Crise, canalhice e Carnaval!

É Carnaval! Na linha do que professou o antropólogo Roberto DaMatta, o Brasil se nivela durante os quatro dias de folia. Até quarta-feira, estamos de bem com a vida e nossas dificuldades deixam de existir. A alegria anda solta e somos felizes, temos a vida que pedimos a Deus. Não há pobres e ricos, exploradores e explorados e o que importa é “beber, cair e levantar”, como diz a letra (?) do forró do momento.

Tudo bem. Dá um desconto que todo mundo merece ser feliz, mesmo que à custa de muita cachaça, que ninguém é de ferro. O diabo é que há um cheiro de fumaça no ar e algo me diz que depois da festa vem uma realidade dificílima para o brasileiro. O Banco Central, depois de contar vantagens à exaustão, parece cair na real e prevê subida nos índices de inflação. O país não parece tão preparado para a crise que vem dos Estados Unidos e a coisa tende mesmo a pegar por baixo. Há tempos não começávamos o ano de forma tão dramática.

O pior, é que o governo, em mais um exercício de malandragem, arma mecanismos mil a fim de impor um novo imposto aos brasileiros, única forma de superar as perdas advindas da queda da CPMF. E haja gogó para justificar o injustificável. Redução de gastos, o que é condição sine qua non para o país segurar sua estabilidade, nem pensar. Enquanto isso, paguemos as contas irresponsáveis com cartões de crédito corporativos da Presidência da República.

A propósito, a situação da ministra da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, parece mesmo insustentável e os indicativos são de que cairá tão-logo passe o Carnaval. Canalhice. Ribeiro fez compras em free shop. Mas não é bastante elegê-la o bode expiatório da vez. Como ficará a situação do ministro Orlando Silva (Esportes), que pagou com o cartão corporativo até conta de tapiocaria em Brasília. E de Altemir Gregolin (Pesca), que usou a mesma prerrogativa para custear despesas em churrascaria de luxo. Sei, não. A sensação é de que na Capital do país o Carnaval é o ano inteiro.

Nada, não. Tudo passa sobre a face da terra, já dizia Alencar. Vamos à gandaia, que a partir de hoje é o que importa, nesse paraíso tropical. Pelo sim, pelo não, não há negar: este país fica lindo em ritmo de Carnaval. É fascinante como esse povo consegue virar o jogo por uns dias, como essa gente reencontra os mitos do paganismo mais antigo nos quatro dias de folia. É de Bandeira que me lembro agora: “Quero beber! Cantar asneiras/No estro brutal das bebedeiras! Que tudo emborca e faz em caco/Evohé Baco!/Lá se me parte a alma levada/No torvelim da mascarada/A gargalhar em doudo assomo/Evohé Momo./A Lira etérea, a grande Lira!/Porque o eu extático desfira/Em louvor versos obscenos/Evohé Vênus!” Viva o Carnaval!

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