Coleção Airton Queiroz

O acontecimento mais significativo no campo das artes visuais, no estado do Ceará, em muitos anos, é mesmo a Exposição da Coleção Airton Queiroz. Fonte preciosa para historiadores de arte, professores, estudantes ou apenas amantes das artes visuais, a coleção reúne obras importantes de artistas de diferentes períodos estéticos, do Brasil e do mundo.

Veem-se, ali, de desenhos de Albert Eckhout (1607-1666) a imagem de Antônio Francisco Lisboa (1738-1814), o Aleijadinho, passando por óleos de Frans Post (1612-1680) e gravuras de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), que, ao lado de nomes como Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830), dão ao conjunto de obras do século XIX um destaque especial à coleção.

Chega-se, a partir daí, aos brasileiros Victor Meirelles (1832-1903) e Pedro Américo (1843-1905), ambos surgidos da Academia Imperial de Belas Artes a que fizemos alusão em coluna recente do blog. A essa altura é particularmente notável a presença do  Pedro Weingärtner (1853-1929), sem esquecer nomes da estatura de Henri-Nicolas Vinet (1817-1876), Johann Moritz Rugendas (1802-1858), Nicolas-Antônio Facchinetti (1824-1900) e do nosso Raimundo Cela (1890-1954), que transita do impressionismo sóbrio de Feira de Saint-Agrève ao temático e intimista Moça Bordando, óleo sobre tela de 1932, com que eterniza Áurea Cela.

Mas é o segmento modernista da coleção de Airton Queiroz que arrebata de vez o visitante, com obras de tirar o folego. Aqui estão os monstros sagrados da grande arte do século XX, de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) a Alfredo Volpi (1896-1988); de Anita Malfatti (1889-1964) a Candido Portinari (1903-1962); de Iberê Camargo (1914-1994) a Tarsila do Amaral (1886-1973). Para não falar de Ismael Nery (1900-1934), José Pancetti (1902-1958), Lasar Segall (1889-1957), Vicente do Rêgo Monteiro (1899-1970), Victor Brecheret (1894-1955), entre tantos outros.

Não bastasse tudo isso, é incontornável o conjunto dos ditos "abstratos", que cobre tendências e estéticas diversas, grupos e frentes de ruptura etc. Depara-se, agora, com obras de artistas inclassificáveis, Hermelindo Fiaminghi (1920-2004) e Waldemar Cordeiro (1925-1973), por exemplo; os neoconcretos Amílcar de Castro (1920-2002), Lygia Pape (1927-2004); os "contemporâneos" Hélio Oiticica (1937-1980) e Lygia Clark (1920-1988). Há Tomie Ohtake (1913-2015), Antônio Bandeira (1922-1967) e nomes da arte cinética, Abraham  Palatnik (1928) e Sérvulo Esmeraldo (1929).

Dispensável dizer o frisson que causam os estrangeiros mais renomados: Peter Paul Rubens (1577-1640), Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), Salvador Dalí (1904-1989), Henri Matisse (1869-1954), Joan Miró (1893-1983), Diego Rivera (1886-1957), Claude Monet (1840-1926), para lembrar os nomes que me ocorrem à frente do computador enquanto escrevo a coluna de hoje.

Pelos méritos desse colecionador admirável que é Airton Queiroz, o Ceará entra definitivamente no calendário do que existe de mais expressivo em eventos ligados às artes visuais ao longo de muitos anos. Imperdível!

 


 

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