Terá Copa

Escrevo esta coluna às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2014. Faço-o por cobrança da editoria do jornal, que fixou a data de hoje, 11 de junho, para fechar a edição da semana. Por razões óbvias, corro o risco de ver publicadas, na versão impressa, aberrações bastantes para fazer enrubescer qualquer cidadão medianamente exigente. Nada, não. Vou adiante. Coisas do ofício.
 
Sem fechar os olhos para o que houve de errado, vejo com entusiasmo o que já sabia: o Brasil fará uma Copa do Mundo inesquecível, na contramão do que apregoava a voz agourenta da grande imprensa e a vontade inconfessável da oposição ao governo Dilma, PSDB à frente, mancomunados num dos mais asquerosos projetos de reação aos avanços sociais implantados no País nesses últimos anos  --  e, agora, impotentes, curvados às evidências: "Terá Copa!"
 
Até a BandNews, que passara o ano veiculando o criminoso bordão "Imagine na Copa", como que a antever (e desejar!) as piores ocorrências, durante o evento, está irreconhecível na cobertura jornalística do que, da noite para o dia, considera "um espetáculo como só os brasileiros são capazes de fazer", como (ato falho?) deixou escapar, alto e bom som, seu jornalista mais prestigiado, Ricardo Boechat, na manhã de ontem.
 
Quanto ao escrete, como diria Nelson Rodrigues, diferentemente, fico com o polêmico comentarista Milton Neves, para quem o time de Felipão anda longe de ser o que pensam dele. A começar pelo goleiro, que não me inspira a menor confiança. O que dizer de Oscar e Hulk, em posições em que já atuaram Tostão, Pelé, Sócrates, Zico?
 
São estilos diferentes, esquemas táticos desiguais, é o que dirão. Não penso assim. Em 70, por exemplo, tínhamos na quarta-zaga, Piazza, que atuava de volante no Cruzeiro; na ponta-direita, Jairzinho, ponta-de-lança, no Botafogo; Rivelino, atuando quase como ponta-esquerda (Gerson era, de fato, o nosso meia-armador), era meia-esquerda no Corinthians...
 
Ademais, não me cheira bem o excesso de otimismo com que a crítica especializada trata os nossos jogadores. Enoja o tom "galvaniano" que impera nas mesas-redondas das tevês brasileiras, notadamente a Globo. Neymar não é Messi, ainda, Fred anda longe de ser Christiano Ronaldo e nem mesmo a nossa linha de zaga é a perfeição que se diz. Quero estar errado.
 
Como adiantei, produzo o texto desta coluna horas antes de Brasil vs. Croácia. Corro o risco de dizer tolices. Que o diga. Quero o Brasil campeão! Estou certo de que acontecerá em terras brasileiras a Copa das Copas, como quis a presidente, mas tenho medo do nosso time. Que passe vexame como cronista, é o que desejo!
 
 
 
             

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