Oposição cretina

"O Brasil é um país estratégico, porque não obedece às diretrizes emanadas do Pentágono e do Departamento de Estado [Americano]".
 
 A afirmação é do historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, 76, um dos mais respeitados intelectuais especializados em relações internacionais envolvendo o Brasil e os Estados Unidos, para quem a decisão da presidente Dilma Rousseff, ao cancelar a sua visita aos EUA, reflete a firmeza e a independência próprias de uma grande estadista. Moniz, que atualmente reside na Alemanha, vai mais longe e tece elogios à posição brasileira frente às questões políticas do governo americano no que tange às ameaças de invasão à Síria, na linha do que fez ao impor sanções e isolar a Líbia e o Irã.
 
Palavras que, para qualquer brasileiro digno e bem intencionado, deveriam encher de orgulho nossos corações, como essas, infelizmente vão de encontro ao oportunismo dos partidos de oposição ao governo da presidente Dilma, reeditando, além da falta de correção moral, o velho complexo brasileiro de vira-lata, de que nos falava Nelson Rodrigues.
 
É ler os principais jornais dos dois últimos dias e deparar com declarações, revestidas de interesses inconfessáveis, sabemos, do pretenso candidato a presidente Aécio Neves, e concluir: o Brasil com que sonham os tucanos e seus aliados é o Brasil subserviente, de cócoras, o Brasil como quintal produtivo dos Estados Unidos. Quanta canalhice! Ou alguém pode acreditar que, fosse contrária a decisão tomada, tivesse confirmado a presidente sua visita oficial aos Estados Unidos, seria Dilma Rousseff elogiada por Aécio Neves? O cinismo, como se vê, parece não ter limite no ninho tucano.
 
Retomando as declarações do renomado historiador, todavia, é importante ressaltar a advertência que faz em torno da guinada estratégica do governo Obama para uma posição que já se pode considerar muito próxima da posição de George W. Bush no que diz respeito ao Brasil e outras potências emergentes, o que põe em risco, na parte que cabe aos interesses brasileiros, a escolha de tecnologias de exploração do pré-sal, segundo Moniz, o principal alvo americano na atualidade. Daí as razões da espionagem da Petrobrás pela Casa Branca. Sobre isso, são de Moniz as palavras: - "A espionagem envolve todas as áreas, sobretudo a do petróleo. Aos EUA interessa saber todas as informações possíveis sobre as reservas [do Brasil]."
 
Por último, no que já confirma alguma desconfiança entre os seus admiradores (entre os quais me coloco), vem a afirmação de que o presidente Obama cada vez mais distancia-se do discurso de campanha e dá à política internacional ianque (por extensão de sentido) um perfil de extrema-direita, que me desculpem o anacronismo do rótulo: - "Obama podia renovar a política internacional e aliviar tensões. Porém, ele revelou-se mais fraco e mais sem caráter do que se poderia imaginar." (sic)
 
Mas, vergonhosamente, existem no Brasil os saudosistas que estão gostando. O candidato Aécio Neves, por exemplo. Trata-se de uma oposição.
 
 
 
 
 
 
 

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