O ano de nossas vidas

Eis que chegamos a 2011. 2010 não foi um ano fácil, eu sei, pelo menos para mim. Mas desejo que tenha sido bom para vocês. Aliás, pensando bem, acho que estou sendo injusto com a vida. Se ela me deu no ano que passou alguns dissabores, e, já no desfecho, um momento dramático para enfrentar, fiz coisas boas, muitas. Retomei um segundo doutorado e estou pesquisando a obra teatral de um dos meus autores preferidos, Nelson Rodrigues; "deixei de comprar o meu câncer", como disse a poeta (assim, como está escrito) Elisa Lucinda quando parou de fumar; terminei um livro novo e arrumei a casa para a chegada de Carolina, a minha filha que vem morar comigo a partir de agora; fiz novas amizades e alimentei as antigas etc. Como se vê, até que não foi improdutivo o ano.
 
Li muito, li como não fazia há tempos, de Vargas Llosa a Jorge Luis Borges, que, tenho o atrevimento de confessar, não está entre os meus escritores mais amados. Reli alguns clássicos, folheei novidades, vi e revi filmes... escrevi, ministrei cursos interessantes, conheci gente nova e nutri uma paixão inesperada, que é do casual que se faz (e refaz) a vida.
 
No cenário nacional, é provável que 2010 tenha sido um ano alvissareiro: a economia foi bem, a crise financeira internacional nos atingiu como uma "marolinha", tivemos um presidente que se redimensionou em suas possibilidades, pacificaram o Rio de Janeiro, elegemos a nossa primeira mulher presidente, enfim, um ano de conquistas e realizações, mesmo para os eternamente-insatisfeitos-de-plantão  -  e o Brasil, pouco mais ou menos, tornou-se o país dos sonhos. Sem fechar os olhos para a porrada de coisas que ainda estão por fazer, claro. Mas o balanço é positivo, positivíssimo, eu diria.
 
Decepções, fracassos, desencantos, fatalidades etc., são coisas naturais, que fazem parte da vida por inteiro, que ela não é só feita de graças. O amigo faltou, a namorada desistiu de tentar, o sonho da viagem não se tornou possível? Fazer o quê? Entregar-se à tristeza, à saudade que dilacera, à frustração que silencia a nossa capacidade de sonhar? Acho que a virada do ano traz consigo a possibilidade de sermos melhores, de darmos o troco ao que não deu certo nutrindo a esperança de que no Ano Novo haverá de dar, de conquistarmos novas amizades, de que o dinheiro, se bem gasto, poderá ser suficiente para aquela viagem com que você sonhou, de que a natureza seja mais generosa, de que surgirá o grande amor, de que poderá se dar o reencontro, de que tanta coisa boa está por acontecer. A vida é bailarina, já nos dizia o poeta, e nenhum ponto inerte anula o eterno viravoltear das coisas.

Que o Ano Novo venha cheio da sabedoria que nos faltou, da fé que não tivemos, da certeza de que Deus é bom e nunca faltará com aqueles que acreditam na eternidade de sua existência. Que o Ano Novo nos renove naquilo que ficou envelhecido, que se desgastou pelos tantos equívocos que cometemos, pelas faltas que poderíamos ter evitado, pela intolerância com que nos tratamos tantas vezes uns aos outros. Que o Ano Novo, de tão bom, seja o ano de nossas vidas!


2 comentários:

  1. Sudações professor Alder! Eu estava aqui a passear pelo seu blog como já fiz antes e acabei vendo esse escrito maravilhoso refletindo sobre a transição de ano. Não pude deixar de me emocionar com essas suas palavras... "Decepções, fracassos, desencantos, fatalidades etc., são coisas naturais, que fazem parte da vida por inteiro, que ela não é só feita de graças".

    E o que seria da vida se não fossem as desventuras? um ponto inerte. rsrs... ainda que nenhum desses venha anular o viravoltear de nossas coisas...rs. Mas digo isso, por que sei que nosso espírito é intrínsecamente ligado à emoção e toda emoção necessita de aventura, surpresa, impactos comunicativos bons e ruins, ou viveríamos numa eterna e monotona perfeição.

    No mais, só queria parabenizá-lo por ser essa pessoa cativante e incentivadora que o sr. é... Aprendi muitas coisas nos encontros no Instituto Federal. Agradeço sempre as ondas energéticas vitais por ter me dado essa oportunidade de ser seu aluno nesse último semestre no curso de Artes e o quão fazem falta aquelas discursões e debates de todas as santas sextas-feiras. E isso não é porque passei na sua disciplina não ein..rsrs

    Reconheço, assim como outros colegas da minha turma que sua aula era uma das mais esperadas da semana. No mais, desejo um ótimo começo de ano, e um decorrer mais emocionante ainda. Abraço! Carlos Oliveira

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  2. Obrigado, amigo! Pela visita ao blog e pelo carinho da mensagem. Volte sempre!

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