Menos imprevisível?

A elite brasileira, que nunca absorveu o fato de ter um governo popular à frente dos destinos do país, como no imaginário dos mais simples  --    parece viver, politicamente, o drama do cachorro que caiu do caminhão de mudanças: não sabe onde fica a casa velha, tampouco a nova.
 
É o que indica a nova pesquisa do Datafolha para presidente, em que o candidato Aécio Neves recupera dois por cento dos "votos" perdidos (supostamente) para a candidata Marina Silva. Ou seja, a turma do dinheiro volta em carneirada para o candidato do PSDB na esperança de levar o ex-governador de Minas Gerais para o segundo turno. Esquece que essa hipótese é tudo o que o PT sonha acontecer, uma vez que as chances de vitória de Dilma, com isso, aumentariam significativamente. Vejamos.
 
A vantagem de Dilma sobre Marina, agora, abre sete pontos, 37% a 30%, saindo nitidamente do que se poderia considerar um empate técnico. Na hipótese de um segundo turno entre as duas, a dianteira de Marina, que atingira em torno dos dez pontos, desce para dois, 46% a 44%, diferença que se pode considerar insignificante no ritmo em que os números têm mudado de uma pesquisa a outra.
 
Mas é o crescimento de Aécio que alimenta a utopia dessa faixa de eleitores. Somando 17%, hoje, contra os 15% da pesquisa anterior, o candidato tucano volta ao páreo da disputa para o primeiro turno, sobremaneira quando os números apontam aumento da rejeição à Marina Silva em ritmo vertiginoso. Em um mês, o percentual dos que dizem não votar na candidata do PSB dobrou de 11% para 22%, superando Aécio que é de 21%.
 
Em favor de Dilma, o fato de que nesta pesquisa ela lidera as intenções de voto em todas as regiões do país. Segundo o Datafolha, a candidata do PT assume a ponta no Nordeste, no Norte, no Centro-Oeste e no Sul, empatando tecnicamente no Sudeste, onde Marina vinha liderando com folga até coisa de vinte dias. Em Minas Gerais, Dilma vence Aécio e elege o seu candidato a governador, o que assusta o tucanato pelo que os números indicam contra as chances de Aécio Neves chegar ao segundo turno.
 
A queda de Marina Silva, que dá a ver o acalmar da onda desde a morte de Eduardo Campos, é evidente no eixo Rio-São Paulo, 4 pontos, entre as mulheres, 4, entre os católicos, 4, junto aos eleitores jovens, 6, e, mais preocupante ainda, nas cidades de porte médio (entre 200 e 500 mil habitantes), 5 pontos.
 
A elite brasileira, dizíamos, desnorteada entre o que considerava a cruz e a espada, escolher Dilma ou Marina Silva, nutre de novo a esperança de ir para o segundo turno contra o PT. Para perder outra vez, sabemos, no caso dessa hipótese se confirmar.
 
 
 
 
 
 

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