão e, depois de anos com a mesma mulher, vai perdendo o interesse... Carente, a mulher busca um parceiro mais 'atuante'...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bovarismo, insisto. A história, contudo, lembra-me uma outra: Calvin Coolidge, presidente dos Estados Unidos entre 1923 e 1929, visitava com a mulher uma granja, quando esta, ouvindo do fazendeiro que um touro era capaz de cobrir uma fêmea quarenta vezes por dia, não se conteve e falou: - "Por favor, conte isso para o meu marido." O fazendeiro atendeu ao seu pedido, mas o presidente americano, mais curioso ainda, indagou se isso acontecia com a mesma vaca, ao que o homem respondeu: - "Não, claro que não, com uma vaca diferente de cada vez." Coolidge, então, pede-lhe: - "Por favor, conte isso para minha mulher."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tolices à parte, a edição de &lt;em&gt;O Povo&lt;/em&gt;, desta segunda-feira 22, traz uma entrevista curiosa com a psicanalista Regina Navarro Lins, para quem o amor romântico está com os dias contados. Diz ela: - "A ideia de que um único parceiro possa satisfazer todos os aspectos da vida [do casal] pode se tornar coisa do passado." Sem meias-palavras, o que afirma a estudiosa é que cada vez mais um maior número de pessoas vai optar pelas relações múltiplas. E não foi assim com Emma Bovary?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um dos objetivos da coluna é animar culturalmente, minha cara leitora, recomendo-lhe ir para além do livro de Flaubert, que você diz querer ler por esses dias. Tempinho livre, aproveite para ver a adaptação de Claude Chabrol para o cinema. Na França da segunda metade do século XIX, visando ascender socialmente e ávida leitora de romances sentimentais (bem na linha do que mostram as novelas da tevê dos nossos dias), insatisfeita com a mediocridade da vida conjugal, como fuga da realidade, a heroína vai à procura dos seus muitos amantes. Até se matar, igualmente frustrada e depois de vender a alma ao diabo, ingerindo um punhado de arsênico. O drama psicológico de Emma, a ciclotimia típica da esposa insatisfeita, o martírio humano elevado a dimensões insuportáveis, minuciosamente respeitados por Chabrol. Um belo filme, com uma interpretação irrepreensível de Isabelle Huppert.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-305420978448038762?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/305420978448038762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/o-amor-romantico-com-os-dias-contados.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/305420978448038762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/305420978448038762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/o-amor-romantico-com-os-dias-contados.html' title='O fim do amor romântico'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1079329216211550154</id><published>2011-03-15T15:38:00.009-03:00</published><updated>2011-03-17T08:51:07.326-03:00</updated><title type='text'>Bovarismo</title><content type='html'>Sexo, traição, triângulos amorosos e outras excentricidades que dizem respeito às relações passionais sempre tiveram seu público -- e disso tudo, diga-se em tempo, a literatura tirou ingredientes para grandes romances. Mas agora, ao que se vê, é matéria de que também não abre mão a grande imprensa, televisão e revistas à frente. Em edição da semana, a revista IstoÉ divulga pesquisa que invade as rodas femininas como assunto da vez. É o que concluo de três ou quatro 'grupinhos' em cujas mesas sentei, durante o fim de semana. Hilário! Ou não, como diria Caetano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo na banca e compro o meu exemplar, que não sou de entrar em jogo sem ficha. Está lá, no &lt;em&gt;lead&lt;/em&gt; de uma das matérias centrais: "Pesquisas indicam que a infidelidade feminina quase dobrou em uma década e que ciúme e carência são os principais motivos." Que os motivos arrolados são mesmo procedentes, já se sabe, e, mais de uma vez, escrevi sobre isso. A novidade, se há novidade numa prática tão antiga quanto a existência da própria mulher, é que a coisa vai tomando foros de banalidade. E, como afirma Ernesto, amigo meu, o negócio está deixando a "homarada" de cabelo em pé. Vamos ao que diz a pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo dados da Fundação Perseu Abramo e do Sesc, ouvidas 2.365 brasileiras, 12% afirmaram já ter tido pelo menos uma experiência fora do relacionamento 'oficial', contra 7% da pesquisa anterior, há dez anos. Não é pouco. Outro estudo, diz a revista, levado a efeito sob a orientação da prestigiada médica Camila Abdo, traz números ainda mais 'assustadores' (ou preocupantes, como quer Ernesto, um machista assumido). Os resultados estão sob o domínio de uma das mais respeitadas universidades brasileiras, a USP, e indicam: metade das mulheres ouvidas em levantamento do Prosex, um projeto ligado à sexualidade, do Curso de Medicina, já pulou o muro. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tomar por base o conteúdo das declarações, algo em torno dos 35% das mulheres ouvidas trairam por vingança, tão-logo souberam que o companheiro mantinha relações fora do relacionamento. Ou seja: a mulher descobre que o parceiro anda se danando e logo sai à procura de quem queira provar do fruto proibido. O pior: como a coisa tem gosto de novidade, carregada daquele tempero de todo começo de relação, acaba gostando e a tendência é que os encontros se tornem frequentes com o passar do tempo. Resultado: surge a paixão e... Aí todos sabem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, a revista cita um livrinho da antropóloga Mirian Goldemberg que li outro dia, e que, dado algum desconto, recomendo para os meus leitores. &lt;em&gt;Porque os homens e as mulheres traem&lt;/em&gt; é o título, e, nele, a autora faz uma leitura mais consistente do fenômeno. Para ela, as mulheres afirmam ter sido empurradas para os braços de outro homem por vingança, mas é a atração física exercida pelo amante que leva à traição. Segundo Mirian, falta coragem à mulher para assumir essa realidade, decorrência dos valores morais a que foi submetida através dos tempos. O certo é que o assunto volta à pauta de forma ainda mais impactante. Pelo que sei, cresce, cada vez mais, o contingente de mulheres para as quais é crônica a incapacidade de separar a fantasia da realidade, o mundo em que estão daquele que veem nas novelas de tevê e nos &lt;em&gt;big brothers&lt;/em&gt; da vida. De Flaubert, ao meu ver, ainda vem a explicação mais convincente. É ler ou reler Madame Bovary.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1079329216211550154?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1079329216211550154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/bovarismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1079329216211550154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1079329216211550154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/bovarismo.html' title='Bovarismo'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5739974534309825707</id><published>2011-03-10T13:41:00.003-03:00</published><updated>2011-03-10T20:25:06.773-03:00</updated><title type='text'>Pelos novos caminhos da História</title><content type='html'>Se não me engano, está num dos livros de Erwin Panofsky o fato a que me reporto: já idoso e adoentado, o filósofo Immanuel Kant recebe a visita do seu médico. Como insistisse em ficar de pé, seu visitante compreendeu que ele não se sentaria até que a visita o fizesse primeiro. Só então Kant ocupou um assento e murmurou as seguintes palavras: - "O senso de humanidade ainda não me deixou". Embora a palavra &lt;em&gt;humanitä &lt;/em&gt;tivesse à época, no século XVIII, o sentido de polidez, civilidade, o filósofo por certo a usara com o significado mais profundo que o termo possui, algo como a trágica e orgulhosa consciência dos princípios humanos mais nobres, mais elevados, mesmo quando o tempo já impôs ao homem suas marcas naturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato me veio à mente tão-logo concluí, como que encantado, a leitura do maravilhoso &lt;em&gt;Iguatu, pelos novos caminhos da História&lt;/em&gt;, com que Wilson Holanda Lima Verde presta mais um inavaliável serviço à inteligência de nossa terra. Com uma bem cuidada edição, confiada à Expressão Gráfica Editora, o livro é um apanhado expressivo de alguns dos fatos mais marcantes da história de Iguatu, com farta referência a muitos dos filhos ilustres do município, entre os quais, num gesto de pura cordialidade do autor, figura o meu nome ao lado de personalidades realmente importantes da nossa vida intelectual, social, econômica e política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De expoentes da música popular brasileira, como Evaldo Gouveia e Humberto Teixeira, ou erudita, como Eleazar de Carvalho, passando por talentos do teatro e do cinema, como Pedro Lima Verde, ou da filosofia, como Alcântara Nogueira, a políticos atuantes como Elmo Moreno, Roberto Costa e Hildernando Bezerra, sem esquecer mitos como Adahil Barreto Cavalcante e Manuel Carlos de Gouvêa, todos filhos de Iguatu, a pesquisa ora publicada em livro por Wilson Lima Verde constitui relevante contribuição para o resgate da nossa memória histórica, não raras vezes negligenciada pelas autoridades constituídas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na linha do que professara Ortega y Gasset, para quem "a história é a realidade do homem, outra não há, e negar o passado é absurdo e ilusório, porque o passado é o natural do homem que volta a galope", na defesa de um princípio de humanidade a que me refiro acima, o livro &lt;em&gt;Iguatu, pelos novos caminhos da História&lt;/em&gt;, de Wilson Holanda Lima Verde, já nasce clássico, alargando o cânone inaugurado por Alcântara Nogueira com &lt;em&gt;Iguatu -- &lt;/em&gt;e há pouco enriquecido com importante pesquisa de seu primo José Hilton Montenegro acerca da linha férrea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não falar do estilo, elegante, enxuto, escorreito com que tece o seu texto inconfundível. Em tempo, reclamo do historiador não ter, a respeito deste colunista, acrescentado uma informação relevante: de que lhe devo muito pelo incentivo e pelo exemplo de amor aos livros, em que tanto mirei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5739974534309825707?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5739974534309825707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/pelos-novos-caminhos-da-historia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5739974534309825707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5739974534309825707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/pelos-novos-caminhos-da-historia.html' title='Pelos novos caminhos da História'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5670875048523065092</id><published>2011-03-01T16:23:00.008-03:00</published><updated>2011-03-03T09:32:10.817-03:00</updated><title type='text'>Colette, sem apologia da transgressão</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Entre o real e o imaginado, há sempre o lugar da palavra, a palavra magnífica e maior que o objeto."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Colette) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;À procura de um mote para a coluna alusiva ao Dia Internacional da Mulher, tenho a curiosidade de ler &lt;em&gt;Histórias de mulheres&lt;/em&gt;, de uma das minhas escritoras atuais preferidas, a espanhola Rosa Montero, sobre quem já escrevi mais de uma vez neste espaço. Como tudo que escreve, a exemplo de &lt;em&gt;Paixões&lt;/em&gt; e o imperdível &lt;em&gt;A louca da casa&lt;/em&gt;, para citar dois de que mais gosto, o livro é delicioso, em que pese discordar da 'seleção' de mulheres feita pela autora. Conversando sobre isso, outro dia, alguém me perguntou: - "Quem você escolheria para figurar no livro, além das que lá estão?" Veio à boca, num segundo, o nome de Colette, que ninguém à mesa conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sidonie Gabrielle Claudine Colette, como se chamava, nasceu na Borgonha, em 1873. Em menino, lembro que alguns de seus livros fizeram sucesso no Brasil. Hoje, confesso, acho que não se encontram em tradução e os li, pela primeira vez, quando de uma viagem à França. &lt;em&gt;Gigi &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Chéri&lt;/em&gt;, que, já à época, causaram-me admiração, sobretudo pelo estilo, prodigiosamente carregado de imagens. A propósito, não faz muito, Julia Kristeva, a prestigiada psicanalista e linguista, publicou &lt;em&gt;O gênio feminino, a vida, a loucura, as palavras&lt;/em&gt;, em que analisa a força de sentidos e de linguagem com que Colette explora o tema da sexualidade, o que, como diz, proporciona "experiências metafísicas no leitor". É verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida de Colette, vim a saber depois, quando li &lt;em&gt;Colette, uma biografia&lt;/em&gt;, de Allan Massie, adquirido como raridade num sebo, em Piracicaba, foi de fato marcada por experiências no mínimo extravagantes para a França ainda controlada pelo Código Napoleônico em que viveu entre 1873 e 1994, conservadora e falocêntrica. Teve amantes, homens e mulheres, protagonizou cenas de lesbianismo em espaço público, impôs-se diante dos maridos e exerceu cargos profissionais, então, impensáveis para mulheres, como o de repórter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o que me parece curioso, jamais se permitiu ser usada como porta-voz de movimentos sexistas. As suas transgressões tinham um &lt;em&gt;feeling&lt;/em&gt; diferente, faziam parte de um projeto interior de vida independente, livre de qualquer orientação exterior. Nesse aspecto, foi além, por exemplo, da escritora Simone de Beauvoir, uma das eleitas no livro de Rosa Montero. Nas obras que criou (e que tinham muito de projeção autobiográfica, claro!), pontuam casos de adultério, amores impossíveis, relacionamentos espantosamente desiguais do ponto de vista da idade dos amantes, extravagâncias a granel. Tudo, no entanto, narrado com o estilo sedutoramente poético - a palavra precisa, como a despertar cheiros e sabores -, que se tornaria uma de suas marcas como ficcionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não à toa, sua vida e sua obra têm inspirado inúmeras adaptações para outras linguagens estéticas, como filmes e musicais. Seu último livro, &lt;em&gt;Gigi&lt;/em&gt;, produzido pouco antes de morrer, aos 72 anos, supostamente é uma dessas adaptações mais conhecidas. Mas, a fim de que não me entendam mal, o fato de escolhê-la para motivo de uma crônica em homenagem à mulher, na contramão do que exorbita nos seus romances, prende-se ao fato de que Colette, com um talento e uma determinação em tudo impressionantes, foi um ser humano para além de qualquer limite de tempo e de espaço. Como poucos (poucas?) foi capaz de enfrentar e vencer um mundo desumanamente masculino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5670875048523065092?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5670875048523065092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/colette-sem-apologia-da-transgressao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5670875048523065092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5670875048523065092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/03/colette-sem-apologia-da-transgressao.html' title='Colette, sem apologia da transgressão'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5622784343386215227</id><published>2011-02-22T11:51:00.004-03:00</published><updated>2011-02-24T08:26:00.439-03:00</updated><title type='text'>O pesadelo de Kampusch</title><content type='html'>Na cabeceira da cama de Carol, minha filha, deparo com o recém-lançado, no Brasil,&lt;em&gt; 3096 dias&lt;/em&gt;, as dramáticas memórias de Natascha Kampusch, a adolescente que permaneceu em cativeiro durante oito anos, num dos mais comoventes casos de sequestro de que se tem notícia. Não contendo a curiosidade, coisa de todo bom bibliófilo, folheio as primeiras páginas do livro e - em minutos, sou absolutamente tragado pela impressionante história dessa menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2 de março de 1998, quando tinha 10 anos, Kampusch, que acabara de se desentender com a mãe, sai à rua e é surpreendida pelo engenheiro de telecomunicações Wolfang Priklopil, que a arrebata bruscamente e a mantém como prisioneira em cativeiro doméstico até 26 de agosto de 2006, quando, aproveitando-se de um descuido do seu algoz, contando agora 18 anos, Natascha Kampusch foge para a liberdade. A história, contudo, assim resumida, não tem a profundidade dramática que, só lendo &lt;em&gt;3096 dias&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;&lt;/em&gt;se pode dimensionar com exatidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante esses longos, intermináveis anos de suplício, a jovem foi submetida a abusos inomináveis, tamanha a vileza e a crueldade desse monstro, que, como se ficou sabendo, pouco depois atirar-se-ia à frente de um trem. O livro é absolutamente desconcertante, obrigatório, pelo que é capaz de revelar sobre a condição humana, quer na perspectiva do psicopata, quer na perspectiva dessa jovem a quem foram infligidos os mais cruéis tratamentos físicos e psicológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suas 225 páginas, no entanto, o livro de Kampusch traz muito mais sobre a realidade humana para além das fronteiras do cárcere, revelando o lado torto de todos nós, as pessoas 'normais' com algumas das quais, nas circunstâncias de uma fuga desesperada, teve de conviver naquele instante dramático. Depois de uma primeira tentativa frustrada de ajuda (negaram-lhe um celular com o qual pudesse se comunicar com a polícia) a fugitiva invade o jardim de uma casa e dirige-se a uma mulher que se achava à janela: - "Por favor, me ajude. Fui sequestrada, chame a polícia!" E o que houve em resposta: - "Por que você veio justo a minha casa? Espere na cerca viva. E não pise no gramado!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos limites de uma crônica de jornal, é-me impossível dizer, com rigor, a força do livro de Kampusch. Lê-lo, como o fiz meio que por acaso, é uma experiência muito mais que aconselhável e enriquecedora. As memórias do pesadelo vivido por essa moça, de quem se roubou o melhor da vida, muito mais que tocar o nosso coração, ensina como deveria ser o mundo que, em alguma medida, cabe a cada um de nós construir. Recomendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5622784343386215227?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5622784343386215227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/02/o-pesadelo-de-kampusch.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5622784343386215227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5622784343386215227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/02/o-pesadelo-de-kampusch.html' title='O pesadelo de Kampusch'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-24340844739794061</id><published>2011-02-13T08:46:00.006-03:00</published><updated>2011-02-17T07:57:06.706-03:00</updated><title type='text'>Cartas para Julieta</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 12pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BRfont-family:georgia;color:#2a2a2a;"  &gt;Disse Fernando Pessoa que todas as cartas de amor são ridículas, mas verdadeiramente ridículas são as pessoas que não escrevem cartas de amor. Lembrei do poema quando vi esta semana, por provocação de minha filha de quinze anos, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Cartas para Julieta&lt;/i&gt;, o doce filme de Gary Winick. Não se trata de um grande filme, mas, como diria uma amiga, é um filme "bonitinho".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 12pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color:#2a2a2a;"&gt;A história lembra, en passant, o arrebatador &lt;em&gt;O amor nos tempos do cólera&lt;/em&gt;, o épico romântico de Mike Newell, pelo menos num aspecto: o roteiro 'fala' de um amor que se recusa a morrer mesmo quando se passaram 50 anos. Sophie, numa bela interpretação de Amanda Seyfried, uma inglesa de férias em Verona, trabalha como 'checadora' da revista The New Yorker, mas sonha com a oportunidade de se tornar repórter. Conhece, então, as legendárias Secretárias de Julieta e escreve para uma senhora (Vanessa Redgrave) e a convence a ir à Itália em busca de um velho amor, Lorenzo. Até conseguir reencontrar o homem amado, no entanto, terá de percorrer um longo caminho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 12pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-: PT-BR;font-family:'Times New Roman';color:#2a2a2a;"  &gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-: PT-BR;font-family:'Times New Roman';color:#2a2a2a;"  &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O filme tem algumas cenas ambientadas na casa de Julieta, um dos pontos turísticos mais concorridos de Verona, onde o mito do amor impossível entre Romeu e Julieta, imortalizado pela pena de Shakespeare, é cultivado à exaustão. Estive lá há cerca de uns doze anos e ainda guardo as impressões da força da literatura sobre o imaginário dos amantes. As tais cartas, exploradas no filme de Winick, existem realmente. Fico me perguntando: o que move as pessoas a escreverem cartas de amor assim, tão irreais, do ponto de vista lógico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me vem, de chofre, a resposta. Porque a utopia do amor é imortal. Corações partidos, os apaixonados deixam no muro, em forma de cartas, a esperança de que um dia reconquistem os seres amados. Atire a primeira pedra aquele ou aquela que nunca trocou a dura realidade das perdas pela utopia do reencontro. Em meu tempo, acho que também deixei naquele muro uma carta de amor, "como as outras, ridículas!" É isso que agrada a tantos cinéfilos num filme tão simples e tão despretensioso como &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Cartas para Julieta&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-24340844739794061?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/24340844739794061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/02/cartas-para-julieta_13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/24340844739794061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/24340844739794061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/02/cartas-para-julieta_13.html' title='Cartas para Julieta'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1636208030398757499</id><published>2011-02-06T08:51:00.007-03:00</published><updated>2011-02-15T07:48:41.880-03:00</updated><title type='text'>Cisne Negro</title><content type='html'>Como não tivesse lido sobre o filme, em que pese a sua repercussão na imprensa como favorito ao Oscar de 2010, particularmente atraído pelo que, supunha, fosse uma releitura do &lt;em&gt;Lago do Cisne&lt;/em&gt;, de Tchaikóvsky e Vladimir Begitchev, vou ao cinema para ver &lt;em&gt;Cisne Negro&lt;/em&gt;, de Darren Aronofsky, o mesmo diretor de &lt;em&gt;O Lutador&lt;/em&gt;. Ledo engano: o filme passa ao largo do libreto do clássico russo e gira mesmo em torno da bailarina Nina, quase sempre nos bastidores do balé de Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não saí maravilhado do cinema, o que, por exemplo, ocorreu a minha filha Carolina, que "amou", trouxe comigo o que será uma indicação obrigatória para os meus alunos de Filosofia e Estética da Arte, do curso de Cênicas do IFCE, tão-logo voltemos à sala de aula nessa segunda-feira. É que o filme de Aronofsky, muito mais que um filme sobre o balé clássico, tematiza um dos grandes desafios de todo artista: a busca pela superação dos seus limites. E o faz com uma intensidade dramática e um apuro estético raramente vistos nos últimos anos, o que, de cara, justifica o furor dos cinéfilos diante da película. Para não falar da interpretação de Natalie Portmam, que, não tenho a menor dúvida, arrebatará a estatueta de melhor atriz. Irrepreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trama começa quando o diretor da companhia, Thomas Leroy (Vicent Cassel) anuncia estar à procura de uma substituta para a dançarina Beth Macintyre (Winona Ryder), em vias de se aposentar. Em que pese ser a primeira na ordem de preferência do diretor, um mau-caráter que explora sexualmente as integrantes da companhia, Nina tem de enfrentar a concorrência desleal (no mau sentido!) da colega Lily (Mila Kunis). Está composta a intriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando ao &lt;em&gt;leitmotiv&lt;/em&gt; da crônica, o que tem isso a ver com a formação dos meus alunos de teatro? Tudo. No que me parece ser mesmo uma fixação de Darren Aronofsky, que já explorara a tranposição dos limites profissionais em obras anteriores, o filme discute à exaustão um dos componentes mais complexos da personalidade artística, a mistura de profissionalismo, esmero técnico, dedicação para além dos limites humanos e a vaidade, a fantasia que perpassa a alma de todo artista em formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Numa complexa tessitura dramática, perpassada de intrigas e expedientes literalmente sangrentos, Nina tem um perfil adequado para brilhar como intérprete do Cisne Branco, como sabemos, terno e inocente, mas, como ocorre com frequência na vida dos jovens talentos, está determinada a brilhar no papel do Cisne Negro, pérfido e sensual, como previsto no libreto de Begitchev. É aí que o filme cresce em densidade psicológica: na ânsia de ganhar o papel, Nina descobre o que é um nó górdio da alta filosofia: a maior luta que temos por travar é com o inimigo que existe no íntimo de cada um de nós. Revela-se o lado tortuoso e assustador de sua personalidade, o que, invariavelmente, leva à autodestruição. Um filme que, para além de sua estonteante beleza plástica, leva-nos a refletir. O que, não bastassem suas outras qualidades, coloca &lt;em&gt;Cisne Negro &lt;/em&gt;entre os principais acontecimentos da grande Arte em 2011. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1636208030398757499?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1636208030398757499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/02/um-belo-filme.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1636208030398757499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1636208030398757499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/02/um-belo-filme.html' title='Cisne Negro'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-425444411050075570</id><published>2011-02-02T08:58:00.006-03:00</published><updated>2011-02-06T07:13:14.322-03:00</updated><title type='text'>Uma história de amor</title><content type='html'>De Camaragibe, Pernambuco, a propósito de crônica publicada neste espaço, vem o comentário: - "Li emocionada seu texto. Joca foi meu primeiro namorado, o primeiro beijo [sic], o primeiro sonho de menina. Soube hoje de sua morte. Passados quase 50 anos, desde que recebi dele uma aliança de compromisso, ainda guardo a lembrança de sua alegria e irreverência." Antes de fazer a citação, claro, fui autorizado a fazê-lo pela leitora Vera Portela, com quem tive a preocupação de entrar em contato tão-logo li o seu comentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, como disse, mora em Camaragibe e, para os que não leram o texto a que se refere, faz alusão à crônica que escrevi em homanagem ao amigo João Francisco do Amaral Neto, morto no sábado, 22, em Iguatu, após sofrer um AVC. O que seria apenas um comentário sobre textos aqui publicados, no entanto, assumiu significados curiosos. Vera Portela tem 63 anos e namorou com João Francisco, como diz, há quase 50 anos. A história é interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois se conheceram bem jovens, namoraram, ficaram apaixonados e tinham tudo para viver um amor sem reservas, não ocorresse o obstáculo já imortalizado pela grande literatura, desde os trovadores: a oposição da família. João, irreverente desde a mais tenra idade, bebia e tinha a fama de brigão. Segundo Vera, adolescente, era capaz de acabar uma festa pelo simples fato de que a namorada fosse objeto da atenção mais demorada de qualquer rapaz. E, diz, "brigava bem, à época com o corpo sarado e bela musculatura." Ademais, não trabalhava e nada era indicador de que viesse a fazê-lo um dia, sem contar, o que era mais relevante aos olhos da mãe de Vera, que não gostasse de estudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fim de conquistar a confiança da pretensa sogra, nosso amigo deu um tempo na bebedeira, recolheu-se em estudos e ingressou com méritos na Universidade Federal de Pernambuco. Enquanto, isso, é óbvio, o casal se encontrava às escondidas. Concluída a faculdade, João procura a mãe de Vera e revela as suas melhores intenções: fazer a moça feliz. Qual não foi a sua decepção: a mulher &lt;em&gt;tinha razões que a própria razão desconhece&lt;/em&gt; para rejeitar o rapaz. Desiludido, mas com o orgulho ferido, o nosso Romeu junta os panos e resolve partir para outras plagas, distantes da mulher amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por obra do talvez ou do quem sabe, chega a Iguatu, nos grotões do Ceará. Estabelece-se como veterinário (o mais talentoso de que se viria a ter notícia na região), casa-se com moça de boa origem, constitui família e torna-se uma pessoa querida de todos. Desde a morte da mulher, há coisa de uns seis, sete anos, pouco mais ou menos, a vida de João, todavia, jamais foi a mesma e, até onde sei, a nossa personagem nunca mais se reencontrou consigo mesmo. Morreu, como sabem, semana que passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;50 anos decorridos desde o primeiro beijo, o primeiro sonho de menina [...], desde que recebera dele uma aliança de compromisso, pouco sabendo de João e do seu paradeiro, na contramão das tantas coisas acontecidas (casou, teve filhos, netos, foi feliz, separou), no recolhimento e no silêncio do que diz ser, quase, um claustro, Vera ainda guarda no peito, acesa, a chama do que foi um amor que se tornou impossível; a lembrança da alegria e da irreverência do homem amado. "Joca (é assim que o tratava) está gravado no meu coração", disse Vera no seu e-mail.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-425444411050075570?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/425444411050075570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/02/uma-historia-de-amor.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/425444411050075570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/425444411050075570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/02/uma-historia-de-amor.html' title='Uma história de amor'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6240747883812356200</id><published>2011-01-25T08:58:00.015-03:00</published><updated>2011-01-27T09:32:24.594-03:00</updated><title type='text'>Crônica para João</title><content type='html'>Voltei, Recife / Foi a saudade / Que me trouxe pelo braço / Quero ver novamente "Vassoura" / Na rua abafando / Tomar umas e outras / E cair no passo / Cadê "Toureiros"? / Cadê "Bola de Ouro"? / As "pás", os "lenhadores" / O "Bloco Batutas de São José"? / Quero sentir / A embriaguez do frevo / Que entra na cabeça / Depois toma o corpo / E acaba no pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto acima, não é preciso dizer, não é meu. É a letra de um frevo antológico de Capiba. Tão-logo Saulo, meu filho, me telefonou para dar a triste notícia, pus-me a cantarolar a música, repassando com os olhos da saudade a imagem desse Dom Quixote extemporâneo em passos de dança enlouquecidos, que nos faziam quase morrer de rir. O coração-menino de João, o maluco-beleza, na linha do que imaginou Raul Seixas, João Francisco do Amaral Neto, cansado das muitas extravagâncias e excentridades, havia pouco silenciara de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti muito a morte desse anarquista convicto. É que João foi um dos meus grandes amigos, desde os tempos já longínquos de vizinhança no Planalto, em Iguatu. À época, Aleuda, mulher de João, ele, eu e minha então mulher vivemos uma amizade profundamente humana. Aleuda era uma pessoa incomum, uma das mulheres mais solícitas que pude conhecer, uma vizinha como as vizinhas dos velhos tempos... João, uma figura absolutamente singular, ciclotímica, irreverente, a indisciplina em forma de gente. Era tempo de vacas gordas e, nos finais de semana, quase nunca saíamos daquelas redondezas, dividindo, com outros vizinhos, quintais e mesas, sobre as quais as mulheres não deixavam faltar os melhores petiscos, o melhor uísque e a cerveja mais gelada. Uma festa, que só tinha hora para começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finais de semana, varávamos madrugadas ao som de Chico, Paulinho da Viola, Fagner, Roberto Carlos, numa animação que chamava a atenção dos que por ali passavam. A uma dada altura, invariavelmente, já cheio da cerveja que tanto apreciava, João punha-se, de inopino, a cantar o frevo de Capiba, de tal modo desafinado, que era impossível não nos voltarmos todos, gargalhada solta, para ouvi-lo desfiar os versos saudosistas desse clássico pernambucano; era um homem sensível e se emocionava sempre que recordava sua terra e sua gente: enquanto escrevo estas linhas, parece que o vejo, com seus olhos a princípio marejados, até cair num pranto compulsivo e desavergonhado. Quase menino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pernambucano de Olinda, João era um telúrico assumido, e, como eu, um saudosista incorrigível. Mal bebia o primeiro gole, punha-se a contar os folguedos carnavalescos de Olinda e Recife. Sabia tudo sobre os blocos, os foliões mais renomados, não raro as circunstâncias em que haviam sido escritos alguns dos monumentos do cancioneiro momino recifense. Além disso, era um torcedor vibrante do Sport, "Com o Sport / Eternamente estarei / Pois rubro-negras são / As cores que abracei / E o abraço, de tão forte, / Não tem separação / Pra mim, o meu Sport / É religião." Quantas vezes não o ouvi cantar o hino do leão, tomado de um entusiasmo contagiante, que João era, antes de tudo, um entusiasta nato. João via graça em tudo, se divertia com tudo, tirava piada de tudo. Era polêmico, às vezes inconsequente, que a vida, para ele, tinha assim mais alegria. Era um ledor contumaz, o que explica que soubesse tanto sobre tantas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João era Dionísio, era Macunaíma. No bom sentido, um moleque, um clown shakesperiano, um amigo, um ser extraordinário, desses que só nascem de quando em vez. Fico, mesmo, imaginando, como a parodiar o poeta: "João era fabulista, fabuloso, fábula? Ficamos sem saber o que era João. E se João existiu de se pegar."&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6240747883812356200?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6240747883812356200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/01/cronica-para-joao.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6240747883812356200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6240747883812356200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/01/cronica-para-joao.html' title='Crônica para João'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8268104054539645074</id><published>2011-01-18T09:53:00.007-03:00</published><updated>2011-01-20T08:25:12.152-03:00</updated><title type='text'>A tragédia e a benevolência do homem</title><content type='html'>Na última crônica do ano, enquanto fazia um balanço do que fora 2010, desejava aos leitores, entre outras coisas, que a natureza fosse mais generosa com os brasileiros em 2011. Na contramão das minhas expectativas, no entanto, acompanho pela TV as cenas aterradoras da tragédia que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro desde a madrugada de quarta-feira 12, e que resulta, por enquanto, em quase 800 vidas ceifadas. Uma catástrofe que coloca o Brasil entre os dez países mais gravemente afetados pelas calamidades naturais em todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São imagens de dor, sofrimento, desespero. Cenas dantescas, casas, carros, pessoas sendo arrastadas pela fúria das águas. Declarações chocantes, como a do contador Luiz Otávio de Souza, 39 anos: - "Até agora só consegui encontrar um homem morto e resgatei o braço de uma criança." Souza empenhava-se em encontrar os corpos de tios e primas, soterrados pelos escombros do que fora o edifício em que moravam em Nova Friburgo. A paisagem é terrificante. Os depoimentos deixam os nossos corações apertados. Difícil conter as lágrimas diante de tanto padecimento, da angústia insuportável de pessoas que, estranhas e distantes, como que se tornam próximas na agonia de um instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a vida imita a Arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O riacho que atravessa São José do Rio Preto, cenário em que se inspirara Tom Jobim para compor &lt;em&gt;Águas de Março&lt;/em&gt;, sua mais célebre criação, transforma-se em descomunal avalanche, capaz de arrastar casas, pedras, paus, pontes, vidas. Fim do caminho, diz um verso da composição. Gravadas pelo neto Daniel, também músico de carreira promissora, a televisão mostra as imagens da casa dos seus avós desmanchando-se sobre as águas barrentas, inelutáveis, inclementes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dialeticamente, contudo, a tragédia tem revelado dois lados de significados claramente distinguíveis. O primeiro, já em parte mostrado acima. O segundo, a revelação da incontrastável generosidade humana. A solidariedade que move pessoas não raro vitimadas pela mesma catástrofe, pessoas que tiveram suas casas destroçadas, que perderam familiares queridos, que trazem no corpo as marcas do desastre. Feridas que ainda sangram e Humanismo que se mostra, a um tempo, na consciência das limitações humanas, na aceitação resignada da dor - e na insistência do amor ao próximo, brotando dos destroços como forma de projetar na adversidade a benevolência do homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8268104054539645074?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8268104054539645074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/01/tragedia-e-o-amor.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8268104054539645074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8268104054539645074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/01/tragedia-e-o-amor.html' title='A tragédia e a benevolência do homem'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6833910369862546300</id><published>2011-01-09T09:40:00.007-03:00</published><updated>2011-01-10T09:14:48.638-03:00</updated><title type='text'>Francisco, o disco</title><content type='html'>Leitor comenta coluna &lt;em&gt;Todo Sentimento&lt;/em&gt;: - "Li sua crônica, mas não sabia que Chico Buarque tinha gravado. Conheço com Ney Matogrosso. Você não se enganou? Em que disco está?" [sic]. Não, não me enganei. A música, que de fato foi lançada na bela interpretação de Ney, está no LP &lt;em&gt;Francisco&lt;/em&gt;, de 1987. Falo com segurança, pois se trata de um dos discos de Chico de que mais gosto. Aquele que, excentricamente, veio a mercado com três opções de capa. A minha versão estampa o artista num plano geral, atravessando uma rua onde se veem, ao fundo, alguns guarda-chuvas abertos. Lembro que em outra, também num plano geral, come uma maçã. Não me lembro da terceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. É um disco particularmente lírico, em que aparecem algumas das composições mais inspiradas do viés romântico de Chico Buarque. Sobre &lt;em&gt;Todo Sentimento&lt;/em&gt;, não vou tecer considerações, que já o fiz na crônica que você contesta. Mas, já que fui provocado [risos], não me furtarei de comentar o disco, pois, como disse, acho-o um primor. Se não, vejamos que poesia tão terna e tão pura: "Me dê notícia de você / Eu gosto um pouco de chorar / A gente quase não se vê / Me deu vontade de lembrar. [...] A gente quase não se vê / Eu só queria me lembrar / Me dê notícia de você / Me deu vontade de voltar." A música se chama &lt;em&gt;Cadê Você&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível, até, que eu tenha um particular carinho por este álbum por ter assistido ao show, que leva o mesmo nome do disco e que aconteceu depois de um jejum de 14 anos no palco. Foi uma fase mais leve do compositor, o disco é mais marcado e chama a atenção o fato de as melodias casarem à perfeição com as letras, notadamente naquelas que tematizam o amor. Uma outra de que mais gosto, que me parece estar a nível de &lt;em&gt;Todo Sentimento &lt;/em&gt;é &lt;em&gt;Lola&lt;/em&gt;: "Sabia / Gosto de você chegar assim / Arrancando páginas dentro de mim / Desde o primeiro dia // Sabia / Me apagando filmes geniais / Rebobinando o século / Meus velhos carnavais // [...] Sabia / Que ia acontecer você um dia / E claro que já não me valeria nada / Tudo o que eu sabia / Um dia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco traz, como carro-chefe, &lt;em&gt;Estação Derradeira&lt;/em&gt;: "Quero ver a mangueira / Derradeira estação / Quero ouvir sua batucada, ai ai." Uma curiosidade: a Mangueira, no ano de lançamento do disco, vencera o Carnaval homenageando Carlos Drummond de Andrade. Uma consagração popular do nosso poeta maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Francisco&lt;/em&gt;, leitor, como se vê, é mesmo um dos meus discos preferidos do gênio. Não traz a cara política de álbuns anteriores, tem uma vocação melódica ligeiramente acústica e o tom poético parece revelar sentimentos subjetivos do compositor, mas é muito bonito. Desculpe se me estendi, mas a música foi mesmo gravada por Chico neste imperdível &lt;em&gt;Francisco&lt;/em&gt;. Contudo, reconheço, você tem razão, a interpretação de Ney Matogrosso é perfeita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6833910369862546300?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6833910369862546300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/01/francisco-o-disco.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6833910369862546300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6833910369862546300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/01/francisco-o-disco.html' title='Francisco, o disco'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-181597964239822547</id><published>2011-01-06T08:26:00.001-03:00</published><updated>2011-01-06T08:26:16.395-03:00</updated><title type='text'>O Amor não morre nunca</title><content type='html'>O que acontece quando cinco amigos estão à mesa de um bar conversando? Tolice, tolice pura, dirão as mulheres.&amp;nbsp;Se, via de regra, isso é mesmo uma realidade, a regra tem exceções, felizmente. Ou não, que é sempre bom, vez e outra, desfiar bobagens diante da cerveja. Talvez não seja o caso do que se vê no enredo do último livro da escritora portuguesa Inês Pedrosa, &lt;EM&gt;Os íntimos&lt;/EM&gt;, que li de uma sentada nessa segunda-feira. E adorei.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Afonso, Augusto, Guilherme, Pedro e Felipe, sentam-se à mesa de um bar de Lisboa, em dia de chuva,&amp;nbsp;e iniciam a curiosa conversa, tendo como testemunha feminina Célia, filha do taberneiro e única mulher ali presente. Mas &lt;EM&gt;elas &lt;/EM&gt;têm voz, ainda que indiretamente, nessa prosa de qualidades estilísticas já reconhecidas de obras anteriores. A propósito, mais de uma vez escrevi neste espaço sobre livros de Pedrosa, &lt;EM&gt;Fazes-me falta&lt;/EM&gt; e &lt;EM&gt;Em tuas mãos&lt;/EM&gt;, para ficar em dois exemplos do que há de melhor na ficção pedrosiana. Voltemos ao livro.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Num recurso já conhecido, o entrecruzar de vozes e estilos,&amp;nbsp;mas tratado com a&amp;nbsp;concepção estética inconfundível, que&amp;nbsp;a originalidade do 'olhar' é&amp;nbsp;uma marca de Inês Pedrosa, mesmo quando discorre sobre o vazio da existência humana em crise, que tão frequentemente constitui a matéria de que se vale para traçar suas narrativas repletas de emoção e poesia, a autora vai tecendo a realidade multifacetada de suas personagens. As angústias, as incertezas, a dor das perdas, os conflitos de toda ordem. Um belo livro, já disse.&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;Aqui e ali, uma passagem descontraída própria da circunstância de estarem cinco homens a falar de suas vidas, como no julgamento que faz Afonso sobre a passionalidade feminina hoje: - "[...] com a libertação das mulheres&amp;nbsp;finou-se aquela ideia simpática de que o tamanho não é importante. Acabaram-se os bons sentimentos das mulheres: a timidez, o pudor, a culpa, a entrega desinteressada, enfim, a compaixão." Ou dramáticas e comoventes, como na carta de uma amiga para o mesmo Afonso, que acabara de perder uma filha: - "O amor, vi-o cintilante, nos teus dedos, enquanto acariciavas a tua filha, no caixão, como se de novo&amp;nbsp; a acariciasses no berço, enquanto dormia." &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Em tempo, nesta mesma passagem do romance deparamos com uma belíssima reflexão sobre a perenidade do amor, este sentimento que move a arte de Inês Pedrosa: - "[...] o Amor não se perde, nem envelhece, nem morre. Basta olhar para as estrelas. Como eu olho para ti." Perfeito, Inês: o Amor não morre nunca!&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&amp;nbsp;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-181597964239822547?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/181597964239822547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/01/o-amor-nao-morre-nunca_06.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/181597964239822547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/181597964239822547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2011/01/o-amor-nao-morre-nunca_06.html' title='O Amor não morre nunca'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7973344820526881077</id><published>2010-12-29T16:33:00.001-03:00</published><updated>2010-12-29T16:33:43.455-03:00</updated><title type='text'>O ano de nossas vidas</title><content type='html'>Eis que chegamos a 2011. 2010 não foi um ano fácil, eu sei, pelo menos para mim. Mas desejo que tenha sido bom para vocês. Aliás, pensando bem, acho que estou sendo injusto com a vida. Se ela me deu no ano que passou alguns dissabores, e, já no desfecho, um momento dramático para enfrentar, fiz coisas boas, muitas. Retomei um segundo doutorado e estou pesquisando a obra teatral de um dos meus autores preferidos, Nelson Rodrigues; "deixei de comprar o meu câncer", como disse a poeta (assim, como está escrito) Elisa Lucinda quando parou de fumar; terminei um livro novo e arrumei a casa para a chegada de Carolina, a minha filha que vem morar comigo a partir de agora; fiz novas amizades e alimentei as antigas etc. Como se vê, até que não foi improdutivo o ano.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Li muito, li como não fazia há tempos, de Vargas Llosa a Jorge Luis Borges, que, tenho o atrevimento de confessar, não está entre os meus escritores mais amados. Reli alguns clássicos, folheei novidades, vi e revi filmes... escrevi, ministrei cursos interessantes, conheci gente nova e nutri uma paixão inesperada, que é do casual que se&amp;nbsp;faz (e refaz) a vida. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; No cenário nacional, é provável que 2010&amp;nbsp;tenha sido&amp;nbsp;um ano alvissareiro: a economia foi bem, a crise financeira internacional nos atingiu como uma "marolinha", tivemos um presidente que se redimensionou em suas possibilidades, pacificaram o Rio de Janeiro, elegemos a nossa primeira mulher presidente, enfim, um ano de conquistas e realizações, mesmo para os &lt;EM&gt;eternamente-insatisfeitos-de-plantão&amp;nbsp; -&amp;nbsp; &lt;/EM&gt;e o Brasil, pouco mais ou menos, tornou-se o país dos sonhos. Sem fechar os olhos para a porrada de coisas que ainda estão por fazer, claro. Mas o balanço é positivo, positivíssimo, eu diria.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Decepções, fracassos, desencantos, fatalidades&amp;nbsp;etc., são coisas naturais, que fazem parte da vida por inteiro, que ela não é só feita de graças. O amigo faltou, a namorada desistiu de tentar, o sonho da viagem não se tornou possível? Fazer o quê? Entregar-se à tristeza, à saudade que dilacera, à frustração que silencia a nossa capacidade de sonhar? Acho que a virada do ano traz consigo a possibilidade de sermos melhores, de darmos o troco ao que não deu certo nutrindo a esperança de que no Ano Novo haverá de dar, de conquistarmos novas amizades, de que o dinheiro, se bem gasto, poderá ser suficiente para aquela viagem com que você sonhou, de que a natureza seja mais generosa, de que surgirá o grande amor, de que poderá se dar o reencontro, de que tanta coisa boa está por acontecer. A vida é bailarina, já nos dizia o poeta, e nenhum ponto inerte anula o eterno viravoltear das coisas.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;Que o Ano Novo venha cheio da sabedoria que nos faltou, da fé que não tivemos, da certeza de que Deus é bom e nunca faltará com aqueles que acreditam na eternidade de sua existência. Que o Ano Novo nos renove naquilo que ficou envelhecido, que se desgastou pelos tantos equívocos que cometemos, pelas faltas que poderíamos ter evitado, pela intolerância com que nos tratamos tantas vezes uns aos outros. Que o Ano Novo, de tão bom, seja o ano de nossas vidas!&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7973344820526881077?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7973344820526881077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/o-ano-de-nossas-vidas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7973344820526881077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7973344820526881077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/o-ano-de-nossas-vidas.html' title='O ano de nossas vidas'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8386038690552198037</id><published>2010-12-20T17:04:00.005-03:00</published><updated>2010-12-20T23:27:37.031-03:00</updated><title type='text'>Então, é Natal!</title><content type='html'>&lt;em&gt;                                        Para Regina Jereissati&lt;/em&gt;                                                                      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lispector, Clarice Lispector, tem uma crônica que fala de uma experiência curiosa: recebera um telefonema de alguém comunicando que uma moça que conhecera faria uma apresentação musical na tevê. A cronista fica intrigada, pois a jovem tinha uma voz delicada, uma voz de criança, de um feminino infantil. Mas liga a tevê e se pergunta: - "Terá ela força ao piano?" E qual não é a surpresa, posto que a moça tocava um piano irrepreensível e cantava com uma emoção contagiante. Diz Clarice: - "Deus, ela possuía a força. Seu rosto era um outro, irreconhecível."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escritora ficou de tal modo tocada pela arte da moça, que, sempre tão apolínea, não conseguiu conter as lágrimas. Como se o filho, que mal contava 14 anos, percebesse a emoção da mãe, esta tenta disfarçar: - "Estou nervosa, vou tomar um calmante." E o filho a surpreende com o que diz na crônica ter sido uma bela lição: - "Você não sabe diferenciar emoção de nervosismo? Você está tendo uma emoção." E Clarice, assimilada a lição, vive "o que era pra ser vivido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me dessa historinha outro diz. Era um show do cantor Raimundo Fagner na programação dos 100 anos do Theatro José de Alencar. Eu assistia ao show pela tevê. No finalzinho, Fagner surpreende com a canção natalina de John Lennon e Y. Ono &lt;em&gt;Então é Natal&lt;/em&gt; , numa bela versão de Claudio Rabello: "Então é Natal / E o que você fez / O ano termina / E nasce outra vez."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fagner cantava com uma força interior, com uma entrega sentimental tamanha, que, a exemplo de Clarice, abandonei-me a uma emoção tão grande, tão inesperada e tão sincera, que, estando Saulo, o meu filho, ali ao lado, por pouco não reeditei Clarice: "Estou nervoso, vou tomar um calmante." E só então, como que por milagre, me veio à mente o sentido do que se passava comigo naquele instante. E vivi o que tinha de ser vivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, inconfundível, Fagner continuava: "Então é Natal, pro enfermo e pro são. /Pro rico e pro pobre, num só coração. /Então bom Natal, pro branco e pro negro. /Amarelo e vermelho, pra paz afinal. /Então bom Natal, e um ano novo também. /Que seja feliz quem / souber o que é o bem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Natal!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8386038690552198037?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8386038690552198037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/entao-e-natal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8386038690552198037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8386038690552198037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/entao-e-natal.html' title='Então, é Natal!'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6622379627947082151</id><published>2010-12-15T21:14:00.007-03:00</published><updated>2010-12-16T07:38:45.062-03:00</updated><title type='text'>Observar as pausas, valorizar o silêncio</title><content type='html'>Tchékhov confiara a segunda montagem da peça &lt;em&gt;A Gaivota&lt;/em&gt; a Stanislávski. Espetáculo pronto, chega para o diretor e reclama: - "O que você fez, o espetáculo vai ficar esticado, muito maior do que o previsto?" Ao que Stanislávski responde: - "Nada, apenas observei as pausas, valorizei o silêncio." Que bela lição não apenas de semiótica teatral. Falo de uma outra lição, que pouca gente aprendeu: observar as pausas, valorizar o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida, quase sempre, é assim. A gente não observa as pausas, não valoriza o silêncio. E, no entanto, quanta coisa ruim poderia ser evitada. Quantas feridas abertas a menos, quanto sofrimento... É que quase nunca percebemos o momento de calar, de ouvir mais o outro. Nos relacionamentos, não raro, acontece de uma palavra desnecessária pôr por terra o que se ergueu com tanto entusiasmo, o que se fez com tanto amor. Na ânsia de construir, destruímos. Na vontade de fazer valer a nossa vontade, não observamos as pausas, não valorizamos o silêncio. E o mundo desmorona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consta que a primeira montagem de &lt;em&gt;A Gaivota&lt;/em&gt;, em 1896, fora um fiasco. De público e de crítica. Uma pena, leve-se em consideração que o texto é maravilhoso, poético, de uma harmonia estética invulgar. O próprio autor dissera sobre ela: - "[...] uma comédia, três papeis de mulher, seis para homens, quatro atos, uma paisagem (vista para o lago), muitas conversas sobre a literatura, um pouco de ação, um toque de amor." Mas o público a repudiara. Não se observaram as pausas, não se valorizara o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos mais tarde, sob nova direção, marcaria época no teatro universal. Desde então, uma &lt;em&gt;gaivota&lt;/em&gt; passou a ser o símbolo do Teatro de Arte de Moscou, uma das mais prestigiadas casas de espetáculo do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se explica que uma mesma peça seja um fracasso hoje, um sucesso estrondoso pouco tempo depois? Simples: Stanislávski, que a dirigiu numa segunda montagem, percebera na obra uma economia de voz, de movimento, uma contenção de gestos, como jamais alguém fizera. Numa palavra: observou as pausas, valorizou o silêncio. Na vida, como no teatro, a essência das coisas muitas vezes está nas entrelinhas, num gesto que quase não se percebe, numa palavra que não se diz, num sinal que nunca vemos... Nas pequenas coisas da vida estão os mais fortes sentimentos, as maiores aflições. Todavia, quantas vezes não deixamos de fazer na vida como Stanislávski no teatro? Não observamos as pausas, não valorizamos o silêncio...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6622379627947082151?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6622379627947082151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/observar-as-pausas-valorizar-o-silencio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6622379627947082151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6622379627947082151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/observar-as-pausas-valorizar-o-silencio.html' title='Observar as pausas, valorizar o silêncio'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6325065115367775066</id><published>2010-12-09T12:20:00.007-03:00</published><updated>2010-12-15T20:17:52.732-03:00</updated><title type='text'>Uma forma amarga de nascer</title><content type='html'>Entre os filmes que adoro está &lt;em&gt;Il Postino&lt;/em&gt;, que, no Brasil, tem o mesmo nome do livro em que foi inspirado: &lt;em&gt;O Carteiro e o Poeta&lt;/em&gt;, de Antônio Skármeta. Não à toa, vire e mexe escrevo sobre esta adaptação maravilhosa levada ao cinema sob a direção de Michael Radford. Um clássico sobre a força prodigiosa da poesia na amizade e no amor. Ontem, a exemplo do que faço vez e outra na cadeira de Estética e Filosofia da Arte, mostrei a 'película' e abri o debate com os alunos. Um deles, quis saber: - "É ficção ou baseia-se em fatos reais da vida de Pablo Neruda." Ficção e realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro, Skármeta ambienta a história no Chile, entre 1969 e 1973, ano em que morreu o poeta, contados dez dias do suicídio (?) de Salvador Allende. Nesse sentido, o filme se aproxima mais da verdade dos fatos, uma vez que o exílio de Neruda ocorreu em Capri, na Itália, onde viveria um incontornável amor clandestino com Matilde Urrutia, uma enfermeira que lhe prestara assistência depois que o poeta sofrera um acidente de automóvel em Santiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Skármeta, no delicioso &lt;em&gt;Neruda por Skármeta&lt;/em&gt;, livro em que discorre sobre a sua amizade íntima com o poeta, a ideia do filme surgiu do acaso. O ator Massimo Troisi depara com uma tradução do livro para o italiano, "[...] Termina de lê-lo nessa mesma tarde em sua casa. Na mesma noite liga para o produtor e ordena, implora, que ele compre os direitos de adaptação do livro para o cinema." Esta a razão por que o filme é ambientado na Itália. Troisi, que interpretaria à perfeição o carteiro, sofria de uma doença grave e não estava em condições de viajar para fazer as gravações do filme fora do seu país. O porquê de ser italiana a obra que conquistaria o coração de cinéfilos mundo afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skármeta faz alusão a um fato curioso ocorrido durante as filmagens: Radford, reparando no abatimento de Troisi, propõe ao ator suspender as filmagens até que se recupe. "Um filme não vale uma vida", teria argumentado. Ao que Troisi, num tipo de premonição, respondera: - "Estamos fazendo um filme para que os nossos filhos sintam orgulho da gente, certo?" Irônico. O coração do ator estancaria no dia exato em que foram concluídas as gravações de &lt;em&gt;Il Postino&lt;/em&gt;. Troisi morreria sem conhecer o estrondoso sucesso do filme. Mas voltemos ao clamoroso romance de Neruda com Matilde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao Chile, o &lt;em&gt;poeta do amor&lt;/em&gt; tenta a custo esconder da verdadeira mulher, Delia del Carril, o seu envolvimento com Matilde. Em vão. Escrevera em intenção da amante o belo &lt;em&gt;Os versos do Capitão&lt;/em&gt;, que assinara com o ingênuo pseudônimo de Anônimo. No livro, pasmem, alguns dos versos mais célebres de Neruda: "Tal vez llegará un día / en que un hombre / y una mujer, iguales / a nosotros, / tocarán este amor, y aún tendrá fuerza / para quemar las manos que lo toquen."*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neruda, sob a repercussão do caso, romperia com Delia del Carril, para terminar seus dias ao lado de Matilde, a mulher a quem certamente dedicara o melhor de si como homem e amante. Se era reconhecedor das qualidades imensas de Delia, conforme faria sempre questão de por em evidência, compreendera, como afirma num dos seus versos antológicos "... que o amor extinto não é a morte / mas uma forma amarga de nascer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;em&gt;Talvez chegue um dia / em que um homem / e uma mulher, iguais / a nós dois / tocarão neste amor, que ainda terá força / para queimar as mãos que o toquem.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6325065115367775066?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6325065115367775066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/uma-forma-amarga-de-nascer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6325065115367775066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6325065115367775066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/uma-forma-amarga-de-nascer.html' title='Uma forma amarga de nascer'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-2749987528337127897</id><published>2010-12-06T11:26:00.006-03:00</published><updated>2010-12-06T12:57:32.222-03:00</updated><title type='text'>Todo o sentimento</title><content type='html'>Semana que passou, escrevi neste espaço sobre Toquinho e, por tabela, a coleção &lt;em&gt;Histórias de Canções&lt;/em&gt;, da editora Leya, que vem a público com assinatura do jornalista Wagner Homem. No texto, disse ser o volume dedicado a Antônio Pecci Filho o segundo da aludida coleção. Equívoco, o livro é o terceiro, uma vez que fora publicado antes um título sobre o compositor Paulo César Pinheiro. Indiferente ao fato, agora esclarecido, leitor pede que comente sobre o volume 1, Chico Buarque de Hollanda. Faço-o, com prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, devo acrescentar: a coleção &lt;em&gt;História de Canções&lt;/em&gt; surgiu quando Wagner Homem teve a feliz ideia de colocar no papel as circunstâncias em que cada canção de Chico Buarque fora composta. Wagner é amigo íntimo de Chico e domina informações curiosas sobre quase tudo o que o multiartista fez em termos de MPB. Como ele mesmo fez questão de esclarecer, contudo, não se tratava de produzir um &lt;em&gt;songbook&lt;/em&gt; ou uma biografia das muitas que já se conhecem sobre o próprio Chico. Não, o pesquisador queria algo mais que isso. Queria contextualizar músicas como &lt;em&gt;A Banda&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Pedro Pedreiro&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Apesar de Você&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Todo o Sentimento&lt;/em&gt;, por exemplo. Queria dizer em que momento da realidade brasileira o artista fizera clássicos como esses. O livro resultou maravilhoso e agrada antes de tudo pela leveza de linguagem com que o escritor trata verdadeiras obras-primas do cancioneiro popular. Mas, em atenção ao leitor desta coluna, teçamos algumas considerações sobre o livro dedicado a Chico, com que a coleção foi inaugurada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. O volume traz tantas e tão boas informações sobre o que há de mais representativo da genialidade do autor de &lt;em&gt;Construção&lt;/em&gt;, que o próprio Chico diz num e-mail enviado a Wagner e publicado na contracapa: "[...] Enquanto lia, eu pensava, tenho uma história boa para contar ao Wagner. Mas, à medida que o livro avançava, todas essas histórias apareciam. [...] Acho que você as conhece todas, melhor que eu." De fato, o pesquisador vai fundo na intimidade criativa do gênio. Comenta, inclusive, músicas extraordinárias mas pouco conhecidas do grande público, a exemplo da belíssima &lt;em&gt;Todo o Sentimento&lt;/em&gt;, que narra a necessidade que sente o amante de reviver um grande amor até seus últimos momentos: "Pretendo descobrir / No último momento / Um tempo que refaz o que desfez / Que recolhe todo o sentimento / E bota no corpo uma outra vez."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Letra esplêndida, que revela a sensibilidade romântica do Chico trovador. Segundo Wagner Homem, a música fora composta originalmente como um samba, mas uma greve de técnicos condicionou o autor a mexer nos arranjos e aproveitar uma gravação já feita mesmo em ritmo de canção. Lembra, ainda, que &lt;em&gt;Todo o Sentimento&lt;/em&gt; faria parte, depois, da trilha da novela &lt;em&gt;Vale &lt;/em&gt;Tudo, da TV Globo, 1988.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samba, como queria Chico, ou canção, no que resultou este clássico do romantismo musical brasileiro, o certo é que &lt;em&gt;Todo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Sentimento&lt;/em&gt; explora com maestria a trajetória de um amor que se recusa a perecer, mesmo quando cai "doente, doente". Não sem razão, assim é que termina essa emocionante declaração de amor, uma das mais extraordinárias letras de Chico Buarque de Hollanda: "Depois de te perder / Te encontro, com certeza / Talvez no tempo da delicadeza / Onde não diremos nada / Nada aconteceu / Apenas seguirei, como encantado / Ao lado teu." Poucas vezes, mesmo num cenário de verdadeiras obras-primas qual o da música popular brasileira, um poeta terá ido tão fundo no que há de mais essencial na história de um grande amor que não quer morrer. Recomendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-2749987528337127897?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/2749987528337127897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/todo-o-sentimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2749987528337127897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2749987528337127897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/12/todo-o-sentimento.html' title='Todo o sentimento'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8266336390798648026</id><published>2010-11-29T12:44:00.001-03:00</published><updated>2010-11-29T12:44:09.999-03:00</updated><title type='text'>A singela poesia de Toquinho</title><content type='html'>Aconteceu em Belo Horizonte. Era outubro de 1976 e Toquinho,&amp;nbsp;terminado o&amp;nbsp;show,&amp;nbsp;é surpreendido no camarim do Teatro Francisco Nunes por duas irmãs, Águeda e Mônica. Ele, sempre sensível à beleza feminina, claro, desdobrou-se em simpatia e logo as convidou para jantar. Final de noite, é Águeda quem lhe dá o número do telefone, mas era Mônica quem tocara o coração do artista. Coisas de poeta.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Dia seguinte, saem juntos, Toquinho e Mônica,&amp;nbsp;e passam uma tarde&amp;nbsp;feliz, conversando.&amp;nbsp;Ele viajaria para o Rio no outro dia. Hora da partida, num rompante típico dos apaixonados, já na escadinha do avião, decide não embarcar: - "Não vou pegar&amp;nbsp;esse avião. O que eu quero mesmo é ficar aqui." Desce rápido&amp;nbsp;o lance de degraus&amp;nbsp;e toma um táxi para o centro da cidade.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Mesmo dia, procura o pai da moça. Quer levá-la consigo para o Rio, mas&amp;nbsp;&lt;EM&gt;seu&lt;/EM&gt; Bento&amp;nbsp;é resoluto: - "Viajar com Mônica, só casando!" É o que ocorreria em abril do ano seguinte, Vinicius&amp;nbsp;como padrinho.&amp;nbsp;Durante a cerimônia, o fundo musical deixava que se ouvisse não a tradicional &lt;EM&gt;Marcha Nupcial&lt;/EM&gt;&amp;nbsp;, mas&amp;nbsp;a voz do próprio Toquinho interpretando uma música de Mutinho, com letra só dele, o noivo. Nascera, por força desse amor que reproduz o protótipo do amor dito romântico, &lt;EM&gt;Canção pra Mônica&lt;/EM&gt;, uma das mais lindas do repertório de Antonio Pecci Filho, esse paulistano que&amp;nbsp;é uma dos expoentes da Música Popular Brasileira. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; É um poema longo, com uma estruturação rímica simples e versos absolutamente singelos, mas dotado de uma beleza poética que se compara ao que há de melhor na obra romântica de Vinicius de Moraes ou Chico Buarque de Hollanda: "Deixa eu poder reclamar / desse tempo passado sem desfrutar / sem sentir teu perfume, te ver, te tocar / sem sonhar os teus sonhos nem neles estar." &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; A letra, como se vê, constitui um apelo, desses tão recorrentes na história do cancioneiro popular ou na literatura, mas o casamento com a melodia de Mutinho a redimensiona e enriquece, além de exemplificar uma cantada irresistível desse carismático conquistador, tão bom poeta como compositor e instrumentista: "Deixa eu poder mendigar / as migalhas do vento que vem te alisar / se você num momento sem muito pensar / tenha os olhos atentos num outro lugar. / Deixa eu poder blasfemar / se qualquer dia desses eu necessitar / se buscando saídas eu me equivocar / e depois teu perdão eu tiver que implorar", diz a uma dada altura da música, para desfechar com a promessa de viver o amor em que pesem as diferenças: "Deixa eu querer-te, mulher, / dar-te tudo o que um dia você desejou / ter-te sempre a meu lado como você é / e te amar como eu sou."&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Os fatos que levaram Toquinho a escrever a letra&amp;nbsp;sobre a música de Mutinho, fugindo ao que é mais comum em sua rica obra, está no&amp;nbsp;livro &lt;EM&gt;Toquinho, história das canções&lt;/EM&gt;&amp;nbsp;, de João Carlos Pecci e Wagner Homem, que li durante o final de semana e recomendo aos leitores dessa coluna. É o segundo livro da coleção, que foi inaugurada no início do semestre com o volume dedicado a Chico Buarque. Um primor.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8266336390798648026?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8266336390798648026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/11/singela-poesia-de-toquinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8266336390798648026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8266336390798648026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/11/singela-poesia-de-toquinho.html' title='A singela poesia de Toquinho'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-2140682813489834251</id><published>2010-11-23T13:28:00.002-03:00</published><updated>2010-12-07T20:39:46.790-03:00</updated><title type='text'>Crônica para uma amiga</title><content type='html'>Amiga me falava outro dia, tomada de susto: - "Hoje, comprei cervejas para o meu filho comemorar com amigos. Ele está fazendo 17 anos, mas ainda lembro da cor da mamadeira, meu Deus!" E discorria sobre a atonia que lhe invade a alma sempre que pensa sobre o futuro, o rumo incerto que tomarão os seus filhos, do que vai ser a sua vida sem eles por perto, da sensação de perda incontornável que advirá disso etc. Estava aturdida a minha amiga, como querendo ouvir de mim o que não soube como lhe dizer naquele instante. Fiquei ali, entre tocado e atônito, sem dizer palavra. A vida de todos nós.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Acho mesmo que esse é um momento por que todo homem e toda mulher tem de passar um dia. O momento em que se veem os filhos crescer e se aproximar a hora de espreitá-los tomar seu rumo, um tanto quanto independentes de nós, das nossas vontades e  -  não raro!  -, na contramão do que gostaríamos. É a hora em que cai a ficha e percebemos que os filhos, lá nos recônditos mais doídos das verdades, não são nossos, e que os criamos para a vida, esta soberana rainha do destino e do desconhecido. É a hora em que começamos a olhar para trás e ver que toda a caminhada, em muitos aspectos, foi feita de sonhos e de fantasias. E que há uma realidade aguardando aquelas "coisinhas" que mais amamos, e que, equivocados, pensávamos poder tê-las conosco pelo infinito dos tempos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com todos nós, aqui ou além, cedo ou tarde, acontecerá o mesmo. O momento em que somos chamados a usar as mais duras expressões: &lt;em&gt;na realidade&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;de fato&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;em verdade&lt;/em&gt; e coisas que tais. A dura realidade da vida. O momento em que percebemos, estupefatos, que o tempo passa, o tempo não para, como nos falou o poeta Cazuza. E dói compreender o quanto de vida deixamos para depois, os sonhos que vamos empurrando para amanhã. E, de repente, vemos que o amanhã foi ontem, anteontem, é agora um passado distante. E tantos desses sonhos se desmancharam no caminho, como os castelos de areia que se constroem nas praias...&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Minha amiga é uma grande mulher. Mãe exemplarmente amorosa, deu aos filhos uma educação que foge ao comum do que se conhece nos dias atuais. Quando esposa, posto que enviuvou há coisa de uns cinco, seis anos, foi de uma dedicação e de um desvelo incomuns. É filha carinhosíssima, uma irmã como poucas. Mas vive aquele momento em que olhamos para trás e achamos que poderíamos ter feito mais e melhor. E o futuro, na perspectiva do que os nossos olhos podem ver, é um tanto triste e solitário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não lembra, a minha amiga, que a vida começa a cada manhã. Na crise de um instante, seus olhos são pequenos para ver o tanto de amor que ainda tem para dar... E o quanto, o quanto tem sido amada. E haverá de ser!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-2140682813489834251?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/2140682813489834251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/11/cronica-para-uma-amiga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2140682813489834251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2140682813489834251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/11/cronica-para-uma-amiga.html' title='Crônica para uma amiga'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5940659128413007686</id><published>2010-11-11T07:58:00.002-03:00</published><updated>2010-11-11T08:08:25.715-03:00</updated><title type='text'>Travessuras da menina má</title><content type='html'>Amigo, anos depois do rompimento com a ex-mulher, está de volta. Mas diz que "cristal quebrado não tem conserto", pode? Já entra na relação, outra vez, inseguro, e nutre o medo da própria sombra. Ontem, entre um chope e outro, dizia meio vacilante: - "Foram dois anos de separação... Ela teve um namorado, é complicado!" Estava tenso, cheio de pruridos com o fato de que a ex tentara recomeçar sua vida. Um quadro curioso, em pleno século XXI. Como estivéssemos todos, outros amigos e eu, empenhados em ajudar o 'ciumento retrospectivo' (a mulher rompera com o novo namorado bem antes de ceder à proposta de reaproximação), citei &lt;em&gt;ene&lt;/em&gt; casos semelhantes que tiveram desfechos os mais felizes. Nada. O moço está pra lá de encucado com a situação. Incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudávamos de assunto, Dilma Rousseff aqui, Ronaldo &lt;em&gt;O Fenômeno&lt;/em&gt; acolá, volta e meia e um chope a mais, o tema voltava, na boca dele, claro: - "É por que não é com vocês... Saber que dormiu com outro, que fez com ele as mesmas coisas..." Quem haveria de segurar a cargalhada? Muito engraçado. Um dos nossos, acanalhado, como dizia meu pai, ainda arriscou: - "Bobagem. Lavou, 'tá novo de novo!" Por pouco, o happy hour não se transforma em tragédia. Foi aí, como é de praxe, que lancei mão da literatura para restabelecer a harmonia entre os convivas do fim de tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei, num lampejo a serviço da paz, do novo Nobel de Literatura, o peruano Mário Vargas Llosa. Não é que o romancista escreveu uma obra-prima sobre o assunto? Isso mesmo: &lt;em&gt;Travessuras da menina má&lt;/em&gt;, belíssimo! Ricardo, um peruano radicado em Paris, reencontra um ex-amor da adolescência e vê, sob a magia do belo sentimento, que jamais esquecera a mulher. Tentam, mas o destino, trapaçeiro, separa mais uma vez os dois. Começa, assim, uma sequência extravagante de reencontros, em Londres, dos &lt;em&gt;pubs, &lt;/em&gt;da cultura hippie dos anos 70; em Tóquio, com suas excentricidades; em Madri, das mudanças dos anos 80. Uma história extraordinária sobre as muitas faces do amor, no estilo inconfundível de narrar que faz de Vargas Llosa um dos dois maiores ficcionistas vivos. O outro, com a morte de Saramago, é García Márquez, óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar no autor de &lt;em&gt;Cem anos de solidão&lt;/em&gt;, uma curiosidade. Ele, Gabriel García Márquez, e Mário Vargas Llosa, que foram grandes amigos, são hoje desafetos figadais. O motivo? Teria o colombiano, numa visita a Llosa "dado em cima" da mulher deste. É conhecido o barraco em que os dois gigantes da narrativa de ficção contemporânea estiveram envolvidos numa cidade da Europa, Paris ou coisa que o valha. Mais novo e mais inteiro, o escritor peruano e atual Nobel deixou Márquez bastante avariado. O mundo das celebridades têm essas coisas também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos às &lt;em&gt;Travessuras da menina má&lt;/em&gt;. De uma forma particularmente gostosa, Llosa narra essa sedutora história de encontros e desencontros em lugares e circunstâncias as mais diversas. Com estilo e elegância aqui, discretamente cômico ou trágico ali, Mário Vargas Llosa joga com o banal e o inusitado para discutir o amor em toda a sua complexidade. Um belo livro sobre a paixão, o acaso, o perdão, a dor e o prazer da relação entre homem e mulher. Um drama muito parecido, guardadas as proporções, com o do meu amigo que acaba de reatar com a ex-mulher. Que ele não tenha reparado na dubiedade do título, &lt;em&gt;Travessuras da menina má&lt;/em&gt;. Tenho dito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5940659128413007686?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5940659128413007686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/11/travessuras-da-menina-ma.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5940659128413007686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5940659128413007686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/11/travessuras-da-menina-ma.html' title='Travessuras da menina má'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7292313476500588816</id><published>2010-11-04T20:25:00.003-03:00</published><updated>2010-11-05T13:00:36.372-03:00</updated><title type='text'>Frida Kahlo, o exemplo</title><content type='html'>Esta semana revi, durante uma aula de Estética, na Faculdade, o belo filme de Julie Taymor sobre Frida Kahlo. Assisti à película, quando menos, uma seis vezes, e cada vez mais a obra me impressiona. A produção é 2002, numa parceria EUA/Canadá, e tem no elenco Salma Hayek, numa interpretação soberba de Frida, contracenando com Alfred Molina no papel de Diego Rivera. O filme narra a trajetória punjante da pintora mexicana, da adolescência à conturbada (e tocante) vida ao lado do seu mentor e marido Diego Rivera, passando pela rápida convivência com Leon Trotsky - com quem Frida manteria um rápido &lt;em&gt;affair -&lt;/em&gt;, até sua morte, ocorrida em 1954.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que Frida viveu uma vida de dor e sofrimento. Teve poliomielite aos 6 anos e, aos 18, sofreu um pavoroso acidente de que saiu com fraturas por todo o corpo. Uma barra de ferro do ônibus entrou-lhe pelo pescoço e saiu pela vagina. Os ossos dos pés foram esmagados, a pélvis destroçada, inúmeras costelas quebradas e o ombro afundado. Frida viveria meses seguidos completamente imóvel, guardada por um colete de gesso que lhe cobria o corpo dos pés ao pescoço. Sobreviveu a tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme de Julie Taymor, no entanto, embora mostre a cena do acidente e o comovente padecimento de Frida, explora com maior e justificada razão a vida da pintora, sua impressionante capacidade de extrair da dor e do sofrimento desumanos a força sublimatória que a levou a realizar uma obra absolutamente chocante, de uma beleza e uma originalidade inconfundíveis. Além de autobiográfica, claro. Marcas a que Julie Taymor se propôs, e conseguiu irrepreensivelmente, dar maior realce, sem contudo deixar de expressar a sua emoção estética pessoal, o que se vê nos recursos de linguagem com que compôs cada cena, cada sequência narrativa, cada fotografia do seu belíssimo filme. O colorido da película, aqui e além, lembra telas de Vermeer. Ou da própria Frida, para ser mais preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas &lt;em&gt;Frida&lt;/em&gt;, o filme, vai muito além da sua beleza plástica irretocável. Do ponto de vista conteudístico, por exemplo, levanta uma curiosa reflexão em torno da correlação de forças homem-mulher e a dicotomia entre o que sejam lealdade e fidelidade. Mulherengo incorrigível, Diego pergunta à futura esposa o que lhe parece mais importante, se a fidelidade ou a lealdade, ao que Frida responde: - "A lealdade." O filme passa, então, a discutir uma coisa e outra. À luz dos valores falocêntricos de Diego, sexo e amor são coisas distintas, razão por que se acha no direito de se envolver fisicamente com diversas mulheres, mantendo-se transparente em relação à Frida. Sendo leal, portanto. Ela, por sua vez, respeitando o pacto firmado com o marido, mas ultrapassando as fronteiras estabelecidas para a mulher, numa sociedade orientada por valores judaico-cristãos, também se relaciona com homens e mulheres, uma vez que os dois haviam compreendido a diferença entre um conceito e outro. Mas a lealdade é ferida por ambos: Diego transa com a irmã de Frida, sendo, assim, desleal com a mulher. Frida, também, rompe o pacto, ao relacionar-se com o amigo de Rivera. É por isso desleal. O pacto não previra relações tão íntimas, tão próximas dos dois amantes, o que, supostamente, inflige sentimentos mais nobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um filme extraordinário, na perspectiva do que documenta sobre a vida de Frida Kahlo, e como obra de arte independente, nascida da imaginação e da fantasia dessa cineasta talentosa e original. Bem na linha do que professa Mário Vargas Llosa, a verdade artística é uma, a verdade histórica é outra. Por isso o filme ultrapassa os limites da história, mesmo da biografia escrita por Hayden Herrera, em que se baseou Taymor, e conta-nos uma história que a própria história não foi capaz de contar. Um filme imperdível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7292313476500588816?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7292313476500588816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/11/frida-kahlo-o-exemplo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7292313476500588816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7292313476500588816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/11/frida-kahlo-o-exemplo.html' title='Frida Kahlo, o exemplo'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1374073952617338214</id><published>2010-10-30T08:10:00.000-03:00</published><updated>2010-10-30T08:12:51.298-03:00</updated><title type='text'>Fora de mim</title><content type='html'>Na brevidade de suas 130 páginas, &lt;EM&gt;Fora de mim&lt;/EM&gt;, de Martha Medeiros, é desses romances que se leem de um fôlego e que jamais serão esquecidos. Um livro intenso, desconcertante, arrebatador. Narrado em primeira pessoa, na perspectiva da mulher, o enredo começa no momento mais dramático de uma relação amorosa falida: quando a separação se consolida e a dor advinda dessa decisão corta o peito como uma lâmina em brasa. O discurso flui com a força da palavra cristalina com que a ficcionista, que já nos presenteara com &lt;EM&gt;Divã&lt;/EM&gt;, outro belíssimo romance, constrói sua literatura absolutamente sedutora. Começa, como disse, no instante da ruptura, do baque, do golpe certeiro com que se descontrói uma história de amor, quando a ficha cai e se percebe que não resta chance, que se inicia a viagem sem volta.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; A narradora inicia o seu périplo comparando o momento da separação ao&amp;nbsp;relato de um sobrevivente de&amp;nbsp;um desastre&amp;nbsp;aéreo, do instante em que a aeronave começa a perder altitude, as turbinas, potência, e ouve-se o barulho estarrecedor do impacto com o chão: - "Não se sabe o que aconteceu, mas sabe-se que é grave. Alguma coisa que existiu não existe mais." Essa coisa, percebe-se com o passar das páginas, é a paixão, aquilo que existiu e não existe mais. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Na segunda parte, a narradora vai inserindo cenas do passado na estrutura cronológica da&amp;nbsp;narrativa, revelando ao leitor como se dera o encontro, e como se construíra a relação, do fogo da descoberta às crises que iriam minando o sentimento até a morte inevitável. A dor incomunicável, o martírio sem nome, a ciclotimia da emoção, a saudade, a dúvida acerca do que seria continuar a vida sem a presença do que se amou um dia, são os elementos com que Martha tece a sua narrativa a um tempo trágica e alentadora. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Na terceira e última parte do livro, o momento da superação, quando o passado é visto sem desespero, sem a angústia decorrente da perda: - "Doeu perder você. Passados quatro anos, ainda lembro." É aí que o livro cresce, na medida em que o apelo dramático cede espaço a uma reflexão entre poética e filosófica, a filosofia dos amantes que se reconstroem das cinzas para enxergar a anteluz da manhã que se aproxima: - "[...] Uma dor que tentamos compreender em voz alta, uma dor que levamos para os consultórios dos analistas, uma dor que carregamos para mesas de bar, e que vem junto também para a solidão da nossa cama, para o escuro do quarto, onde permitimos que ela transborde sem domínio e sem verbo."&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; O clímax da narrativa, no entanto, está na passagem do livro em que a personagem 'discute' um dos temas&amp;nbsp;mais explorados na literatura de todos os países, o ciúme, também no caso desse belíssimo &lt;EM&gt;Fora de mim&lt;/EM&gt;, a causa decisiva do fim da relação.&amp;nbsp;O que impressiona, aí, é que a obra de Martha Medeiros, na despretensiosa brevidade do volume, avulta, altaneira, guardadas as proporções, até os píncaros em que estão ladeados Proust e Machado de Assis, os maiores especialistas na interpretação do "monstro dos olhos verdes" de que nos falou William Shakespeare.&amp;nbsp;A escritora gaúcha, assim,&amp;nbsp;atinge o paroxismo de sua arte, assume, em definitivo, o posto mais alto entre os nomes de sua geração, e torna-se uma especialista no tema eterno da paixão, o qual trabalha com uma sensibilidade que não encontra páreo na literatura brasileira&amp;nbsp;contemporânea. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1374073952617338214?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1374073952617338214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/fora-de-mim_30.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1374073952617338214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1374073952617338214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/fora-de-mim_30.html' title='Fora de mim'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5719748997207786830</id><published>2010-10-27T09:33:00.001-03:00</published><updated>2010-10-27T09:33:37.064-03:00</updated><title type='text'>Dilma presidente</title><content type='html'>A concluir pelo que dizem as pesquisas, a farsa da bolinha de papel, que seria a bala do tigre, resultou mal para o farsante.&amp;nbsp;Ou seja, o tiro saiu pela culatra. Dilma cresceu em média dois pontos, Serra caiu dois.&amp;nbsp;A quatro dias da eleição, pois escrevo esta coluna&amp;nbsp;na quarta-feira 27, acho que as favas estão contadas, e o povo brasileiro, em sua maioria, está decidido a colocar pela primeira vez uma mulher como presidente da República. Um feito. E um reconhecimento aos avanços do atual governo, que elevou a condição de vida dos brasileiros mais pobres a níveis confortáveis, entre outras conquistas que só os&amp;nbsp;adversários não querem ver. Realidade que Dilma, queira-se ou não, ajudou a construir.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Serra lutou, é verdade. Dessa vez, no entanto, lamentavelmente&amp;nbsp;maculando a sua história de ex-presidente da UNE, ex-homem de esquerda,&amp;nbsp;os 14 anos de exílio, os mandatos de deputado, senador, até onde sei marcados pela correção de ideias e ações, uma vez que&amp;nbsp;pesam sobre o executivo,&amp;nbsp;prefeito de São Paulo e governador do Estado mais rico do país acusações&amp;nbsp;que ficaram até aqui sem defesas consistentes. No desespero, depois de uma animação sustentada nas primeiras pesquisas pós-primeiro turno, lançou mão de expedientes inescrupulosos, liderando uma campanha difamatória de que a história da nossa democracia se envergonhará.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Lula e Dilma multiplicaram-se, apoiados em números inequivocamente favoráveis ao seu governo, e na adesão convincente de intelectuais e artistas de peso, na linha do que fizeram expoentes como Chico Buarque de Holanda e Leonardo Boff, para ficar num exemplo. Souberam&amp;nbsp;com equilíbrio e racionalidade&amp;nbsp;lidar com a infâmia, a difamação, a calúnia, que passaram a ser a arma pretensamente mortífera do PSDB. Como disse, o tiro saiu pela culatra, e a realidade dos fatos aponta para uma vitória inconteste da candidata do PT. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Como, maliciosamente,&amp;nbsp;afirmou Eliane Cantanhêde, jornalista do mais serrista matutino brasileiro,&amp;nbsp;a &lt;EM&gt;Folha de São Paulo&lt;/EM&gt;, "a eleição caminha, portanto,&amp;nbsp;para a eleição [sic] da primeira mulher presidente do Brasil. Ou, na prática, para um terceiro mandato de Lula. A ver."&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; De fato,&amp;nbsp;e em termos mais condizentes com&amp;nbsp;os pressupostos da&amp;nbsp;democracia, o presidente Lula, com a eleição de Dilma nesse domingo 31, fecha de forma acima de bem sucedida o seu ciclo, e começa uma nova etapa na sua trajetória vitoriosa como homem público e como cidadão, afastando-se apenas temporariamente de Brasília e do poder. Os mais de 80 por cento de aprovação, inéditos em toda a história do país,&amp;nbsp;ao lado do&amp;nbsp;prestígio de que goza além-fronteiras, parecem demonstrar concretas possibilidades de retorno de Lula&amp;nbsp;ao posto de presidente da República. Que seja.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5719748997207786830?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5719748997207786830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/dilma-presidente.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5719748997207786830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5719748997207786830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/dilma-presidente.html' title='Dilma presidente'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8633766351221342424</id><published>2010-10-18T17:30:00.004-03:00</published><updated>2010-10-22T13:05:00.526-03:00</updated><title type='text'>Último tango</title><content type='html'>Como o debate entre os presidenciáveis, domingo 17, estivesse aquém de morno, fui à estante apanhar um filme para ver, até que me chegasse o sono. Fiz isso meio às cegas, pegando intencionalmente ao acaso a caixa do &lt;em&gt;DVD&lt;/em&gt;. Pasmem! Cai-me às mãos nada mais, nada menos que o &lt;em&gt;Último tango em Paris&lt;/em&gt;, o belíssimo filme de Bernardo Bertolucci. Vi-o havia muitos anos, em 79, se não me engano, quando finalmente liberado no Brasil. A obra é de 1972, e a revi uma ou duas vezes, que é, do cineasta italiano, a de que mais gosto. Uma obra-prima da sétima arte, coisa obrigatória para os trintões e trintonas de hoje que não tiveram a oportunidade de vê-lo no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo mesmo assumido o papel de animador cultural deste semanário, o sono sem vir, decido rascunhar um texto breve sobre este filme que marcou época na história do cinema de arte. Lembro que foi o primeiro nu frontal liberado no país, desde Norma Bengel em priscas eras, como diria mamãe. Mas, assistindo novamente a este maravilhoso trabalho de Bertolucci, reluto em 'ver' o lado violento ou apelativamente erótico do filme, pretexto com que se procurou justificar, aqui e além, a sua proibição durante quase uma década. Vejo-o como ao &lt;em&gt;Império dos sentidos&lt;/em&gt;, outro clássico da época, marcado por forte poeticidade, e profundo, acima de tudo profundo como análise da paixão em sua mais completa complexidade. Um primor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que não o viram, à época, e que são o objeto da minha motivação enquanto escrevo esta crônica, conto o filme em duas palavras: Paul, numa interpretação inesquecível de Marlon Brando, é um americano de meia-idade que reside em Paris, onde acaba de perder a esposa por suicídio. Atormentado em face do ocorrido, enquanto caminha sem rumo pelas ruas de Paris, Paul cruza com Jeannie (Maria Schneider), uma beldade bem mais nova que ele e noiva de um jovem cineasta. Paul e Jeannie encontram-se num apartamento desocupado que pretendem alugar. Está construída a trama. Sem revelarem sua identidade, os dois passam a transar arrebatadamente, num frenesi estonteante e extremamente poético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alugado o imóvel, Paul e Jeannie passam a encontrar-se ali, entregando-se a uma paixão frenética, alucinante, até que ele desaparece sem deixar vestígios. Mas a história não acaba aí. Os dois se reencontram ao acaso, e Paul a leva a uma casa de tangos, onde vivem os derradeiros momentos desse amor enlouquecido, em cenas inesquecíveis de entrega e deslumbramento. Agora é ela que rompe a relação, subitamente, como que desiludida com a perda do anonimato que os unira antes. Foge para o apartamento em que mora com a mãe, mas Paul a segue desesperadamente. Mas não vou revelar o desfecho desse filme arrebatador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Último tango&lt;/em&gt;, além de ser um dos grandes filmes sobre a paixão, arrebanha em torno dele um corolário de curiosidades estarrecedoras. Uma delas diz respeito às declarações de Schneider sobre a antológica cena em que Jeannie é sodomizada por Paul com o auxílio de uma porção de manteiga. Depois das filmagens, a atriz chegou a dizer que Brando a violentara durante a gravação da cena, e que o seu choro, portanto, teria muito mais que técnica de interpretação. Não à toa, como se vê, causou escândalo, julgamentos desencontrados e censura quase universal ao filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8633766351221342424?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8633766351221342424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/ultimo-tango.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8633766351221342424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8633766351221342424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/ultimo-tango.html' title='Último tango'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-2220089865985928748</id><published>2010-10-14T10:36:00.001-03:00</published><updated>2010-10-14T10:36:31.877-03:00</updated><title type='text'>Três pérolas</title><content type='html'>Três pérolas caem-me às mãos esses dias. Primeiro o texto dramático &lt;EM&gt;Júlio César e Polônio - A História pelo Avesso&lt;/EM&gt;, do psiquiatra e contista Weimar Gomes dos Santos. Texto da melhor qualidade, desses que se podem apreciar independetemente de sua montagem cênica. Admiravelmente construído com os elementos do grande teatro, em que pese tratar-se de um texto antes de tudo moderno, no mais rigoroso significado da expressão, essa história pelo avesso, como o próprio subtítulo da peça deixa a ver, assinala a estreia de Gomes no gênero,&amp;nbsp;mas já nasce maduro do ponto de vista&amp;nbsp;da carpintaria teatral, que o autor soube manusear com surpreendente competência&amp;nbsp;mesmo em se&amp;nbsp;tratando de um estreante. Se o grande teatro é, antes de tudo, uma bela linguagem, como quis Louis Jouvet, para citar um renomado amante do teatro de texto, &lt;EM&gt;Júlio César e Polônio &lt;/EM&gt;é peça para marcar a renovação do nosso teatro no que diz respeito à produção&amp;nbsp;textual. Mas não se limita à questão da linguagem o que há de mais relevante na estreia de Weimar Gomes dos Santos no teatro. Fico antevendo o que resultará da obra&amp;nbsp;se confiada às mãos de um diretor inventivo, quão inventiva&amp;nbsp;é a tessitura dramática criada pelo autor. Como professo para os meus alunos de Artes Cênicas que a revitalização do nosso teatro pressupõe um retorno à valorização do texto, ler&amp;nbsp;a&amp;nbsp;"História pelo Avesso", que seu criador submete à minha modesta opinião, foi, a um tempo, uma experiência prazerosa e alentadora. Texto plural, cuja força vai para além da mera literariedade que é mesmo o que, ao primeiro olhar, chama-nos a atenção. Reforça esta qualidade, já referida, o estilo, ligeiramente inspirado (inconscientemente?) em Brecht, mesmo que a referência a Shakespeare seja uma marca assumida pelo estreante, bela promessa desses novos tempos.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; A outra, o livro de contos &lt;EM&gt;Entre Oito Paredes&lt;/EM&gt;, do também estreante Brennand de Sousa. Arquiteto de formação, o autor, que já tem íntimas ligações com outra estética, a teatral, vem a público, agora, com uma coletânea de narrativas curtas de inegável qualidade, em que sobressaem a visada pessoal extremamente sensível e o domínio da técnica, economia de meios, linguagem, unidade dramática, de tempo e de espaço, que denunciam a intenção de Brennand de, mantendo-se no território da tradição, e quem sabe por isso mesmo, constituir novidade num tempo de experimentalismos nem sempre bem sucedidos. O livro se constroi a partir do inusitado, daquilo que surpreende, que nos pega de inopino no vai e vem da vida: um assalto na rua, um pedinte com que deparamos aqui&amp;nbsp;ou além, a presença ao mesmo tempo delicada e prodigiosa da avó amada, enfim, a matéria com que se tece o eterno viravoltear do cotidiano. Não bastasse, pela originalidade da escrita e oportunidade da intenção, a homenagem ao homem de teatro, emblematicamente representado na figura de Ricardo Guilherme, uma das mais elevadas expressões da nossa inteligência. Um pequeno-grande livro, este &lt;EM&gt;Entre Oito Paredes &lt;/EM&gt;com que o amigo Brennand de Sousa faz sua estreia nas letras cearenses contemporâneas.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; Por último, e de qualidades artísticas ainda mais impressionantes, o belíssimo &lt;EM&gt;CD &lt;/EM&gt;homônimo de Maurílio Rocha, uma coletânea de músicas compostas&amp;nbsp;em sua&amp;nbsp;totalidade por esse mineiro talentosíssimo, que, por dever de ofício, como professor do curso de Belas Artes da UFMG, tem vindo ao Ceará com alguma frequência. Um trabalho musical refinadíssimo, este de Maurílio Rocha, quer pela competência do compositor, do poeta e do intérprete, que transita&amp;nbsp;pelas três dimensões artísticas com a mesma e irrepreensível desenvoltura, quer pela&amp;nbsp;motivação que o move enquanto grande artista que é,&amp;nbsp;e de que resulta o&amp;nbsp;presente álbum: Maurílio compôs as oito músicas para os espetáculos teatrais &lt;EM&gt;O Mambembe&lt;/EM&gt;, de Arthur Azevedo, e &lt;EM&gt;Sonho de uma noite de verão&lt;/EM&gt;, de William Shakespeare.&amp;nbsp;Também por essa razão, o trabalho apresenta-se eficiente, preciso e original. &lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; O carro-chefe do &lt;EM&gt;CD&lt;/EM&gt;, no entanto, a fim de que se faça justiça a outro grande artista, conta com a parceria de Anderson Aníbal, que assina a letra, vestida à perfeição pela deliciosa melodia de Maurílio Rocha. Intitula-se &lt;EM&gt;O Sonho&lt;/EM&gt;: "Diz, se você puder./O que é isso que me tonteia?/Que vira os meus olhos e me faz cair?/É sonho? É sonho? É amor? É?", indaga o eu-lírico na primeira estrofe do poema, para&amp;nbsp;arrematar com um lirismo despretensioso e leve, que remonta, talvez, ao melhor romantismo do inconfidente Tomaz Antônio Gonzaga:&amp;nbsp;"E esse doce, essa nuvem/Nuvem é lugar de andar/Andar com que pé?/Asa que você me dá./É asa./Amor./Amor é." Fina-flor.&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; &amp;nbsp;&lt;BR&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-2220089865985928748?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/2220089865985928748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/tres-perolas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2220089865985928748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2220089865985928748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/tres-perolas.html' title='Três pérolas'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7929164525250667714</id><published>2010-10-08T07:40:00.002-03:00</published><updated>2010-10-27T20:24:07.896-03:00</updated><title type='text'>A ética perdida</title><content type='html'>É verdade que dei com os burros nágua. Deu segundo turno e a galera da reação está exultando com a possibilidade de um retrocesso. Coisas da democracia, se é que se pode falar de democracia diante de tudo o que houve e que, até onde sei, explica a surpresa do resultado. Sem querer "perder a postura intencionalmente", a exemplo do que fiz na semana que passou, insisto na ideia de que a grande imprensa brasileira vem materializando o mais deslavado jornalismo marrom. Por falar nisso, leitor encontra-me na rua e diz com todas as letras: - "Você foi muito infeliz!" Isso, claro, depois de besuntar a crítica com elogios que estão para além do que pode este pobre escriba.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Analisando o que se deu em termos de mídia durante a campanha, ocorre-me lembrar do clássico &lt;em&gt;As ilusões perdidas&lt;/em&gt;, de Honoré de Balzac, livro com que o francês põe a nu as práticas inconfessáveis dos profissionais da imprensa na segunda metade do século XIX. Trata-se, entre outras coisas que a obra explora com a maestria do gênio, de uma impiedosa, mordaz e procedente crítica às práticas perversas do jornalismo, sua nebulosa expressão de interesses político-partidários. Numa palavra, a parcialidade de um aparelho a um tempo imprescindível e pernicioso. Mas, voltemos ao que importa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pois bem. O mais lamentável é que um jornal importante como a &lt;em&gt;Folha de São Paulo&lt;/em&gt;, uma revista como a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, para não entrar nas obviedades que levam os jornalistas da &lt;em&gt;TV Globo&lt;/em&gt; a fazer o que fazem, possuidores de redações extremamente competentes, a fina flor da nossa imprensa, pratiquem em uníssono um jornalismo compactamente voltado para os interesses dos seus patrões. Uma vergonha!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E ainda têm o cabotinismo de ribombar palavras de ordem em favor do que professam ser uma imprensa livre. Confunde-se, na embriagada disposição de fazer valer a vontade do patrão, liberdade empresarial dos donos dos órgãos de imprensa com liberdade de expressão jornalística. E haja editoriais, reportagens, artigos etc., defendendo hoje, &lt;em&gt;mutatis mutandis&lt;/em&gt;, o que defendiam durante os anos de arbítrio: antes, o elogio da reação contra o que diziam ser o risco de cubanização do Brasil; agora a desconstrução de um governo popular contra os riscos de mexicanização, venezuelização ou seja lá o que for. Uma indecência!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Isso, prezado leitor, para não falar da exploração desumana de falas, isoladas do contexto em que foram ditas, com o fim de danificar a imagem pública das pessoas. Um exemplo? A fala em que a candidata Dilma Rousseff admite a necessidade de que se revejam as questões legais que envolvem o aborto, que, para essa imprensa "livre" significa defender a legalização do aborto. Em tempo, não há como negar: o papel da Igreja, sem esquecer a manipulação do pensamento dos evangélicos, explica à perfeição a queda de Dilma e o espantoso crescimento de Marina Silva no primeiro turno. Sem desconhecer os méritos desta, obviamente. A ética perdida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7929164525250667714?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7929164525250667714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/etica-perdida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7929164525250667714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7929164525250667714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/10/etica-perdida.html' title='A ética perdida'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5806102105663716672</id><published>2010-09-30T14:32:00.005-03:00</published><updated>2010-10-07T08:32:57.157-03:00</updated><title type='text'>O amor e a razão</title><content type='html'>Leitora faz uma reflexão curiosa sobre crônica &lt;em&gt;As palavras de Saramago&lt;/em&gt;: - "Você não acha que casar com uma mulher 28 anos mais nova e fazer as declarações de amor que fez, não vai de encontro à racionalidade que Saramago sempre demonstrou ter?" Bem, amiga, se compreendo o que você argumenta, afirmo que não. Sua indagação, que mais constitui uma afirmação, na perspectiva da análise do discurso, reedita uma concepção do "amor romântico", inapropriado, assim, para um homem extremamente racional, como você observa com tanta correção ser o escritor português. Tentarei ser mais objetivo valendo-me do próprio Saramago, se me permite: - "A razão não é inimiga das ilusões, dos sonhos, da esperança, de todas essas coisas que têm a ver com os sentimentos... Porque a razão não é algo frio, não é algo mecânico. A razão é o que é, com tudo o que a gente tem de sentimento, de desejos, de ilusões, disso tudo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua pergunta, que é mesmo um tipo de afirmação, como disse, talvez explique por que os relacionamentos tornaram-se tão vazios, explosivos, intensos... mas fugazes, fogos de palha, para ficar numa expressão. Esse modelo, romântico, idealizado, à Romeu e Julieta, para lembrar Shakespeare, talvez seja hoje demasiado anacrônico para encontrar seu espaço. Ocorre-me lembrar Luis Fernando Veríssimo: Romeu e Julieta permanecem como ícones da paixão "porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades a que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora! [...] Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela era especial e depois sumiu por semanas. Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele quanto ficava insuportável na TPM."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincadeira à parte, é isso mesmo. As relações duradouras, que são cada vez mais raras, atingem essa condição por que envolvem uma dosagem dominante de racionalidade, de equilíbrio, porque Apolo domina Dionísio em meio às dificuldades comuns a qualquer experiência de vida a dois. Por isso, na contramão do que parece sugerir, não enxergam as diferenças, mesmo as de idade, como no caso de Saramago e Pilar del Río, porque são capazes de compreender o abismo que separa o essencial do supérfluo, o inteligível do sensível, a ideia da aparência, como no 'mito da caverna' de que nos falou Platão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vê, agora, como as palavras de Saramago revelam a atitude do homem movido pela razão? Só assim faz sentido a declaração comovente do seu amor: - "Com 63 anos, quando já não se espera nada, encontrei o que faltava [Pilar del Río] para passar a ter tudo." Pura luz, pura razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5806102105663716672?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5806102105663716672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/09/o-amor-e-razao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5806102105663716672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5806102105663716672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/09/o-amor-e-razao.html' title='O amor e a razão'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-909596175607737634</id><published>2010-09-23T14:10:00.003-03:00</published><updated>2010-09-23T14:19:58.519-03:00</updated><title type='text'>As palavras de Saramago</title><content type='html'>Admirei o homem tanto quanto o escritor. Poucos grandes artistas terão elevado ao nível da obra a qualidade de sua vida real, a que tínhamos acesso pelas incalculáveis entrevistas, declarações públicas, depoimentos de toda ordem que deu mundo afora. Não sem razão, portanto, li com entusiasmo a coletânea &lt;em&gt;Palavras de Saramago&lt;/em&gt;, publicada há pouco, sob a organização impecável de Fernando Gomes Aguilera, pela Companhia Das Letras. Um livro imperdível, afirmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coleção está dividida em três seções, abrangendo o pensamento da pessoa, do escritor e do cidadão, o que constitui um repertório a um tempo profundo e agradável de ideias corajosas, provocativas e engajadas de um dos intelectuais mais completos da língua portuguesa. Do comunista libertário, como gostava de se definir politicamente, ao homem sensível, tomado de amores pela mulher 28 anos mais nova; do cidadão decepcionado com os governantes de sua terra, ao amante da pátria jamais contaminado pelo ufanismo reinante em diferentes momentos da sua história, deparamos com verdadeiras lições de integridade moral, correção intelectual e profundidade filosófica acerca dos mais variados temas. Degustemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a sua coerência, que lhe parece um bem precioso, inalienável, declara: "[...] sempre digo o que penso. Ninguém nunca poderá dizer que eu o enganei. As pessoas têm necessidade de que se fale com elas com honestidade." Humildade: "Amarga-me na boca a certeza de que umas tantas coisas sensatas que pude dizer durante a vida não terão , no fim das contas, nenhuma importância." Equilíbrio: "A nossa vida é feita do que nós fazemos por ela, e do que temos que aceitar que os outros façam." Religião: "Sou um ateu com uma atitude religosa e vivo muito em paz." Caráter: "Nunca cedi às tentações do poder, nunca me pus à venda."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o amor, seu amor por Pilar del Río, a mulher com quem viveu dos 63 anos até à morte, ocorrida em 2010, aos 88 anos, Saramago faz uma declaração emocionante: "É estranho para mim entender que foi preciso passar 28 anos desde o meu nascimento para que chegasse a pessoa que seria imprescindível em minha vida... [...] Quando a conheci eu tinha 63 anos, era um homem já velho. Ela tinha 36 anos. [...] Agora não posso imaginar minha vida sem ela, não posso conceber nada se Pilar não existisse... Quando ela não está, a casa se apaga. E, quando ela volta, se reativa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a encontrou pela primeira vez, Saramago parou os relógios da casa. Eram dezesseis horas: "Pilar é o centro da minha vida, desde que a conheci, há dezessete anos. Foi minha a ideia de parar os relógios da casa às quatro da tarde. Isso não significa que o tempo ficou parado ali, mas é como se o relógio marcasse a hora em que começou o mundo." Num tempo de amores vazios, de tantos descalabros no plano ético e humano, ler as 'palavras de Saramago' é reaprender o significado da vida, e procurar vivê-la de modo a poder confessá-la um dia. De cabeça erguida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-909596175607737634?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/909596175607737634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/09/as-palavras-de-saramago.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/909596175607737634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/909596175607737634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/09/as-palavras-de-saramago.html' title='As palavras de Saramago'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-686791467168375328</id><published>2010-09-16T07:29:00.003-03:00</published><updated>2010-09-16T07:44:13.534-03:00</updated><title type='text'>Quem ama não fica só</title><content type='html'>A propósito da crônica &lt;em&gt;No teu deserto&lt;/em&gt;, publicada neste espaço há uma semana, leitora faz com propriedade o seguinte comentário: - "Se o amor acaba, as transformações que faz em nós, não. Sendo assim, haverá sempre um pouco do ser amado impregnado em nós!" O que assevera, muito mais que verdadeiro (o que é, indiscutivelmente!), é bonito, com uma inspiração algo poética, quem sabe filosófica, o que não me surpreende, vindo de onde vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi a referida crônica a fim de tecer considerações sobre o romance homônimo do escritor português Manuel Sousa Tavares, uma indicação do acadêmico e amigo Dimas Macedo. Como o livro constituísse a narração de um amor efêmero, mas intenso e belo, a leitura me impulsionou a fazer algumas reflexões sobre o fim dos relacionamentos, mesmo aqueles que foram capazes de fazer desabrochar nos amantes os maiores, mais sinceros e mais bonitos sentimentos, e que, acabados, trazem invariavelmente a dolorosa sensação de que tudo não passara de um logro, um tipo de engano. Afinal, é recorrente, até onde sei, que quase nunca uma relação termina de forma tão equilibrada que possa permitir o restabelecimento do que um dia fora uma simples amizade, quantas vezes nascida do inesperado. Um lado sempre vai sair machucado e a ferida leva um tempo para sarar, quando sara a ponto de não deixar cicatrizes incômodas tempos afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a leitora foi fundo, tocou no nervo da questão. De fato, o fim de um amor, quando grande e intenso, a exemplo do que nos comunica o narrador desse belíssimo &lt;em&gt;No teu deserto&lt;/em&gt;, jamais significará a morte do objeto amado, que quedará em silêncio no mais profundo da alma, de onde ressurge vez e outra, na música que ouvimos, no lugar onde estivemos juntos um dia, nas mensagens e fotos que ficaram dos momentos bons e felizes vividos a dois. Talvez por isso, não raro, o que parecia morto é capaz de renascer das cinzas, como fênix, talvez uma flor que brotou do inesperado chão e "furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio", como quis Drummond.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso reli esta semana, &lt;em&gt;Consolação&lt;/em&gt;, o extraordinário romance de Betty Milan. Não estranhe, leitor. Isto mesmo, o belíssimo romance de Betty Milan, que, para quem não conhece como ficcionista, é uma escritora de muito talento. O enredo é simples, o tratamento profundo. Uma viúva brasileira de um marido francês volta a São Paulo para visitar a mãe, velhinha, e o túmulo do pai. Em meio à loucura dessa cidade a um tempo encantadora e desumana, descobre que nem mesmo a morte é capaz de fazer desaparecer a felicidade do amor, a eterna presença de quem 'se foi', em nós. Poucas vezes alguém terá analisado a morte de forma tão leve, com tanta naturalidade e tanta poesia. Um breviário de superação da perda, do luto. Afinal, como se vê na fala de uma personagem, "... O destino tira o que a gente tem. O que a gente já perdeu ele não tira!" O que não se tem mais nos é restituído através da saudade. Quem ama não fica só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-686791467168375328?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/686791467168375328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/09/quem-ama-nao-fica-so.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/686791467168375328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/686791467168375328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/09/quem-ama-nao-fica-so.html' title='Quem ama não fica só'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6841423478372706111</id><published>2010-09-09T15:37:00.004-03:00</published><updated>2010-09-15T13:02:02.864-03:00</updated><title type='text'>No teu deserto</title><content type='html'>Como de costume, durante garimpagem na &lt;em&gt;Siciliano&lt;/em&gt;, deparo com o escritor Dimas Macedo. E ficamos os dois, embriagados de literatura, a exemplo do que fazemos sempre, comentando obras e autores que nos apaixonam, sem percebermos o tempo que passa. Num rompante, o amigo levanta-se, quase assustando-me: - "Poeta [é assim que me chama], você não pode deixar de ler um romance..." E retorna, segundos depois, portando um pequeno livro, os olhos brilhando daquele entusiasmo que nos domina sempre que apresentamos a um amigo uma pérola recém-descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se do romance &lt;em&gt;No teu deserto&lt;/em&gt;, do português Miguel Sousa Tavares, de quem, confesso, apenas conhecia o já renomado &lt;em&gt;Equador&lt;/em&gt;, livro com que veio a público no Brasil há coisa de uns poucos anos. Ainda na presença de Dimas, e contaminado do seu entusiasmo, inicio ali mesmo a leitura dessa breve e sedutora narrativa, como havia muito não encontrava na literatura de língua portuguesa contemporânea. Uma belíssima história de amor envolvendo um jornalista maduro e uma garota quinze anos mais nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontram-se na circunstância de uma viagem ao Saara, que o destino colocara a ambos como projeto individualmente traçado. Tem início, assim, como obra do acaso, do talvez ou do quem sabe, um relacionamento marcado pela força de um amor indômito, indiferente à lógica subjetiva das individualidades. Ele, racional, apolíneo; ela, impetuosa e dionisíaca; ambos, invadidos de motivação para as descobertas do imponderável. Não haveria mesmo melhor ingrediente para se tecer um belo romance. A diferença, no entanto, para-além do ofício e da técnica, com cujo domínio se tecem as belas histórias, está na forma intensamente original com que Tavares construiu esse pequeno-grande livro sobre o amor e suas reverberações na vida de um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história começa quando, acidentalmente, enquanto procura numa gaveta algo de que, de repente, não é capaz de lembrar, cai às mãos do narrador (o ponto de vista alterna entre ele e ela, ao longo da narrativa) uma fotografia dela tirada durante a viagem: "[...] É por isso que não gosto de olhar para fotografias antigas: se alguma coisa elas refletem, não é a felicidade, mas sim a traição - quando mais não seja, a traição do tempo, a traição daquele mesmo instante em que ali ficamos aprisionados no tempo. Suspensos e felizes, como se a felicidade pudesse suspender carregando no botão 'pausa' no filme da vida." &lt;em&gt;No teu deserto&lt;/em&gt;, como vemos, é uma intensa, poética e incontornável reflexão sobre a transitoriedade do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da leitura desse belíssimo romance, vêm, como moscas à ferida, as perguntas que todos fazemos, cedo ou tarde, numa ou noutra circunstância, sempre que o amor acaba: Onde queda, adormecido, o sentimento que nos uniu um dia na 'utópica convicção' da eternidade? Aonde vaga, nebuloso, o 'eu te amo' tantas vezes dito? E os planos que fizemos, diz-me, onde estão? É o que angustia o narrador ao final do livro: "O que fomos nós um para o outro: apenas companheiros eventuais de viagem? Foi só isso, diz-me, foi só isso o nosso encontro?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6841423478372706111?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6841423478372706111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/09/no-teu-deserto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6841423478372706111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6841423478372706111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/09/no-teu-deserto.html' title='No teu deserto'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-805379766839916579</id><published>2010-08-31T20:11:00.001-03:00</published><updated>2010-08-31T20:11:41.501-03:00</updated><title type='text'>O amor e a coisa amada</title><content type='html'>&lt;P style="MARGIN: 12pt 0cm" class=MsoNormal&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;FONT size=3 face=Calibri&gt;&amp;nbsp;&lt;/FONT&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="MARGIN: 12pt 0cm" class=MsoNormal&gt;&lt;FONT size=3 face=Calibri&gt;Amigo vive há dias um verdadeiro inferno, é o que me diz. Até onde sei, acaba de romper uma relação de um ano e custa-lhe aceitar a perda do objeto amado. Viveram uma crise da qual não conseguiram sair, e coube à namorada terminar, o que o deixou desarvorado. A velha história. Quem, ainda que uma vez, não conheceu de perto este drama? A eterna procura.&lt;/FONT&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="MARGIN: 12pt 0cm" class=MsoNormal&gt;&lt;FONT size=3 face=Calibri&gt;Ocorre-me lembrar Platão, para quem, a princípio, os seres humanos eram andróginos, isto é, machos e fêmeas ao mesmo tempo. Que isso tem a ver? Bem, tem muito a ver, uma vez que, separadas em duas metades, as almas vivem a procurar sua parelha. E não suportam a solidão, associando sempre a sua felicidade à descoberta do outro. Por isto este inferno a que se refere o amigo. É que não sabemos lidar com as perdas. Mais uma vez o mito de Platão.&lt;/FONT&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="MARGIN: 12pt 0cm" class=MsoNormal&gt;&lt;FONT size=3 face=Calibri&gt;Sem desmerecer a garota, que sempre me pareceu uma mulher interessante, acho que meu amigo, na linha do que fazemos todos, incorre no erro histórico: ninguém será capaz de substituir a amada que se foi. É ela a mulher ideal, &lt;I style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;idealis&lt;/I&gt;, qualificativo que tem sua origem no substantivo &lt;I style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;idea&lt;/I&gt;, ideia, ou seja, a coisa correspondente à ideia que se faz dela. Fantasia, pois.&lt;/FONT&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="MARGIN: 12pt 0cm" class=MsoNormal&gt;&lt;FONT size=3 face=Calibri&gt;Aí está a raiz do sofrimento quando perdemos alguém que 'idealizamos', que construímos em nossa mente conforme o nosso ideal. Proudhon, o pensador francês, reportando-se ao conceito de beleza, diz disso uma coisa bastante curiosa: "... a palavra ideal se diz, pois, de qualquer objeto que reúna no mais alto grau todas as perfeições, mais bela que todos os modelos oferecidos pela natureza: beleza ideal, figura ideal." &lt;/FONT&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="MARGIN: 12pt 0cm" class=MsoNormal&gt;&lt;FONT size=3 face=Calibri&gt;Um tipo de ofuscamento, uma perturbação do entendimento. Esta a razão por que é tão difícil a felicidade a dois, pelo menos na dimensão do que estamos falando. Cobramos do outro a perfeição que só existe no âmbito da ideia, que, para Platão, não existe nem mesmo na coisa em si, mas no que imaginamos dela. No caso, não pode haver uma mulher que tenha todos os atributos por nós idealizados, que seja a um tempo loira e morena, alta e baixa, robusta e delgada, nem os atributos morais que pensamos encontrar quando amamos. Em verdade, o objeto do nosso amor é sempre um retrato, uma 'pintura' nascida da nossa subjetivação. Tento, sem conseguir, dar isso a ver ao amigo. Parodiando Agostinho, o Santo, "é que amamos um mortal como se ele não fosse morrer."&lt;/FONT&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="MARGIN: 12pt 0cm" class=MsoNormal&gt;&lt;o:p&gt;&lt;FONT size=3 face=Calibri&gt;&amp;nbsp;&lt;/FONT&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/P&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-805379766839916579?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/805379766839916579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/o-amor-e-coisa-amada.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/805379766839916579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/805379766839916579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/o-amor-e-coisa-amada.html' title='O amor e a coisa amada'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-541197267707208336</id><published>2010-08-26T19:26:00.001-03:00</published><updated>2010-08-26T19:26:32.168-03:00</updated><title type='text'>A morte de meu pai</title><content type='html'>&lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpFirst&gt;&lt;B style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/B&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;DONA TEONILA FELIPE adentra o meu apartamento numa certa manhã. Pela expressão do rosto, visivelmente tenso, concluo que é portadora de alguma notícia ruim. Puxo-lhe uma cadeira e dou a ver a minha apreensão: - "O que houve? Por favor, não me esconda nada!" Ela me diz que tenho de ir a Iguatu, o avião aguardando na base aérea.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;Aos 67 anos, gozando de alguma vitalidade ainda, meu pai, o mais manso e equilibrado homem que pude conhecer, acabara de tomar a decisão radical. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;Não sei, de fato, o que se passou comigo a partir daquele instante. Os sessenta, setenta minutos de voo entre Fortaleza e Iguatu, passei-os em silêncio, sem derramar uma lágrima que fosse. Há dores que, de tão profundas, parecem exigir o silêncio. Era o que se passava comigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;Ao meu lado, como uma voz que soava absolutamente distante e indiferente, meu irmão Odivaldo falava sem parar, como se o fizesse mecanicamente, sem domínio de suas ideias, que não tinham para mim, naquelas circunstâncias, o menor significado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;E, num espaço de tempo que me pareceu uma eternidade, tentava entender as razões que pudessem de alguma forma explicar a atitude extrema de meu pai. Passei em revista a nossa convivência, o carinho que dispensara a todos de casa, a mansidão de seus gestos, a humildade e a expressão sempre serena do seu rosto. Lembrei a correção de seu caráter, a retidão com que agia sempre, o reconhecimento unânime da sua integridade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class=MsoNormalCxSpMiddle&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 12pt; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;Em vão. Eu não encontrava resposta para o que fizera meu pai, mal brilhavam os primeiros raios do sol, na solidão do seu quarto, enquanto minha mãe, tão zelosa, lhe preparava o café da manhã.&lt;/SPAN&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; &lt;P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class=MsoNormal&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;FONT size=3&gt;&amp;nbsp;&lt;/FONT&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-theme-font: minor-latin; mso-fareast-language: EN-US; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA"&gt;&lt;BR style="PAGE-BREAK-BEFORE: always; mso-special-character: line-break" clear=all&gt;&lt;/SPAN&gt; &lt;P style="MARGIN: 12pt 0cm" class=MsoNormal&gt;&lt;SPAN style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua','serif'; mso-bidi-font-family: Arial"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;FONT size=3&gt;&amp;nbsp;&lt;/FONT&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/SPAN&gt;&lt;/P&gt; 		 	   		  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-541197267707208336?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/541197267707208336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/morte-de-meu-pai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/541197267707208336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/541197267707208336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/morte-de-meu-pai.html' title='A morte de meu pai'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-9135111064315621268</id><published>2010-08-20T14:08:00.002-03:00</published><updated>2010-08-20T14:22:48.687-03:00</updated><title type='text'>O livro é que nem mulher</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;A minha relação com o livro tem um componente passional, não nego. Começa com um flerte, à distância, quase sempre na vitrine da loja. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Como em se tratando das mulheres, me chama a atenção a forma como se vestem. Adoro as discretas, que sabem com aparente desleixo compor o traje, combinando bem a textura dos tecidos com a expressividade das cores. As que exibem sua beleza com discrição e muito charme. As que sugerem displicência e, no entanto, estão ali, antenadíssimas, e que tudo sabem. Enciclopédicas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;No caso deles, os livros, há os que, já de longe, impressionam pela encadernação, o look da capa, o colorido da gravura  -  quando têm gravura  -, a elegância e a simplicidade como se apresentam, sem afetação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Assim, é comum que me aproxime desse como de uma mulher, meio maroto, como quem quer e não quer. Mas, de perto, a gente checa o volume do corpo, a maciez da pele, e, importante!, quais as intenções com que veio a público. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Curioso: logo se estabelece a comunicação. Entre intimidados e desejosos, aproximamo-nos, um tanto sorrateiros. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Aí vem a primeira troca de informações, a primeira sugestão de intimidade; a mão no dorso ligeiramente arredondado, nunca esquelético, e gostoso de se pegar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Em seguida, a entrega. Os primeiros afagos, os toques sutis e o cheiro bom, que provoca aquele gostoso arrepio de pelos. E a gente vai tendo uma vontade de levar pra casa, de ficar horas e horas no bem bom, agarradinhos e afáveis. Quase sempre, na cama. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Mas há que se tomar cuidado, posto que existem os enganosos, os que vendem gato por lebre e estão pessimamente intencionados. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Há os surpreendentes, os que decepcionam, os vulgares, os indecentes. Os passageiros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Há os muito rebuscados, os artificiosos, os superficiais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Há os tímidos, que vão se revelando aos poucos. A esses, deve-se abandonar por uns tempos, dando-lhes, quando muito, uma chance aqui, outra acolá. Não raro, valem a pena e, hora dessas, sem que você espere, são capazes de deixar você nas nuvens. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Há aqueles que você mal larga, vem um outro e põe a mão. De repente, para seu desencanto, se tornam vulgares e andam de mão em mão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Há os invejosos, os sem originalidade, que vivem querendo ser o que não são. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Há os muito formais, os levianos, os que preferem a meia-luz, outros a plena claridade. Há os lentos, os apressados... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Há os que gozam fácil e logo perdem a graça. Os que demoram, mas não chegam a nada. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Um livro bom é que nem a mulher amada: você não dá, não empresta, nem troca. A esse, sou fiel, nunca traio, tenho sempre ao alcance da mão, e afirmo, com o dedo em cruz, para com esse sou incapaz de qualquer ingratidão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-9135111064315621268?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/9135111064315621268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/o-livro-e-que-nem-mulher.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/9135111064315621268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/9135111064315621268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/o-livro-e-que-nem-mulher.html' title='O livro é que nem mulher'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1212818246127745205</id><published>2010-08-17T08:32:00.003-03:00</published><updated>2010-08-17T08:37:45.960-03:00</updated><title type='text'>Grata surpresa</title><content type='html'>Hoje, ao abrir a caixa de emails, deparo com esse depoimento sincero e amigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Alder, aproveitei o fim de semana para reordenar a pauta de leituras. Segurei o seu 'Drummond - Componentes Dramáticos' e fui até o fim. Você está se tornando um dos meus escritores. Um forte abraço. Do amigo Dimas Macedo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dimas é escritor e membro da Academia Cearense de Letras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1212818246127745205?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1212818246127745205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/grata-surpresa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1212818246127745205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1212818246127745205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/grata-surpresa.html' title='Grata surpresa'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6658771391173359424</id><published>2010-08-05T09:18:00.002-03:00</published><updated>2010-08-17T08:41:05.168-03:00</updated><title type='text'>Que belo homem foi meu pai</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua', 'serif'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;ÉRAMOS OITO IRMÃOS, quatro homens e quatro mulheres. O casal mais velho, Odivaldo e Odilma, filhos do primeiro casamento do meu pai. Os outros, pela ordem decrescente, Gracinha, Chico, Emídio, eu, Fátima e Socorro.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua', 'serif'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Crescemos debaixo de uma educação austera, sobretudo orientada pela inflexibilidade de mamãe, Alderila, mulher temperamental e de atitudes invariavelmente decididas. Papai, Deusdedith Teixeira, homem rigoroso nos costumes, nas opiniões e no caráter, foi o mais íntegro, grave, sério e autodisciplinado &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;dos homens que conheci. E, para além de tudo isso, a humildade personificada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua', 'serif'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;De papai, aprendemos algumas lições indeléveis: jamais tergiversar depois da palavra empenhada; nunca tirar proveito da fragilidade alheia; não baixar a cabeça ante a prepotência, a arrogância, a valentia de quem quer que seja; em momento algum desejar aquilo que, sendo do outro, não nos pertence; respeitar os mais velhos; ser correto nos negócios, grandes ou pequenos; que a honestidade é um bem supremo; que todos somos iguais, ricos e pobres, brancos e pretos; que Deus existe; que mais vale amigos na praça que dinheiro no caixa; que a família é algo sagrado; que nem tudo se acaba com a morte; que nada tem mais valor que a paz; que jamais alguém lhe bata à porta para querer de volta o que é seu; que se deve amar, amar e amar sempre; que o ódio não compensa; que se pode chorar, sem pruridos, sem achar que o pranto vai nos diminuir sob qualquer aspecto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua', 'serif'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Era humilde, nunca abjetamente submisso. Era manso, exemplarmente brando de temperamento, mas corajoso, destemido. A propósito, é conhecida a história: certa vez, ameaçado de morte, a faca no peito, fixou o olhar nos olhos do agressor e ponderou: - "Se eu fosse você, não faria essa besteira não". O homem baixou a arma, trêmulo, e sumiu feito um cachorro acanhado, para nunca mais voltar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua', 'serif'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A mansidão de papai era contagiante. Jamais negava ajuda a quem quer que fosse, nem mesmo quando lhe pediam, por empréstimo, o 'cavalo preto de Deusdedith'. Solícito, entregava amorosamente o laço: - "É só ir à roça e pegar." Como só se permitisse ser laçado por seu dono, o cavalo preto ia de um canto a outro do cercado, volteava, corria em disparada, saltava, escoiceava, parava, ao longe, desafiador. Depois de hora, hora e meia de tentativas frustradas, o solicitante voltava, esbaforido: - "Deusdedith, seu cavalo é muito velhaco." A história virou piada. A piada tornou-se máxima: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Mais velhaco que o cavalo preto de Deusdedith!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Book Antiqua', 'serif'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Que belo homem foi meu pai!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6658771391173359424?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6658771391173359424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/que-belo-homem-foi-meu-pai.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6658771391173359424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6658771391173359424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/que-belo-homem-foi-meu-pai.html' title='Que belo homem foi meu pai'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7202465551910951143</id><published>2010-08-03T10:53:00.002-03:00</published><updated>2010-08-17T08:39:26.261-03:00</updated><title type='text'>Ainda sobre a traição. Ooops!</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Dia desses escrevi neste espaço sobre pesquisa transformada em livro, de J. Ryan, sobre infidelidade e casamentos monogâmicos. O texto, que está disponível no blog, baseando-se na referida pesquisa, afirmava que homens e mulheres traem pelas mesmas razões: por desejo, por se sentirem sexualmente atraídos. O fato, no entanto, suscitou algumas divergências e até alguma indignação, a exemplo do que se pode ver na mensagem da leitora M.P., da qual, preservando a privacidade da autora, destaco o final: - "Esse povo (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;sic&lt;/i&gt;) não tem mais o que pesquisar e fica afirmando tolices, como a que você comentou no jornal na semana passada. Pois fique sabendo que eu sou casada há cinco anos e, posso afirmar, somos muito felizes, não havendo razões para traição!"&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Prezada leitora, agradeço-lhe pelo comentário, mas tenho algumas considerações a fazer. A propósito, outra pesquisa é publicada em livro sobre o tema. Trata-se do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Por que homens e mulheres traem&lt;/i&gt;, de Mirian Goldemberg, de que tomo a liberdade de extrair a seguinte assertiva: "Em vez de assumirem o desejo as mulheres preferem se fazer de vítimas. Sentimentalizam o caso extraconjugal e botam a culpa no marido." Segundo a antropóloga, por essa razão são recorrentes as declarações do tipo "Ele não me procurava mais", "Estava se relacionando fora de casa", "Não ligava mais para mim" e coisas que tais. Tudo balela, pelo menos a concluir pelo que afirma a estudiosa, o que, leitora, aproxima-se claramente da conclusão a que chegou Ryan.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;O tema, coincidentemente, volta à pauta na lidíssima coluna de Ruth de Aquino, que citei no meu texto &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Sexo no Alvorecer&lt;/i&gt;. Por sinal, a prestigiada jornalista da revista &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Época&lt;/i&gt; acrescenta pontos de vista pessoais bastante curiosos, sobremaneira por se tratar de uma mulher. Na sua coluna, Rocha não faz concessões e afirma sem meias-palavras: - "O desejo de se sentir desejada conduz a pequenas e grandes infidelidades femininas." Vai além: sem mencionar Freud, em que supostamente sustenta a sua ponderação, a colunista de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Época&lt;/i&gt; revela conhecer "mulheres absolutamente certinhas, monogâmicas, que casaram virgens e têm sonhos delirantemente libertários." (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;sic&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Que o seu casamento esteja as mil maravilhas, estimada leitora, é fato que deve deixá-la feliz e lisonjeada, o que é diferente de tratar-se de uma realidade comum a homens e mulheres em sua generalidade. Sua indignação, que entendo como uma tentativa de fortalecer as razões mais sublimes por que deveriam se orientar todos os amantes, ressente-se de consistência e não pode absolutamente ser utilizada como tentativa de contradizer o óbvio. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Em tempo, voltando ainda uma vez a Ruth de Aquino, com propriedade a colunista faz alusão ao filme &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;A bela da tarde&lt;/i&gt;, um clássico de Luis Buñuel que 'discute' o assunto maravilhosamente bem: a personagem central, interpretada por ninguém menos que a estonteante Catherine Deneuve, em sua melhor forma, é casada, rica e feliz com o marido, mas, pelas razões que só Freud soube tão bem explicar, entrega-se a estranhos como uma prostituta de luxo. O mesmo tema, como se pode ver, explorado genialmente por Nelson Rodrigues no conto &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;A dama do lotação&lt;/i&gt;, adaptado para o cinema por Neville D'Álmeida. Belíssimo filme, também.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7202465551910951143?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7202465551910951143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/ainda-sobre-traicao-ooops.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7202465551910951143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7202465551910951143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/08/ainda-sobre-traicao-ooops.html' title='Ainda sobre a traição. Ooops!'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-788916224545464768</id><published>2010-07-26T11:14:00.003-03:00</published><updated>2010-08-17T08:41:43.913-03:00</updated><title type='text'>Luto e vergonha</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Bruce Christian de Sousa Oliveira, 14 anos, viaja na 'garupa' de uma moto, pilotada pelo pai, Francisco das Chagas de Oliveira Sousa, 37, técnico em condicionadores de ar, depois de prestarem serviço em domicílio. É domingo, mas Christian, em vez de divertir-se numa praia ou num campo de futebol, com amigos, acompanha o pai durante o trabalho. Por suspeitar que se trata de bandidos, Yuri Silveira, policial do Ronda do Quarteirão, saca da arma, aponta e, com precisão e frieza, dispara contra a cabeça do adolescente, que cai morto em meio às ferramentas de trabalho que conduzia nas mãos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Mas, atenção. Não se trata de uma &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;story line&lt;/i&gt;, como no cinema se costuma dizer da síntese de um filme. A cena acima é real e aconteceu ontem em Fortaleza: Abre-se a sequência com um "plano fechado" do pai, dilacerado, abraçado ao filho morto. Depois se recua a câmara, a fim de revelar o seu conteúdo num plano geral, a exemplo da foto com que deparei esta manhã na capa de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;O Povo&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;E me vem à mente, inclemente, a poesia de Chico: "Oh, pedaço de mim. /Oh, metade afastada de mim. /Leva o teu olhar. /Que a saudade é o pior tormento. /É pior do que o esquecimento. /É pior do que se entrevar. /Oh, metade arrancada de mim. /Leva o vulto teu. /Que a saudade é o revés de um parto./ A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Numa manhã de domingo, sob o sol irradiante de um mês de férias, a cidade em festa, a brutalidade e o despreparo de um homem a quem cabia parte da responsabilidade de garantir a tranquilidade e segurança da população, dão-nos o metro com que se deve medir a realidade em que vive o fortalezense hoje.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;À dor da família de Bruce, somam-se a revolta e a indignação de toda uma sociedade. Vive-se algo como um drama de Ionesco, um absurdo kafkiano, um pesadelo que nos deixa a todos entre estarrecidos e raivosos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Yuri Silveira, logo depois do tiro que matou Bruce, apresentou-se ao 2º DP, alegando estarem os policiais da viatura no encalço de uma Hilux prata com quatro bandidos. Por que, então, considerar suspeitos pai e filho, que estavam numa moto? É aceitável que se aborde um cidadão, ainda que sob suspeita, apontando-lhe a arma para a cabeça? Ao parar num sinal, como foi o caso, mais adequado não seria interceptar a moto posicionando a viatura à sua frente? Se se tratava de um homem suspeito, por que o pai de Bruce sequer foi ouvido no local?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Este o Estado que se vangloria de possuir o mais avançado programa de segurança pública do Brasil, com seus carrões blindados, bancos de couro, ar condicionado, moderno sistema de comunicação e homens, a concluir pelo desastrado procedimento, inaceitavelmente despreparados. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;O tiro na nuca que matou Bruce no viço dos seus 14 anos, espero, haverá de repercutir na consciência das autoridades cearenses como o disparo de um alerta contra o descaso e a impunidade reinantes. Ao luto, soma-se o sentimento de vergonha de um povo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-788916224545464768?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/788916224545464768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/07/luto-e-vergonha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/788916224545464768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/788916224545464768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/07/luto-e-vergonha.html' title='Luto e vergonha'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5830789108403842454</id><published>2010-07-23T09:20:00.003-03:00</published><updated>2010-08-17T08:42:38.828-03:00</updated><title type='text'>Sexo no Alvorecer</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Vi na imprensa uma pesquisa bastante curiosa sobre sexo e casamento. O estudo, por sinal, foi publicado em livro com o título &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Sex at Dawn&lt;/i&gt; (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Sexo ao Alvorecer&lt;/i&gt;), escrito a quatro mãos por Christopher Ryan, 48, e sua mulher, Cacilda Jethá, 50, ambos americanos. Os dois estão casados há 11 anos e Ryan, supostamente preocupado com a instabilidade dos relacionamentos, inclusive o seu, claro, e com o auxílio da mulher, debruçou-se sobre o tema na convicção de que deveria existir uma forma para manter 'acesa a chama', o que, segundo ele, acabou encontrando. Sobre isto falaremos adiante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;A pesquisa de Ryan, no entanto, a concluir pelo que chega, até aqui, aos brasileiros, através da mídia, não traz muitas novidades. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Ryan afirma, basicamente, o que outros estudiosos já defenderam ao longo do tempo, ou seja, que o homem (entenda-se homem e mulher) não é um ser monogâmico. Aliás, nas entrevistas concedidas sobre o seu trabalho, Ryan e Cacilda têm sido bastante enfáticos: "As mulheres sempre quiseram ter o maior número de parceiros possíveis." &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Pois bem. Assim, programados para viver experiências sexuais múltiplas, homens e mulheres sentem-se, no casamento, absolutamente sufocados e desejosos de romper, legal ou ilegalmente, com as amarras que os prendem a uma vida morna, entediante e, cedo ou tarde, diz ele, insuportável. Aí Ryan aponta para o que todos, há muito, já sabem: - "[...] metade dos casamentos está colapsando sob uma frustração sexual irrefreável, um tédio matador de libido, traições compulsivas, confusão, vergonha." (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Sexo no Alvorecer&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Em entrevista à &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Época&lt;/i&gt;, que li no site da revista, Ryan põe por terra o mito da &lt;em&gt;guerra dos sexos&lt;/em&gt;, ainda defendido por um expressivo contingente de pesquisadores, segundo o qual os rompimentos se dão em função de homens e mulheres, sexualmente falando, terem interesses diferentes. Diz Ryan: - "Há uma guerra entre a natureza humana e a sociedade contemporânea. Nós acreditamos que, antes da agricultura, as mulheres tinham vários parceiros." E retoma o lenga-lenga da questão da propriedade privada, da herança etc., coisas já muito debatidas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Sexo e Alvorecer&lt;/i&gt; (que espero chegue logo às livrarias brasileiras), até onde sei, contudo, não 'vende' levianamente a ideia de que a infidelidade deva ser encarada como algo positivo e mais significativo que as reais razões que levam homem e mulher a decidirem pela vida a dois. Pelo contrário, Ryan e Cacilda, que se tomam como um exemplo a ser seguido, 'batem' numa tecla já muito desgastada mas que continua sendo a única alternativa para que se possa ser feliz numa relação monogâmica: - "É preciso procurar mais do que a química sexual, algo como paixão entre almas e não paixão entre corpos." Se soa demasiadamente 'ingênua' a conclusão dos dois, não sei, mas, de minha parte, acho que este é o melhor caminho. Aguardemos o livro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5830789108403842454?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5830789108403842454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/07/sexo-no-alvorecer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5830789108403842454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5830789108403842454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/07/sexo-no-alvorecer.html' title='Sexo no Alvorecer'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5177971740471710858</id><published>2010-07-14T07:23:00.003-03:00</published><updated>2010-08-17T08:43:37.694-03:00</updated><title type='text'>O barraco de Sorocaba ou o reality show caipira</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;O que seria apenas um caso de infidelidade conjugal no interior de São Paulo, chegou à internet e já foi acompanhado por milhões de brasileiros. Tornou-se conhecido como o "barraco de Sorocaba" e envolve características no mínimo curiosas, não fossem ridículas. Vejamos: a advogada Vivian Almeida de Oliveira, 34, é casada com o comerciante Cícero de Oliveira, 54. Vivem felizes, pelo menos é o que achava a mulher de Cícero, na convivência de amigos íntimos, entre os quais a também casada Juliana Cordeiro, 33 anos. Eram da casa uns dos outros, viajavam juntos e a 'amizade' era tão grande que nem mesmo na lua de mel foram capazes de se separar. Viajaram juntos, todos, para Recife, de onde Cícero e Vivian, "enfim sós", vieram para dias inesquecíveis em Fortaleza.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Mas, o que há de extraordinário no caso? Bem, em princípio um triângulo amoroso no mínimo sórdido, posto que Juliana, além do marido ingênuo, vinha traindo a melhor amiga havia pelo menos cinco anos. Até aí, nada de muito fora do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;staff&lt;/i&gt; normal, haverá de questionar o leitor. Divergência à parte, explico-me melhor. Desconfiada de que algo de anormal vinha ocorrendo entre os casais amigos, Vivian devotou-se a seguir os passos do marido até descobrir a podridão: Cícero de Oliveira e Juliana Cordeiro vinham mantendo um caso extraconjugal dos mais inescrupulosos, se é que pode haver algum escrupulo em qualquer tipo de traição. O pior, no entanto, estaria por vir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;No último dia 27, Vivian tomou a decisão de dividir o escândalo com a sua comunidade no site de relacionamento Orkut. Antes, contudo, teve a astuciosa ideia de armar uma cilada para a &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Juliana. Convidou-a a vir a sua casa sob o pretexto de estar em crise emocional e precisar de uma palavra amiga. Aos poucos, todavia, foi dando a ver o que descobrira, expondo para a amante do marido as "provas do crime", algo em torno dos mil e-mails trocados pelo casal infiel. Em princípio, educadamente, mantendo o equilíbrio, para logo depois sair na baixaria, coisa compreensível para as circunstâncias. Mais: a conversa e a agressão estavam sendo nitidamente gravadas pela &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;webcam&lt;/i&gt;, o que resultou numa cena digna do melhor Nelson Rodrigues.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Do Orkut, onde já inexiste a menor privacidade, o 'filme' foi para o You Tube e dali para jornais e tevês. Hoje, estima-se, terá sido visto por milhões de brasileiros e ocupa posição de destaque entre os casos mais comentados no Twitter e outros espaços virtuais de prestígio. O mais curioso, contudo, está por vir: se a traição trouxe prejuízos irrecuperáveis para Cícero, Juliana e Fábio, o marido ingênuo, vai sobrar para a advogada Vivian Almeida de Oliveira, que, ao lado da decepção com o marido e sua melhor amiga, supostamente terá de indenizar a amante do marido por ter exposto a sua imagem como fez. Pasmem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;De resto, o barraco de Sorocaba reedita uma velha lição: ruim é morrer ou ser traído, o resto passa como dantes na casa de Abrantes. Vivian, no entanto, mesmo dizendo-se arrependida por tornar público o 'barraco', defende-se de forma convincente: - "Se eu apenas dissesse o que sabia, ninguém iria acreditar!" Com razão, Vivian, no seu caso, como quis Wilde, a vida imita a arte. Ninguém iria mesmo acreditar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5177971740471710858?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5177971740471710858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/07/o-barraco-de-sorocaba-ou-o-reality-show.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5177971740471710858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5177971740471710858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/07/o-barraco-de-sorocaba-ou-o-reality-show.html' title='O barraco de Sorocaba ou o reality show caipira'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8156193079841776717</id><published>2010-07-08T09:13:00.004-03:00</published><updated>2010-08-17T08:43:28.786-03:00</updated><title type='text'>Até quando?</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Qualquer que seja o desfecho do caso Bruno, o que está claro como uma fratura exposta é que ele é indefensável, muito mais indefensável &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;que indefensáveis foram os chutes &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;que o levaram à consagração após ter evitado que se transformassem em gols. Com 1,91 de altura, ídolo de uma torcida de mais de 30 milhões de brasileiros, um corpo de deus grego e um salário de 300 mil reais, Bruno é um desses muitos e muitos homens que povoam o imaginário feminino como objeto de desejo, numa época em que o sucesso profissional, a beleza física e a conta bancária são as referências que servem para estabelecer o valor da mais escassa mercadoria, o Homem, assim, com maiúscula.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Há coisa de uns dois, três meses, no máximo, eu já ficara estarrecido com uma declaração do goleiro Bruno, feita através da imprensa: - "Quem de vocês nunca saiu no braço contra uma mulher?" Perguntava durante uma entrevista concedida à tevê Globo, na maior, como faz um canalha, um psicopata que desconhece a fronteira entre o sucesso profissional e a obrigação de respeitar os outros. Em tempo: fazia-o numa tentativa de justificar atos de violência cometidos pelo companheiro de clube, o jogador Adriano, contra a mulher. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Agora, quando infelizmente está confirmada a morte de Eliza Samudio, a Justiça Brasileira, sob a luz dos &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;spots&lt;/i&gt;, passa a agir com o objetivo de deslindar um crime que poderia ter evitado. Por que permaneceu indiferente às ameaças, quando procurada por Eliza através de uma instância cabível? Se não, vejamos: No ano passado, a jovem, grávida, dirigira-se à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, no Rio, para denunciar que vinha sendo vítima de maus-tratos. Lembro do que dissera à imprensa: - "Ele [Bruno] me deu bofetões... Enfiou uma arma na minha cabeça... E me disse: 'Sou frio e calculista. Vou deixar a poeira baixar e vou atrás de você. Se eu te matar e jogar em qualquer lugar, as pessoas nunca vão descobrir que fui eu.'" &lt;em&gt;(sic) &lt;/em&gt;E, no entanto, nada, absolutamente nada se fez em favor dessa jovem, à época. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Acompanho esse caso pavoroso e fico pensando o que não virá acontecendo, por exemplo, na Região do Cariri, entre Crato, Juazeiro e Barbalha, onde os índices de criminalidade contra a mulher são alarmantes, com repercussão, inclusive, na Unifem, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher. Quantas ameaças ignoradas? Quantos maus-tratos? Quanta tortura física e psicológica contra mulheres de todas as idades? Quantas vidas ceifadas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;No jeito bem brasileiro, o bárbaro assassinato de Eliza Samudio, em Minas, assim como o da advogada Mercia Nakashima, em São Paulo, Bárbara Calazans, no Rio, ou das anônimas do Cariri, no Ceará, serve para desnudar o descaso das nossas autoridades competentes no que diz respeito à segurança da população, da mulher, particularmente, ainda hoje submetida aos caprichos, à intolerância e aos impulsos monstruosos dos milhões de Brunos que habitam &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Brasil afora. Até quando?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8156193079841776717?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8156193079841776717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/07/ate-quando.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8156193079841776717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8156193079841776717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/07/ate-quando.html' title='Até quando?'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-6574682880190795712</id><published>2010-06-29T15:38:00.005-03:00</published><updated>2010-08-17T08:47:09.427-03:00</updated><title type='text'>O amor no futebol</title><content type='html'>Nos jogos da Copa do Mundo, uma cena tem se repetido à exaustão: o jogador finaliza uma jogada com sucesso, assinala o gol e, sob uma daquelas que se consideram as maiores emoções, comemora o feito com um beijo na 'marca' da aliança. Na impossibilidade de usar ali o anel simbólico da lealdade, por uma medida de segurança adotada pela FIFA, é a marca no dedo que serve como alvo da homenagem à mulher amada. Gesto simples, espontâneo, quase automático mesmo, mas coberto de mensagens, de recados intensamente carinhosos. A poesia romântica presente na mais importante competição do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;football association&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o que há num beijo? Robert Herrick, no século XVII, dizia ser ele "o cimento mais certo e doce, a cola e o visgo do amor." Num livro belíssimo de Julie Enfield, conhecida jornalista canadense, vemos que o "beijo expressa respeito, compaixão e afeição. Nós beijamos os olhos sonolentos dos nossos filhos para dizer boa-noite, e beijamos seus machucados para que sarem logo. O beijo pode ser também um ato de fé: nós beijamos imagens sacras altares e templos em momentos de adoração religiosa. O beijo pode ser um prelúdio, uma promessa, uma provocação." Beleza literária à parte, o certo é que este é seguramente um dos gestos mais ricos em significação, que encerram as mais diferentes mensagens, aqui e além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na contramão do que foi um dia, em se tratando de cultura ocidental, é comum hoje que homens troquem beijos nos reencontros ou nas despedidas. Há beijos para todos os gostos, os castos, os esfomeados, os solenes, os sonoros, em todos os lugares, nas mais diferentes estações. Beija-se o derradeiro beijo à beira da sepultura, beija-se na palma da mão, para enviar com um sopro a declaração de carinho; há os beijos tímidos, os indomados. Com um beijo, parte-se rumo ao desconhecido, como quis Musset. O beijo é o acasalamento simbólico, o movimento físico que leva os amantes a juntarem suas almas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal" align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;No livro de Enfield, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;A história íntima do beijo&lt;/i&gt;, a percepção iluminada: - "O que torna um beijo irresistível é a sua capacidade de transcender os limites do corpo." Perfeito. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal" align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;No Antigo Testamento, Gênesis 2:7, o beijo espiritual, ou beijo soprado, faz-se presente na passagem em que Deus infunde o "sopro da vida" nas narinas de Adão, criando com o gesto simbólico o próprio homem. Há no Novo Testamento o beijo traiçoeiro de Judas. O mais amado de todos os Papas, João Paulo II, curvava os joelhos e beijava o chão de cada país visitado, numa sugestiva proclamação da paz e da união entre os povos fiéis. Há o beijo passional, o beijo fraterno, o beijo sexy. Nas Artes Plásticas, na literatura, no cinema, o beijo... O beijo de Rodin.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal" align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Beijaram-se Eros e Psiquê, Eco e Narciso, Penélope e Ulisses, Afrodite e Adônis, Helena e Páris, Romeu e Julieta. E nossos beijos, como lembra a pesquisadora, evocam os nossos heróis mitológicos, os nossos ídolos, os protagonistas de nossas sagas mais lendárias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal" align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Cinema Paradiso&lt;/i&gt;, o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;cult&lt;/i&gt; de Giuseppe Tornatore, vê-se uma das cenas mais bonitas da sétima arte, quando Salvatore, entre a nostalgia e a fascinação, assiste a todos os beijos suprimidos dos filmes que marcaram a sua infância. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal" align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;O beijo no dedo, bem na marca da aliança, na hora do gol, é muito mais que uma comemoração, é o amor, entre homens, num campo de futebol.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-6574682880190795712?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/6574682880190795712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/poesia-romantica-no-futebol.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6574682880190795712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/6574682880190795712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/poesia-romantica-no-futebol.html' title='O amor no futebol'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-4620741790341242967</id><published>2010-06-17T07:07:00.003-03:00</published><updated>2010-08-17T08:44:41.619-03:00</updated><title type='text'>As mulheres do Louvre</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;QUEM AINDA NÃO ouviu falar das belas mulheres do Louvre? Pois bem, são famosas as musas que constituem uma porção especialmente atraente deste grande museu de Paris.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A Vitória de Samotrácia, de autoria desconhecida, ocupa um lugar especial no topo de uma escadaria do suntuoso prédio. A sua realização remonta, supostamente, a 190 ou 200 anos a.C. Seria provavelmente a ponta esculpida de uma proa de navio, ou, como querem alguns historiadores, um ex-voto dedicado a uma conquista ou a uma batalha vencida. Não importa, tanto, saber. O que parece consensual, é que a peça constitui um símbolo da vitória humana sobre o desconhecido. Sem cabeça e braços, a escultura avulta, solene e sedutora, entre as muitas mulheres do Louvre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Havia pouco topara com a Vênus de Milo, com o sortilégio de sua nudez, despertando, em gregos e troianos, um tipo de iconolagonia ante a sensualidade clássica que emana do mármore. Representa Afrodite, a deusa grega do amor e da beleza, chamada de Vênus entre os romanos. Diante da estátua, curvara-me sobre o ombro da namorada para comentar a nudez ambiguamente contida e provocadora da deusa. Lembrei-lhe, na oportunidade, que Heine, Henri Heine, o famigerado poeta alemão, chamava-a de Nossa Senhora da Beleza.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Pouco depois, outra mulher deslumbrante, a jovem 'Liberdade' guiando o povo, de Délacroix, sobre cuja tela falei anteriormente nestas memórias. Assim, aqui e além, cada uma com sua magia e seu encantamento, carregadas de simbologias e sugestões, veem-se no Louvre essas maravilhosas mulheres, musas inspiradoras dos grandes nomes da Arte Ocidental. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Mas nada comparável à pintura de Lisa Gherardini, a poderosa mulher do florentino Francesco di Bartolomeo di Zanoli del Giocondo. Ou, simplesmente, a Mona Lisa, mais alta representação do Alto Renascimento e do gênio de Leonardo di Piero da Vinci. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A uma distância de oito ou dez metros, deparo com uma multidão de turistas diante da tela de proporções pequenas e importância gigantesca de Leonardo da Vinci. Agora (fato que se repetirá nas outras vezes que iria ao Louvre, anos depois), veem-se pessoas tomadas de uma emoção intensa e incontida, não raro em prantos, como não acreditando estarem ali, a poucos passos da mais aurática, a mais esplendorosa obra do cânone artístico ocidental. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Com o seu sorriso indecifrável, na expressão de um olhar a um tempo esnobe e simples, a figura intraduzível, penetrante e sedutoramente serena da mais conhecida mulher de todos os tempos. A Gioconda, sobre quem dirá o poeta Carlos Drummond de Andrade: "O ardiloso sorriso / alonga-se em silêncio / para contemporâneos e pósteros, / ansiosos, em vão, por decifrá-lo. / Não há decifração. Há o sorriso."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Enigmáticas, intangíveis, sedutoras, obscuras, inexplicáveis, cheias de mistério e encanto, fortes e sensuais, firmes e decididas, como foram por certo aquelas que lhes serviram de modelo, as mulheres do Louvre são um espetáculo à parte. Inspiradoras e veladamente soberbas, como todas as mulheres, através dos tempos e das civilizações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-4620741790341242967?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/4620741790341242967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/as-mulheres-do-louvre.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4620741790341242967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/4620741790341242967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/as-mulheres-do-louvre.html' title='As mulheres do Louvre'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-8533063493596570699</id><published>2010-06-10T07:20:00.002-03:00</published><updated>2010-06-10T07:27:52.000-03:00</updated><title type='text'>Perdas e Danos</title><content type='html'>No filme &lt;em&gt;Perdas e Danos&lt;/em&gt;, de Louis Malle, há uma frase que acho da maior sagacidade. É quando a bela Juliette Binoche diz para Jeremy Irons: - "As pessoas feridas são perigosas. Sabem que podem sobreviver." Revendo o filme esta semana, lembrei de uma conversa que havia mantido com uma amiga. Ela dizia da impossibilidade de ex-amantes se tornarem amigos. Como a minha experiência pessoal, nesse sentido, vai de encontro ao que afirmava, aventei a hipótese de que essa impossibilidade se prendesse ao fato de não sabermos perdoar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se é uma realidade que a maioria dos rompimentos se dá por força da infidelidade de uma das partes (a maioria, entenda-se!), é natural que a pessoa ferida, decepcionada, carregada de ressentimentos, não queira a proximidade de quem lhe causou a dor. É um tipo de defesa, de resguardo e, por que não?, de dignidade de quem investiu tanto numa relação e a vê desmoronar assim, quase sempre de modo inesperado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E o perdão, a nossa incapacidade para perdoar, onde entra?, há de indagar o leitor ou a leitora. Ah, ok. Escrevi uma crônica há algum tempo em que levantava essa questão: 'Por que se tornam inimigos os ex-amantes?' Dizia eu, 'é a precariedade dos homens, a ingratidão para com a felicidade que não foi eterna, mas, acima de tudo, é a nossa incapacidade para o perdão.'&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Continuo pensando exatamente assim. E, quando falo de infidelidade, faço referência à mais dramática razão por que os relacionamentos se desfazem. Há outras razões, claro, mas acho que todas elas estão de certo modo relacionadas ao desgaste, à perda do encanto e da admiração pela pessoa anteriormente amada. E (como negar?), essa realidade abre uma porta perigosa para experiências fora da relação. Aliás, no livro &lt;em&gt;Do Amor e Outras Crônicas&lt;/em&gt;, se não estou enganado, escrevi sobre isto. Acho, não. Escrevi, sim, agora estou certo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Referia-me ao fato de que quase nunca se está preparado para ouvir da pessoa que se ama: - "Olha, o amor morreu. Gosto de você como pessoa, como amiga, mas, sinceramente, como namorada, como mulher, não. Vamos separar!" Como reagiríamos diante dessa demonstração de transparência, de honestidade, de correção moral? Ora, ora. Ninguém recebe a sinceridade que vem dessas palavras com tranquilidade. O mundo, inevitavelmente, nessas circunstâncias, vai por terra. Baterá o desespero, o nó na garganta, a sensação de absoluta e desumana impotência.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É aí que entra a necessidade do perdão, da aceitação sem despeito, da compreensão de que o amor, que um dia fez um e outro andarem nas nuvens, como tudo na vida, pode passar ou transformar-se num sentimento, não menos bonito, de carinho, de amizade, de benquerença, o que, convenhamos, não justifica levar adiante um projeto que, em pedaços, já está no chão. No filme de Malle, diga-se em tempo, não há essa disposição de ânimo. Há a ferida, o perigo de saber que se pode sobreviver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-8533063493596570699?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/8533063493596570699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/perdas-e-danos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8533063493596570699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/8533063493596570699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/perdas-e-danos.html' title='Perdas e Danos'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-5057794824433959923</id><published>2010-06-08T15:27:00.004-03:00</published><updated>2010-08-17T08:48:35.292-03:00</updated><title type='text'>Despedidas e perdas</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpFirst"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial','sans-serif';font-size:12;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;SEMPRE DETESTEI DESPEDIDAS. Tinha 12, 13 anos e, a cada vez que alguém morria, ficava tecendo a excêntrica ideia: As pessoas, ao morrer, deviam apenas desaparecer, sumir, sem que ninguém soubesse para onde. Os garotos da rua se encontravam para brincar e alguém perguntava: - "E Pedrinho, não vem?" Ao que um outro respondia: - "Não, Pedrinho desapareceu." E todos voltavam a brincar, que Pedrinho haveria de estar em lugar melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E, no entanto, há que existir o beijo na face fria, as carícias nas mãos já endurecidas, o choro lancinante dos familiares e amigos, o som rouco da madeira arrastada contra o concreto do túmulo. Depois, a missa sem sentido, o sorriso na foto da lembrancinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Só algum tempo depois, pude rever minha ideia desmiolada, quando o Governo Militar adotou a prática hedionda de fazer desaparecerem presos políticos, numa de suas mais revoltantes atrocidades. Aí entendi que há algo de sagrado no ritual fúnebre e que é um direito inalienável da família enterrar seus mortos, que os 'Pedrinhos' não podiam simplesmente desaparecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Dias desses, a minha diarista teve de partir, o pai agonizando na cidadezinha distante. Veio me dar a notícia e logo percebi o ar de tristeza estampado no rosto. Depois de tanto tempo, não poderia continuar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Abraçamo-nos, demoradamente, e, comovidos, agradecemos pela boa convivência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ah, Cláudia, como sinto a sua falta! Cuecas e meias divinamente arrumadas na gaveta, as roupas bem passadas, a cozinha sempre limpa, a comidinha caseira cheirando no fogão...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Quando o pai de um amigo era transferido de cidade e nos despedíamos, quase sempre para nunca mais nos vermos, não conseguia conter a emoção e, não raro, evitava o último encontro. Com o passar dos anos, vieram outras despedidas, mais duras, mais dolorosas. A morte de uma pessoa querida, os casamentos desfeitos e o sofrimento de cada perda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Cresci sentindo o cheiro da argamassa fresca, do tijolo molhado, da tinta a óleo nova nas paredes e portas. Meu pai tinha a mania de fazer reformas, de renovar a pintura da casa todos os anos. De costume, eram os mesmos pedreiros, os mesmos serventes, os mesmos pintores de parede. Ficavam dois, três meses convivendo com a família, tomavam o café da manhã e almoçavam conosco. Ainda lembro seus nomes e guardo viva a lembrança de como eram. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Terminada a obra, deixavam em mim uma saudade imensa, até que, um ano depois, voltavam para refazer o que haviam feito antes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E assim, na contramão do que parece ser lógico, jamais me acostumei com as partidas e os adeuses que, cedo ou tarde, são coisas inevitáveis na vida de cada um de nós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 12pt 0cm" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-5057794824433959923?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/5057794824433959923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/despedidas-e-perdas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5057794824433959923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/5057794824433959923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/despedidas-e-perdas.html' title='Despedidas e perdas'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-7451449364251687563</id><published>2010-06-01T06:21:00.004-03:00</published><updated>2010-08-17T08:50:51.769-03:00</updated><title type='text'>Memórias</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpFirst"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;(fragmentos do livro a sair em dezembro)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpFirst"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;NUM MOMENTO DE ócio, ocorreu-me escrever um livro de memórias, em que pudesse deixar registrado um pouco do que tem sido a minha história tão comum e desimportante em meio a livros, discos e filmes. Um livro que viesse a constituir um incentivo aos que ainda não se abriram para o milagre da arte ou despertasse alguma curiosidade para aqueles que, como eu, já não sabem viver sem a estreita convivência dos grandes artistas, nomeadamente os escritores a quem devo, por certo, a parte mais interessante dos meus dias. Que guardasse as minhas lembranças das incontáveis viagens que realizei por este país tão grande e tão bonito, e por tantos outros países em que estive mundo afora.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Um livro que dissesse para os meus filhos um pouco da minha trajetória desde aquele começo da segunda metade da década de 50, quando nasci numa rua do centro de Iguatu, por volta das duas horas de uma tarde particularmente quente de março. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Um livro que revelasse os meus muitos relacionamentos, notadamente os três ou quatro que representaram para mim o que houve de significativo do ponto de vista sentimental. Que socializasse um pouco da minha experiência nesses quase trinta anos de docência, depois que abandonei outras atividades que me garantiram o sustento desde quando, quase menino, comecei a trabalhar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Principalmente, que contasse a minha vida entre tantos amigos que foram se somando uns aos outros onde quer que tenha estado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E, finalmente e de modo mais sentido, a minha família, de que sempre me orgulhei e com quem estou e estarei em dívida impagável, pelo muito que me dedicou de afeto, de respeito pelas minhas excentricidades, meus caprichos, meu temperamento irascível e difícil, mas, principalmente, de amor na sua mais plena significação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Foi assim que procurei algo que traduzisse a minha identidade intelectual e humana, que dissesse da minha essência como homem e como artista tantas vezes silenciado pelo comodismo ou pela crença ingênua de que se podia deixar para amanhã o que de fato tinha de ser feito ontem, e que vê, com serenidade ainda que seja, o futuro se tornar um passado já distante. Razão por que, leitor, quero lhe contar uma história acontecida ao teatrólogo Eugênio Kusnet, e que diz tanto de mim, de como compreendo a vida e de como fiz a opção de vivê-la todos os dias desse mais de meio século de caminhada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Estando em uma aula de teatro, o artista polonês foi desafiado a interpretar o papel de uma cadeira. Ao final de alguns segundos, expôs ao professor, que lhe propusera tal exercício, uma única condição: Que a cadeira a ser interpretada por ele pudesse nutrir a esperança de, um dia, tornar-se poltrona, que tivesse medo de morrer queimada num incêndio, que sentisse saudade dos tempos em que fora uma cadeirinha de criança, que pudesse se apaixonar por outra cadeira etc. Sem essa condição, que o diretor confiasse o papel à cadeira em que estava sentado, supostamente mais indicada para representar o inusitado papel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Acho que essa historinha se presta à perfeição para dizer como sempre encarei a vida, de como jamais abri mão de cumprir os muitos papeis que me caíram como desafio ao longo de todo esse tempo. Se tivesse, por essas razões, que dizer com poucas palavras o que foi (e o que estou convencido de que será) a minha vida, não seriam outras essas três palavras: sensibilidade, emoção e paixão em tudo que realizei de bom ou mau, invariavelmente. Por isso, com a maior convicção de que é um homem capaz, é por elas que inicio estas minhas memórias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-7451449364251687563?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/7451449364251687563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/memorias.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7451449364251687563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/7451449364251687563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/06/memorias.html' title='Memórias'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-1463039592996001326</id><published>2010-05-24T23:08:00.002-03:00</published><updated>2010-05-24T23:12:42.431-03:00</updated><title type='text'>Tristeza e depressão</title><content type='html'>Acabo de ler a corajosa entrevista do psiquiatra mineiro Miguel Chalub, na revista &lt;em&gt;IstoÉ&lt;/em&gt; desta semana. Aos 70 anos, dono de um respeitável currículo, Chalub ataca de frente algumas questões que envolvem pacientes e médicos, &lt;em&gt;lobby&lt;/em&gt; da indústria farmacêutica e o despreparo da maioria dos profissionais para lidar com problemas emocionais comuns nos dias de hoje. Para ele, grande parte dos pacientes que procuram os consultórios médicos é, em realidade, composta de portadores de sentimentos absolutamente normais, inadequadamente tratados como depressão, o que resulta na prescrição de drogas o mais das vezes desnecessárias e prejudiciais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Professor das universidades Federal (UFRJ) e Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ele afirma que os médicos não especializados no tratamento de problemas psicológicos não têm capacidade para identificar as diferenças existentes entre tristeza normal e tristeza patológica. O mais grave é que Chalub afirma sem meias-palavras: "Os laboratórios pagam passagens, dão brindes. Você, sem perceber, começa a fazer esse jogo."&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Referindo-se às estimativas da OMS, de que, até 2030, a depressão será a doença mais comum do mundo, o médico mineiro afirma haver exagero nessas previsões. Segundo ele, tanto médicos quanto pacientes não estão fazendo diferença entre tristeza normal e depressão. Assim, problemas sentimentais absolutamente naturais, como os decorrentes das separações amorosas, situações de estresse, como chateação, aborrecimento, ansiedade etc., são logo vistos como patológicos e combatidos com drogas que nunca deveriam ser prescritas para esses pacientes. É o que Chalub chama de "medicalização da tristeza".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O ponto alto da entrevista, no entanto, ocorre quando discorre sobre a busca da felicidade. Diz ele, "Qualquer coisa que possa atrapalhá-la [a pessoa] tem que ser chamada de doença..." e se pode dizer: "Eu não sou feliz porque estou doente e não porque fiz opções erradas."&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para Chalub, os médicos se vendem por benesses as mais bizarras, como viagens, laptops e outros mimos mais, o que ensejou uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibindo os laboratórios de presenteá-los de alguma forma. Para ele, ainda, a definição de saúde dada pela OMS se aplica mais adequadamente como definição de felicidade: "A saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social." De fato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-1463039592996001326?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/1463039592996001326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/05/tristeza-e-depressao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1463039592996001326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/1463039592996001326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/05/tristeza-e-depressao.html' title='Tristeza e depressão'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-2385698551429633363</id><published>2010-05-20T09:47:00.005-03:00</published><updated>2010-05-22T08:15:49.459-03:00</updated><title type='text'>Os homens, o amor, a fidelidade</title><content type='html'>Por força de um curioso artigo da jornalista Ruth de Aquino, na &lt;em&gt;Época&lt;/em&gt; desta semana, soube de uma vendedora da Siciliano que tem sido considerável a procura pelo livro &lt;em&gt;Les hommes, l'amour, la fidélité&lt;/em&gt;, da francesa Maryse Vaillant, ainda não traduzido para o português. O certo é que &lt;em&gt;Os homens, o amor e a fidelidade&lt;/em&gt;, como deverá se intitular o livro, a concluir pelo que diz Aquino, haverá de suscitar inquietação junto ao público feminino mais emancipado. É que a autora, segundo a articulista da Época, professa ser a infidelidade masculina algo absolutamente natural, inerente mesmo à condição de 'macho' em qualquer país. Sem meias palavras, chega a afirmar: - "Eu gostaria sobretudo que as mulheres parassem de pensar que a culpa é delas quando seu homem as trai."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a psicóloga francesa, homem fiel é, cada vez mais, &lt;em&gt;avis rara&lt;/em&gt;, razão por que "a mulher nem deveria se preocupar." Como se vê, &lt;em&gt;Os homens, o amor, a fidelidade&lt;/em&gt; não deverá mesmo ser bem recebido pelo público feminino, embora exista uma demanda curiosa pela sua tradução, que deverá acontecer ainda este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num tempo em que a mulher, mais independente e dona do seu nariz, parece não tolerar as escorregadas masculinas, pelo menos no que tange à fidelidade, o livro de Maryse Vaillant soa sentencioso e inoportuno. Contudo, como se pode concluir do comentário de Ruth Aquino, parece interessar pela própria metodologia empregada no ensaio, uma vez que resulta de um sem-número de entrevistas realizadas pela autora, e não por levantamentos estatísticos, como comumente ocorre em livros do gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que &lt;em&gt;Les hommes, l'amour, la fidélité, &lt;/em&gt;por suas excentricidades e ousadia, deverá obter níveis de venda muito altos, em que pese constituir uma visada politicamente incorreta para os dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso, até onde sei, é que Maryse Vaillant traça alguns perfis do infiel. Há, por exemplo, aquele que é "monogâmico e mentiroso, que só ama sua mulher oficial." É o caso de Ben, um dos entrevistados, que adora a mulher, os filhos e a casa, mas não abre mão das escapulidas que o fazem sentir-se "atraente e vivo." Outro tipo, hilário, é o que está sempre ansioso e querendo ir à cama com todas. Para esse, casamento nem pensar. Como observa Ruth Aquino, é comum durante a juventude, mas, com "a ajuda dos medicamentos e a ingenuidade da velhice" [&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;], tende a se tornar reincidente mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, segundo a colunista da &lt;em&gt;Época&lt;/em&gt;, o livro é mais provocador quando defende a tese de que a infidelidade ocasional (e não repetitiva) pode constituir um bom tempero para a revitalização dos relacionamentos desgastados. Se é, ou não, uma ideia já muito conhecida, que tem funcionado como um lenitivo, sobretudo para a traição masculina, supostamente por isso o livro de Maryse Vaillant é esperado com o &lt;em&gt;status&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;best-seller&lt;/em&gt; nas livrarias da cidade. Aguardemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-2385698551429633363?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/2385698551429633363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/05/os-homens-o-amor-fidelidade.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2385698551429633363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/2385698551429633363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/05/os-homens-o-amor-fidelidade.html' title='Os homens, o amor, a fidelidade'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909844190096751350.post-795066221390279697</id><published>2010-05-20T07:31:00.005-03:00</published><updated>2010-08-17T08:50:59.500-03:00</updated><title type='text'>Despedidas</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpFirst"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;SEMPRE DETESTEI DESPEDIDAS. Tinha 7, 8 anos e, cada vez que alguém morria, ficava tecendo a excêntrica ideia: As pessoas, ao morrer, deviam apenas desaparecer, sumir, sem que ninguém soubesse para onde. Os garotos da rua se encontravam para brincar e alguém perguntava: - "E Pedrinho, não vem?" E um outro respondia: - "Não, Pedrinho desapareceu." E todos voltavam a brincar, que Pedrinho haveria de estar em lugar melhor.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E, no entanto, há que existir o beijo na face fria, as carícias nas mãos já endurecidas, o choro lancinante dos familiares e amigos, o som rouco da madeira arrastada contra o concreto do túmulo. Depois, a missa sem sentido, o sorriso na foto da lembrancinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Só algum tempo depois, pude rever minha ideia desmiolada, quando o Governo Militar adotou a prática hedionda de fazer desaparecerem presos políticos, numa de suas mais revoltantes atrocidades. Aí entendi que há algo de sagrado no ritual fúnebre e que é um direito inalienável da família enterrar seus mortos, que os 'Pedrinhos' não podiam simplesmente desaparecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Dias desses, a minha diarista teve de partir, o pai agonizando na cidadezinha distante. Veio me dar a notícia e logo percebi o ar de tristeza estampado no rosto. Depois de tanto tempo, não poderia continuar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Abraçamo-nos demoradamente, e, comovidos, agradecemos pela boa convivência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ah, Cláudia, como sinto a sua falta! Cuecas e meias divinamente arrumadas na gaveta, as roupas bem passadas, a cozinha sempre limpa, a comidinha caseira cheirando no fogão...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Quando o pai de um amigo era transferido de cidade e nos despedíamos, quase sempre para nunca mais nos vermos, não conseguia conter a emoção e, não raro, evitava o último encontro. Com o passar dos anos, vieram outras despedidas, mais duras, mais dolorosas. A morte de uma pessoa querida, os casamentos desfeitos e o sofrimento de cada separação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Cresci sentindo o cheiro da argamassa fresca, do tijolo molhado, da tinta a óleo nova nas paredes e portas. Meu pai tinha a mania de fazer reformas, de renovar a pintura da casa todos os anos. De costume, eram os mesmos pedreiros, os mesmos serventes, os mesmos pintores de parede. Ficavam dois, três meses convivendo com a família, tomavam o café da manhã e almoçavam conosco. Ainda lembro seus nomes e guardo viva a lembrança de como eram. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Terminada a obra, deixavam em mim uma saudade imensa, até que, um ano depois, voltavam para refazer o que haviam feito antes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm auto auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-add-space: auto" class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E assim, na contramão do que parece ser lógico, jamais me acostumei com as partidas e os adeuses que, cedo ou tarde, são coisas inevitáveis na vida de cada um de nós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909844190096751350-795066221390279697?l=alderteixeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alderteixeira.blogspot.com/feeds/795066221390279697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/05/despedidas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/795066221390279697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909844190096751350/posts/default/795066221390279697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alderteixeira.blogspot.com/2010/05/despedidas.html' title='Despedidas'/><author><name>Álder Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16462403219903383706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
