Conversa de cinéfilos

Durante o cafezinho, numa livraria, amigos testam a memória citando frases inesquecíveis do cinema. Chama a atenção que girem, em sua grande maioria, em torno do amor, ou que tenham com o tema eterno alguma relação. Como a faixa etária fosse da metade para cima, vêm à tona momentos significativos da Sétima Arte.

De um, ouve-se o diálogo entre as personagens de Troy Donahue e Angie Dickinson em comovente cena de Candelabro Italiano (1962), o clássico adocicado de Delmer Daves. Don Porter, o jovem americano, dirige-se, angustiado, a Lyda Kent, a namorada com quem vivera momentos intensos durante um ano e que parte de trem para Suíça, onde passará a morar.

-- "Quer dizer que nunca mais nos veremos?"

Ao que ela responde:

-- "Nunca não existe."

 Ela volta a Roma, tempos depois, quando Porter namora, então, Prudence Bell (Suzanne Pleshete).

Um outro, memória de elefante, vai ao requinte de citar na língua original do filme:

-- "Why do people have to love people anyway?" ou "Por que as pessoas têm de se amar?"

Shirley McLaine, na pele de Fran Kubelick, após tentar matar-se por força de uma desilusão amorosa, em Se Meu Apartamento Falasse (1960), de Billy Wilder.

Apaixonado pela cinematografia de Wilder, um terceiro arremata:

-- "Eles não ligam, basta usar saia. É como bandeira vermelha para o touro."

Está no impagável Quanto Mais Quente Melhor, 1959, Tony Curtis e Jack Lemmon, disfarçados como mulheres, insinuando-se para um senhor de idade.

Arrisco a minha, que só terá mesmo sentido no contexto de uma das mais belas cenas do cinema, em Casablanca, 1943, de Michael Curtiz:

-- "What about us?" E nós?, indaga Ilsa Lund (Ingrid Bergman) a Richard Blaine (Humphery Bogart), no aeroporto, despedindo-se do grande amor de sua vida, que abre mão de fugir com ela em favor do marido, a quem acaba de disponibilizar seu salvo-conduto.

-- "We'll Always have Paris." Nós sempre teremos Paris.", responde-lhe, referindo-se aos momentos felizes com ela na capital francesa.

Aproveitando a 'deixa', alguém tira de cor o impagável diálogo entre um major alemão e o mesmo Blaine durante um interrogatório:

-- "Qual a sua nacionalidade?"

-- "Sou um bêbado."

A horas tantas, alguém cita Robert de Niro a Sharon Stone, em cena de Cassino, 1995, de Martin Scorsese:

-- "O que é o amor, afinal? É respeito mútuo. É devoção. Uma pessoa cuidando da outra."

Ocorre-me lembrar, então, a bela reflexão de Meryl Streep, interpretando Francesca, no sublime As Pontes de Madison (1995), em carta para os filhos, revelando seu amor adúltero com Robert Kinkaid (Clint Eastwood):

-- "Podia ter deixado morrer com o resto de mim, imagino. Mas, ao envelhecer, perdemos nossos medos... Cada vez é mais importante que me conheçam."

A magia do cinema. 

 

 

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