segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sem sobressaltos

Termina o ano de 2014  sob o olhar negativista de parte considerável de nossa imprensa. Desconfiança à parte, não há como fechar os olhos para o que orienta alguns dos nossos maiores órgãos de comunicação, bem na linha do que fazem a revista Veja, o jornal Folha de S. Paulo e a rede Globo de Televisão: é força organizada contra um modelo de governo que se volta, como nunca antes, para os menos favorecidos da sociedade, e cujas ações acabam por respingar nos interesses de uma elite arcaica e inconformada com uma série de avanços que, em alguma proporção, têm diminuído a distância entre os que dominam e os que são dominados. Por gigantesca e desumana que ainda seja a referida distância, não é preciso dizer.
 
A insatisfação beira o inominável, o que explica à perfeição a divisão do país nas eleições de outubro. A repercutir o drama, note-se como os eleitores de Aécio Neves insistem na ridícula expectativa de um terceiro turno, em que pesem as afirmações em contrário do TSE e do Supremo, como declarado por seus maiores representantes durante solenidade de diplomação da presidente Dilma Rousseff em meados do mês de dezembro. E, mais ainda, as evidências de que o Brasil, apesar dos pesares, vive hoje uma democracia de fazer inveja a países da Europa e os Estados Unidos. Para não falar que Rousseff inicia seu segundo mandato com a adoção de medidas que tendem a dar um melhor rumo ao país a partir do ano que se inicia.
 
É ser minimamente imparcial para constatar que a presidente 'largou' com vantagens expressivas sobre os últimos meses de governo no que tange ao fortalecimento de sua estrutura política. Na contramão do que ribombam os noticiários, as bases de apoio no Congresso parecem finalmente poder respirar ares menos viciados. Na medida em que contempla os partidos que lhe dão sustentação com uma distribuição de ministérios importantes, a presidente o fez de forma mais atenta para a correlação de forças que compõem essas bases, azeitando previamente as engrenagens que garantirão uma governabilidade tranquila até 2018. É previsível, pois, que leve a efeito medidas impensáveis na perspectiva de seu primeiro mandato, como manter sob controle parlamentares que terminaram o ano de 2014 alinhados a uma oposição inescrupulosa e revanchista. Mas o faz, como tem dado a ver, com maior disposição para o diálogo, no que se mostrara até aqui visivelmente inábil como governante.
 
2015, assim, mesmo em face de dificuldades já esperadas pelo próprio governo, tem tudo para transcorrer sem sobressaltos. Se não será, por certo, um ano de muitas realizações (muito pelo contrário), tende a viver em níveis suportáveis ajustes na economia, um ritmo de crescimento pífio nos próximos doze meses e uma inflação quando menos compatível com a de 2014. Esses fatores, claro, associados a uma acomodação das instabilidades decorrentes da crise na Petrobras, ainda que o andar das investigações venha a atingir nomes indiretamente ligados à presidente. O que pesa (e pesa de forma decisiva), a esta altura dos acontecimentos, é que parece incontornável, até para quadros da oposição, a figura ilibada de Dilma como figura capaz de conduzir o país, com sucesso, pelos próximos quatro anos. Assim seja.
 
 
 
 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Dilma diplomada

Para desespero dos reacionários de plantão, incluindo-se entre esses a meia dúzia de babacas que professava a volta dos militares como a melhor saída para o país, Dilma Rousseff foi diplomada, nessa quinta-feira 18, como presidente do Brasil pelos próximos quatro anos.
 
Não bastasse o caráter oficial do evento, que reconhece a legítima vitória da candidata do PT e autoriza sua posse em 1 de janeiro de 2015, pelo Congresso Nacional, a solenidade tornou pública a posição do TSE em face do descontentamento da oposição com o resultado das urnas. Nesse sentido, é oportuno destacar aqui as palavras do presidente da corte Dias Toffoli: "Eleições concluídas são, para o poder Judiciário, uma página virada. Não haverá terceiro turno. Que os especuladores se calem. Não há espaço".
 
A diplomação de Rousseff ocorre na mesma semana em que pesquisa CNI/Ibope, divulgada na quarta-feira 17, apontam para crescimento da avaliação positiva e confiança em relação a seu governo. É a primeira pesquisa levada a efeito desde as eleições de outubro. O percentual da população que considera o governo de Dilma Rousseff "ótimo" ou "bom" subiu de 38% em setembro para 40% em dezembro. Com relação aos que consideram o governo "regular", a pesquisa indica queda de 1%, mesmo índice para os que em setembro avaliavam-no como "ruim".
 
Mais expressivos em favor da presidente reeleita são os números que indicam a confiança dos brasileiros em relação ao segundo mandato. Em setembro eram 45%, agora são 51% os que acreditam que Dilma Rousseff fará um bom governo. Na mesma proporção, seis pontos, caem os números dos que não confiam na presidente. Em setembro, eram 50%, em dezembro somam 44%.
 
Seguindo a mesma tendência de crescimento positivo, 43% dos entrevistados afirmam que o segundo mandato de Dilma Rousseff será "ótimo" ou "bom", contra 25% que dizem que será "regular" e 13% "ruim". A pesquisa traz, ainda, significativa percepção de que a imprensa empenha-se em divulgar notícias desfavoráveis ao governo, passando de 32% para 44%. O resultado, pois, explica de modo convincente os números favoráveis à presidente  --  e serve para evidenciar uma posição mais consciente das pessoas ouvidas em face dos noticiários tendenciosos, nomeadamente no que tange aos casos de corrupção em empresas estatais, a exemplo da Petrobras.
 
Ao final de um ano de enormes dificuldades, assim, Dilma Rousseff parece ter assimilado a propalada capacidade do ex-presidente Lula de manter-se à margem de desgastes mais significativos, e aproxima-se do início do seu segundo mandato mais fortalecida diante dos ataques desferidos por uma oposição inconformada com o resultado das eleições de outubro. Inconformada e totalmente perdida, diga-se de passagem.
 
Para o gerente-executivo de pesquisa e competitividade do CNI (Confederação Nacional da Indústria), Renato da Fonseca, a pesquisa reafirma o nível de satisfação dos brasileiros em relação às ações do governo do PT no combate à fome e à pobreza, fatores decisivos para a recuperação da credibilidade da presidente desde as manifestações de novembro.
 
Com pelo menos dois anos de antecedência, o que salta aos olhos dos críticos mais atentos é que já se pode pensar, sem precipitação, que uma volta de Lula em 2018 vai se configurando como uma possibilidade concreta. Para a angústia de Aécio e cia., tenho dito.