Dia dos namorados

Escrevo esta crônica no dia 12 de junho, data consagrada, no Brasil, aos namorados. Há divergências em relação à origem do festejo, além de ser uma iniciativa explorada à exaustão pelos interesses do comércio, claro. Acredita-se que a razão da comemoração esteja ligada, de fato, a Juno, nome latino de Hera, uma das divindades do Olimpo. Era filha de Saturno e Cibele, tendo sido, com os irmãos, devorada pelo pai e salva por Júpiter, que a desposaria. Mas seu currículo, como direi em palavas pequenas, não é lá muito condizente com a simbologia da data.

Juno era demasiadamente possessiva, dominada por um ciúme que a levava sempre aos atos mais impiedosos. Ao saber que Júpiter houvera dado origem a Minerva, sem a sua participação, passou a perseguir não somente as amantes do marido, mas também os filhos que Júpiter tivera de outras relações. Entre as vítimas dessa fêmea ciumenta e vingativa, está Hércules, a quem perseguiria por toda vida. Não suportando mais o martírio que Juno lhe infligia, Júpiter certa vez amarra-a a uma pedra, nas proximidades do Olimpo, com uma bigorna presa a cada um dos pés. Juno considerava que o homem era favorecido no amor, Júpiter o contrário, isto é, para o senhor dos deuses era a mulher a grande favorecida nas relações amorosas. Tirésias foi chamado a julgar a contenda, decidindo em favor de Júpiter.

Por ser a companheira de Júpiter, o deus dos deuses, Juno seria, contudo, alvo da veneração de todos, eleita como a protetora das esposas e mães, às quais ajudava nos trabalhos de parto. Em reverência a ela, os maridos e os namorados presenteavam suas amadas, davam-lhes flores e os mais tocantes mimos. O prestígio de Juno cresceu entre os romanos, onde passou a ser festejada todo segundo mês do ano, razão por que o dia dos namorados, noutros países, é comemorado no dia 14 de fevereiro.

Juno é representada pelos pintores e escultores como uma mulher jovem e bela, de expressão serena e casta. Veste sempre uma túnica drapeada, encoberta por um véu transparente. Traz na cabeça um diadema e, na maior parte das versões registradas pela História da Arte, porta um cetro decorado com pedras preciosas. É considerada o símbolo do amor conjugal e da fecundidade entre os casais. Em que pese a vida marcada por contradições, como vimos, é a Juno que se deve a data hoje comemorada.

Na Europa e nos Estados Unidos, embora comemorada em 14 de fevereiro, atribui-se a homenagem a São Valentino (Valentine's Day), um padre que, durante a Idade Média, intercedia em favor dos casais que tinham seus relacionamentos dificultados por questões familiares, realizando seus casamentos às escondidas. Pelo sim, pelo não, a data é simpática e deve ser mesmo cultivada, coloquem-se à margem as razões meramente comerciais, uma forma sob algum aspecto tortuosa para aquecer as vendas e estimular o consumo.   

Um comentário:

  1. Saudações, Álder!

    Olha, vou te contar, eu até tinha noções sobre a simbologia da data, mas agora, depois dessa crônica esclarecedora, eu tenho detalhes. Obrigado, Álder!

    Abraços!!

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