Tempo e paixão

Leio numa crônica de Martha Medeiros: - "Estar só, totalmente só, é um direito e um dever. Não todo o tempo, mas por um breve tempo, o tempo que a gente precisa para reencontrar a si mesma." Bárbaro, Martha. O grande equívoco dos que se separam, notadamente os homens, sempre mais apressados sob este aspecto, é sair à caça, querendo a custo substituir a pessoa amada. A leitura machista, retrógrada, de que só se cura uma paixão com outra paixão. E o cara se entrega na busca insana, conquista Maria e Joana, mas o abismo só aumenta. É que para curar a velha paixão só existe um remédio, e esse remédio é o tempo. Ademais, a paixão é felicidade, mas não é a felicidade.

Fazer o quê?, o leitor há de querer saber. Não há fórmulas, receitas prontas. Entendo que o segredo está em lidar bem com a solidão e aproveitá-la construtivamente. É hora dos bons livros, de rever alguns filmes de que você mais gostou, de retomar projetos esquecidos, de reencontrar velhos amigos, e, coisa importante, deixar-se ficar só, sem fazer nada previamente pensado. Sim, esse ócio que nos permite sentir o corpo, educar a respiração, deixar os olhos passearem pelos cantinhos nunca visitados do nosso espaço. Ocupar o tempo com ações menos produtivas, mas revigorantes para a alma. E rever um pouco do que fomos, num tipo de autocrítica que possa nos fazer mudar para melhor.

Descrença no amor, na linha do que escrevi em outra crônica sobre um amigo que foge de uma nova paixão? Não, bem longe disso. Acho que uma nova paixão é um tipo de contemplação para o espírito que se fortaleceu no processo de reencontro consigo mesmo. A paixão é prêmio para a alma resolvida, nunca o recheio para o vazio que se instala em nós com o fim de um relacionamento. Uma nova paixão não é algo que se procure de lupa na mão, agulha no palheiro.

A paixão vem do inusitado, daquilo que você nunca previu. A paixão é sorrateira, moleca, brinca de esconde-esconde, de pega-pega. Mas vem de repente, não tolera festa de recepção, por isso nunca avisa quando vai chegar. Está na canção de Dusek: "Quem será que me chega / na toca da noite / Vem nos braços de um sonho / que eu não desvendei / Eu conheço o teu beijo / mas não vejo o teu rosto / Quem será que eu amo / e ainda não encontrei." Bravíssimo.

Se está acontecendo com você o mesmo, se ainda não reorganizou por inteiro sua vida e seu coração, não abra mão de um tempo sozinho, esse tempo que não tem preço, que é, na mesma medida e proporção, um direito e um dever. Deixe que a novidade aconteça assim, como uma novidade, não como um filme em que você atuou. E que não teve um final feliz.





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