Direito e Literatura

Do poeta, jurista, crítico literário e historiador Dimas Macedo, chega-me às mãos Direito e Literatura, ensaios e reflexões, conjunto de setenta e sete textos que abrangem da Sociologia à Filosofia do Direito, sem esquecer, claro, as inconfundíveis incursões do autor pelo campo das artes, nomeadamente a Literatura.
 
Como observa Macedo, em texto de apresentação, o livro explora seus diferentes temas pelo viés da crítica dialética e da teoria material, mas o faz fundamentando-se numa generosa prospecção do que existe de mais significativo nos diversos outros livros que o crítico examina com a sensibilidade do poeta e o rigor acadêmico do especialista, a que devemos algumas das páginas mais sublimes do ensaísmo contemporâneo.
 
São textos curtos, é bem verdade, como o opúsculo pede, mas nunca superficiais, licença analítica que Dimas Macedo não se permite, mesmo quando depara com escrituras pouco exigentes, a exemplo do livro de memórias deste colunista a que o autor de Direito e Literatura dedica sua atenção, insisto, com a habilidade de um mestre, equilibrando-se, como um sábio, entre as motivações do amigo e o rigor do esteta criterioso que invariavelmente é.
 
É assim que o vemos lidar, por outro ângulo, com a obra de Moreira Campos e Luiz Gonzaga, com a poesia de Hermínia Lima e a escansão musical de Diego Macedo, com a arte de Mano Alencar e Cláudio César, para não falar do olhar atento que dispensa à história regional. Nessa perspectiva é que, numa só visada, dá proeminência ao Nordeste como berço de grandes artistas, com destaque para o romancista José de Alencar, o poeta Patativa do Assaré, entre outros  --  e faz alusão ao teatrólogo pernambucano Nelson Rodrigues, desavisadamente visto pelo senso comum como filho do Rio de Janeiro, cidade em que ambienta seu teatro feito de poesia e derramamento trágico.
 
Examinado assim, sumariamente, não é possível dar, aqui, a medida de importância que Direito e Literatura haverá de ter no conjunto da expressiva obra de Dimas Macedo, no campo da crítica e do ensaio, no que guarda este de mais genuíno a meio caminho entre a crônica ligeira e desvendamento científico do fato desconhecido. Seja um ou outro, todavia, o certo é que ler Dimas Macedo é sempre uma experiência que nos enriquece e emociona, num tempo em que, para além do que é natural e conveniente, excedem na crônica e no ensaio um sem-número de palpiteiros sem qualquer talento.
 
Por essas e outras, é que Direito e Literatura constitui uma boa novidade no gênero. Livro para se ler e guardar no melhor escaninho da estante, bem ali onde se encontram aqueles que fazem parte do nosso cotidiano.
 
No mais, já se sabe, Dimas Macedo é um desses raros autores que não deixam ninguém indiferente. Há nele, sempre, a poesia como linha de força, o juízo consciente das qualidades fundamentais da Arte e da Literatura, o equilíbrio da análise consistente, razão por que seus textos e 'excursos' estéticos, constantes do livro aqui referido, exercem, de imediato, sobre nós, tão grande fascínio.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
           

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