Fascismo

Millôr Fernandes afirmou certa vez: "Chico Buarque é a única unanimidade nacional!" Ledo engano: para o reacionarismo do PSDB, não. É o que deu a ver a hostilidade fascistoide a que foi submetido na segunda-feira à noite enquanto saía de conhecido restaurante do Leblon, no Rio de Janeiro. Chico Buarque estava na companhia de outros artistas respeitados, o cineasta Cacá Diegues entre eles.
 
Enquanto aguardavam um táxi, o gênio da MPB foi provocado por um grupo de empresários com gritos de "vai morar na Venezuela petista" e outros insultos recorrentes no atual momento de intolerância e golpismo que parece querer toma conta do país. "O PT é bandido", dizia um outro, ao que o principal compositor brasileiro, sem perder a fleuma, retrucou: "O PSDB é bandido". Chico foi xingado por apoiar publicamente a presidente Dilma Rousseff, tendo assinado recentemente um manifesto contra a tentativa de golpe que tem Aécio Neves como principal defensor.
 
Entre os agressores, encontrava-se um filho do empresário Álvaro Garnero, que ainda ofendeu o compositor por possuir um apartamento em Paris. Segundo a repórter Madalena Romeo, estagiária de O Globo que assina a matéria na edição de ontem do jornal, Chico dirigiu-se a seu agressor uma última vez: "Você é leitor de Veja".
 
O fato, que ocorre ao mais respeitado artista do país, dá bem uma ideia do que tem caracterizado a prática dos eleitores de Aécio Neves em relação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Todos os dias, nos mais diferentes recantos do território nacional, pessoas são desrespeitadas e não raro agredidas, até fisicamente, por não comungarem com as tentativas (fracassadas!) de destituição da presidente, na contramão dos quase 55 milhões de votos obtidos por ela na última eleição.
 
É essa gente que quer voltar a governar o país.
 
Dilma Rousseff, no entanto, depois de um verdadeiro massacre a que foi submetida pela grande imprensa e setores reacionários, emblematicamente representados pelos envolvidos na agressão a Chico Buarque, termina o ano com vitórias expressivas. Depois do STF, que pôs por terra a manobra de Eduardo Cunha no sentido de otimizar os mecanismos de golpe na Câmara dos Deputados, pelo convincente escore de 8 a 3, vê com entusiasmo o parecer do relator das contas presidenciais de 2014, senador Acir Gurgacz (PDT), que rejeita o parecer do TCU sobre o que chama de "pedaladas fiscais".
 
Ainda que simbólico, o fato constitui um reforço à recuperação da presidente, bem na linha do que atestam pesquisas recentes do Datafolha, que indicam um ligeiro crescimento nos níveis de aprovação do governo de Dilma Rousseff.
 
Quanto às lamentáveis ocorrências do Leblon, se o fazem a Chico Buarque o que não estão fazendo aos simples mortais.
 
P.S. - Este cronista deseja aos leitores da coluna um Feliz Natal!
 
 
            
            
           

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